Ser mãe empreendedora

Escrevi este texto ha alguns dias para o blog da Amamenta France e achei que deveria partilhar aqui convosco, de certa forma para explicar um pouco esta ausência… é que no meio de tantos projectos, acabo por deixar o blog um bocadinho de parte…

“Assim à primeira vista, ser mãe empreendedora é algo simples e fantástico. Fantastico é, sem duvida! Simples? Nem tanto!

Ser mãe empreendedora exige mais auto-disciplina, organização e força de vontade do que eu alguma vez imaginei!

Quando se dá este passo, ser mãe empreendedora é ser mãe a tempo inteiro e empreendedora no tempo que sobra ( que não é muito).

É aproveitar para trabalhar nas sestas e à noite depois dos miudos estarem deitados.

É “roubar” horas ao proprio sono para tentar avançar e mesmo assim ter a perfeita noção de que seriam precisas muitas mais horas para conseguir fazer um bom trabalho “em tempo útil”.

É ser mãe a tempo inteiro e dona-de-casa com tudo o que isso implica: estar presente, e não ha nada que pague isso, mas também passar o dia a limpar, arrumar, cozinhar, arrumar, lavar, ir buscar/levar à escola, dar almoço/lanche/banhos/jantar, brincar, ajudar a fazer trabalhos, por na cama, contar histórias, passar a ferro e por fim, ufa! poder ir tomar um bom banho, e começar a segunda parte do dia: trabalhar!

É começar a trabalhar quando o stock de energia e criatividade ja estão quase na reserva.

É ser interrompida N vezes por “despertares nocturnos” como ” quero àgua” ou “tive um sonho mau”. (sim, por cá ainda temos muuuitos despertares nocturnos! E nocturnos não significa que ocorram de madrugada, por norma começam cerca das 22h/23h!)

É, muitas vezes, ter de trabalhar quando a unica coisa que apetece é ir dormir.

É trabalhar ao mesmo tempo que se vão contando as horas de sono que restam até o dia recomeçar, de forma a poder assegurar o minimo de horas de sono compativel com a manutenção da sanidade mental (embora algumas vezes se ultrapasse esse limite perigoso!)

É fazer muitas vezes “trabalho invisivel” mas que é essencial para fazer as coisas avançarem.

É ficar muitas vezes frustrada por não se avançar ao ritmo desejado.

Mas principalmente, e acima de tudo é não desistir!

É saber o que se quer e não baixar os braços!

É remar contra a corrente e mesmo assim ver o barco avançar!

É saber fazer pausas nos dias mais negros, e recomeçar em força no dia seguinte.

É saber que o apoio da familia é fundamental. Que é este pilar que nos segura quando parece que estamos prestes a cair.

E por fim, é saber verdadeiramente que

“Para ter sucesso é necessario amar de verdade o que se faz, caso contrário, levando apenas em conta o lado racional, simplