O meu coração de luto…

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Quando ouvimos noticias como as deste fim de semana negro, é impossivel ficar indiferente. 64 pessoas morreram. A maioria numa estrada, apanhados completamente desprevenidos por esta força bruta da natureza.

No entanto, torna-se ainda mais doloroso quando se começam a conhecer os rostos. Não são apenas “64 pessoas”… é muito mais que isso!

São o Sérgio, a Ligia, os seus filhos, o Rodrigo, o Bruno, o Gonçalo, etc. etc. etc.

Cada uma destas 64 pessoas tem um nome e uma história. Cada uma destas 64 pessoas deixa pais, mães, filhos, amigos, e sonhos por realizar. Uma vida brutalmente arrancada que ficará em stand by para sempre.

Familias como a minha, que viram a morte chegar. Pais que nada puderam fazer pelos filhos nem por sí próprios. Familias que foram de férias para nunca mais regressarem a casa.

Pais, filhos e amigos que ficaram do outro lado da barricada sem nada poder fazer para socorrer os seus, que sabiam em perigo…

O meu coração está de luto, por todas e cada uma das vítimas desta tragédia. E a cada nova imagem, cada nova cara, cada familia, este drama torna-se mais e mais pesado.

Os meus mais sinceros sentimentos a todos os familiares e amigos das vítimas.

Assim vai a vida… aos olhos de uma mulher comum…

A era das mulheres em “burnout”

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Fonte: google.ch

Ha uns tempos partilhei na página facebook do blog uma BD muito interessante que falava da carga mental nas mulheres. Depois partilhei um video que falava da exaustão materna (também aliada a essa carga mental).

Depois percebi, que EU ando exausta e não é só fisicamente. Que EU ando com uma carga mental excessiva.

Amo de paixão o meu marido (felizmente para ambos 😅) mas ele pertence à categoria dos homens “que ajudam bastante em casa”. Se isso é mau? Depende do ponto de vista, ora vejamos;

Para mim há essencialmente 3 categorias de homens:
– Os que não mexem um dedo em casa
– Os que ajudam em casa
– Os que colaboram na gestão da casa (ao que parece uma espécie extremamente rara!)

Os que não mexem um dedo, dispensam apresentações.

Os que ajudam em casa, e aqui aparece a minha cara-metade, são aqueles que participam em tarefas das lides domesticas mais ou menos guiadas pela parceira, exemplo: por roupa a lavar/secar, por a loiça do almoço/jantar na máquina, limpar a casa, cuidar dos miudos. E o meu o que faz, faz tão bem ou melhor que eu, especialmente quando se trata de limpar a casa e cuidar dos miudos (embora tenha claramente menos paciência que eu!)

No entanto, depois de colocarem a loiça na máquina, tem de vir a mulher e passar no pano no fogão, no lava loiça e na bancada, arrumar o que está fora do sitio etc.

Ora, se ele trabalha e eu estou em casa, é lógico que o grosso das tarefas domésticas recaiam sobre mim. Mas e o resto?

Tudo o que faz parte do pacote “arrumar, organizar, gerir” foi excluido do pack de participação nas tarefas domésticas.

O que mais ouço são coisas do tipo: “Já pagaste as contas?”, “Já escreveste a carta para o seguro?”, “Já fizeste os impostos?”

A gestão de uma familia e consequentemente de uma casa vai muito além das simples tarefas de limpar/cozinhar/arrumar/cuidar dos filhos.

É preciso gerir a lista de compras. Gerir a organização da casa. Gerir a ama dos miudos. Gerir as datas de pagamento das contas. Gerir tudo aquilo que faz parte da “To do list” semanal – que as vezes não é pouco! Gerir as consultas dos miudos. Gerir os TPC’s e as reuniões na escola. Gerir as actividades extra-curriculares.

E depois é necessário comandar as tropas: dizer o que é preciso fazer em casa naquele momento; enfim, dizer qual será a participação de cada um em cada uma dessas tarefas.

E isto é cansativo. Mais do que vocês, caros companheiros de “guerra”, possam imaginar.

É por isso que nós temos insónias! Porque se por algum acaso acordamos a meio da noite, começamos logo a adiantar serviço e a pensar como vamos organizar o dia, ou como vamos resolver/gerir determinada situação.

Nós, mulheres, quando nos deitamos, ficamos algum tempo a pensar em tudo o que fizemos durante o dia, em tudo o que não fizemos, e muitas vezes, em como poderiamos ter feito melhor, em como nos sentimos “incompetentes” ou “insuficientes”, em como deveriamos ser melhores!

Mas… será que deveriamos mesmo?

Nós não precisamos que nos perguntem “precisas de ajuda?”. Nós precisamos que olhem à vossa volta, vejam com os próprios olhos o que está por fazer e façam. É que as vezes estar sempre a pedir também cansa.

Nós não precisamos que nos perguntem se já fizemos isto ou aquilo. As vezes dizer “VAMOS tratar disto” já é o suficiente para nos aliviar um pouco a pressão.

“Ajudar”, pressupõe que toda a responsabilidade está do lado da mulher e que o homem, como é simpático, até dá uma ajuda, mas sem qualquer tipo de obrigação.

Não. Não. Não!

A responsabilidade do homem não é ganhar dinheiro para sustentar a casa e depois ficar descansado porque indo trabalhar já cumpre a sua obrigação, mas como até é simpatico, ainda ajuda bastante lá em casa! Isso era no século passado!

O homem não tem que ajudar! O homem tem que CO-LA-BO-RAR! E colaborar pressupõe um trabalho em equipa com responsabilidades partilhadas, e não um que gere e outro que executa algumas tarefas sob “mandato”.

Desenganem-se: a pior parte, caros companheiros não são as lides domésticas. Ok, essas não são especialmente agradáveis, mas a pior parte, é mesmo o peso de sentir a responsabilidade total pela gestão de uma familia!

Por isso caros homens que “ajudam”, se ainda não tinham percebido de que se queixam elas, espero ter contribuido para de alguma forma vos elucidar um pouco sobre esta questão.

E nós caras mulheres, vamos lá definir as nossas necessidades e os nossos limites, porque é aí que tudo começa…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mulher!

Por vezes, sinto que estou a trair-te…

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Por vezes sinto-me como se te estivesse a trair… Como se estivesse a tirar-te o lugar de “meu pequenino”, como sempre te chamo.

É a primeira vez que sinto isto. Talvez porque o Duarte já tinha 5 anos quando a Eva nasceu – um “crescido” portanto – e quando tu nasceste a Eva era uma menina muito independente e pouco dada a mimos.

Contigo é diferente. És um menino muito amoroso, muito demonstrativo nos teus afectos, e ainda muito agarrado às saias da mãe…

Conquistas a tua autonomia e a tua independência, mas sempre na segurança de teres sempre por perto o teu porto de abrigo.

“A mãe amor” dizes tu… e eu derreto-me absorvida pelos teus beijinhos repuxados e abracinhos apertados…

“Che t’aime beaucoup maman” repetes tu vezes sem conta antes de adormecer, ouvindo sempre como resposta um “moi aussi je t’aime beaucoup mon amour!”… declarações que são um elixir de amor para o meu coração!

Brevemente, vais ter mais um mano. Um recém-nascido que vai precisar muito da atenção e dedicação da mãe. Mas eu prometo-te que continuarei a ser o teu porto de abrigo, que continuarei a acompanhar-te nas tuas aventuras e descobertas. Que estarei sempre aqui, pronta e ansiosa por receber e retribuir esses beijinhos e abracinhos!

O amor de uma mãe não se divide, multiplica-se.

Lembro-me, antes da Eva nascer, de não querer ter mais filhos por achar impossivel amar outro ser da mesma forma que amava o Duarte. Com o nascimento dela, percebi como esse medo era infundado! O amor multiplica-se! Fica mais forte e mais maduro a cada filho que nasce!

Por isso meu querido Francisco, e mais do que dizer-to a ti preciso de o dizer a mim mesma, prometo que não te estou a trair, que não vou deixar de ser a tua “Mãe Amor” nem tu vais deixar de ser “O meu pequenino”.

E nestas semanas que nos restam até à chegada do bebé, quero SER mais e ESTAR mais, porque vocês merecem!

Amo-te até ao infinito, meu pequenino!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Saudades de emigrante…

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Quem me conhece sabe que não penso voltar a viver em Portugal. Conquistei demasiado nestes ultimos anos para pensar em voltar.

Sabe até que não gosto de dizer que sou emigrante, mas antes uma cidadã do Mundo…

No entanto isso não significa que não sinta saudades. E hoje foi um dia em que a saudade e a nostalgia marcaram presença…

Dei por mim a pensar o que faço eu longe da minha familia, das minhas raízes, do meu país.

A ter saudades de uma tarde na esplanada à beira mar.

Saudades da comida da mamã. Do miminho da mamã.

Saudades do café português e do pão português.

Saudades do sol Lisboeta.

Saudades de tudo.

Mas o que mais me custou hoje, foi a tristeza que senti ao ver os meus filhos falarem com a avó através de videochamada.

A trocarem “adoro-te muito” e “tenho muitas saudades” separados por 2000km. Ver os meus filhos darem beijinhos a um ecrã de telemovel. A amar através de um pedaço de vidro.

Há escolhas que fazemos cujas consequências por vezes nos parecem demasiado duras…

Eu sei porque vim, sei o que faço aqui e sei porque não tenciono voltar.

Mas há dias em que ser emigrante custa e estar longe dói, e hoje foi um deles…

Assim vai a vida, aos olhos de uma mãe!

“43 crianças devolvidas”… Hein?

http://www.dn.pt/sociedade/interior/43-criancas-devolvidas-por-candidatos-a-pais-adotivos-num-so-ano-8524305.html

43. Não foram 2 ou 3 situações especificas.

Foi quase meia centena de crianças que na sua história de vida já viveram abandonos, negligências e maus tratos.

Metade destas crianças têm menos de dois anos, são portanto, bebés.

Se é dificil acolher uma criança destas? Pois claro que deve ser. Crianças que estão ‘na defensiva’, que têm medo de voltar a sofrer, e com certeza é preciso muito amor e persistência para levar as coisas a bom porto.

Mas o mais fácil mesmo é perceber que “ah e tal, se calhar isto de ser pais afinal é uma trabalheira e não temos jeito par isso”.

Será que esses “aspirantes a pais” pensam que nós, os pais que têm filhos biológicos, não passamos por alturas complicadas? Que não passamos por fases de desespero em que gerir o comportamento de um filho parece uma missão mais impossivel do que as missões levadas a cabo pelo Tom Cruise? Que há dias em que reclamamos a ajuda divina para que possamos guardar nem que seja apenas uma amostra da nossa sanidade mental?

Sim. Isto é uma constante na vida dos pais, sejam eles biológicos ou adoptivos. Este é o maior desafio das nossas vidas. E este amor é tão gratificante que mesmo que pudessemos voltar atras ou “devolver” os filhos à cegonha, jamais o faríamos – embora por vezes, em fracções de segundos quando parecemos estar à beira da loucura isso até nos possa passar pela cabeça…

Um filho, biológico ou adoptivo, é isso: UM FILHO. E não um objecto que podemos levar “à experiência” para ver se isto da parentalidade nos convém ou se afinal não estamos para isso.

Desculpem se feri susceptibilidades, mas estas crianças também merciam ser felizes.

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe.

Exaustão materna

Ontem partilhei na página do facebook uma BD que fala sobre a “carga mental” nas mulheres. Carga mental é, por exemplo,  aquilo que nos faz acordar a meio da noite e ter dificuldade em voltar a adormecer, pois começamos a planear mentalmente tudo o que temos para gerir no dia seguinte.

Ontem foi um dia particularmente dificil por aqui, em que eu além de me sentir exausta tinha imensas coisas para fazer, e “imensas coisas para fazer” + 3 miudos para cuidar e “vigiar”, não costuma dar bom resultado.

Eu tinha coisas para fazer em casa, os miudos queriam brincar no jardim. O problema é que o jardim ainda não tem o nivel de segurança suficiente para eles poderem estar fora a brincar sozinhos: não é vedado, tem escadas – que da ultima vez valeram uma noite no hospital ao Francisco que decidiu desce-las de triciclo – entre outros perigos potenciais.

Por isso, eu tinha de fazer tudo ao mesmo tempo que vigiava os miudos, e tenho de admitir que ao final do dia me senti completamente ultrapassada por toda a pressão que coloquei em mim própria.

Acabei por descarregar a minha frustração nos miudos, ficando ainda mais frustrada.

Há dias, em que ser a mãe que queremos ser é das tarefas mais dificeis do mundo…

Assim, hoje trago-vos uma curta metragem sobre a exaustão materna, e acho que ontem me senti mais ou menos como esta mãe…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

A magia das pequenas coisas!

Quando para nós é só um dia normal, ou dificil, para eles tudo é emoção e sentimento ❤
E porque a infância deles passa demasiado rápido, é importante que possamos nós também conseguir ver magia em tudo o que fazemos com os nossos filhos…
A saudade dos tempos em que “eles eram pequeninos” não vai trazer a infância deles de volta… por isso, sejamos cada vez mais pais e mães presentes e conscientes, mesmo que o tempo que passamos com eles não seja tanto como gostariamos, se estivermos verdadeiramente com eles, os ganhos para ambas as partes são incalculaveis!

Deixo-vos aqui um video que trata duas visões tão diferente de um dia “normal”…

Quanto a mim, com esta sobrecarga de hormonas, foi impossivel não ficar com a lágrima no olho 😉

“Porque o teu normal, pode ser o mágico deles”

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!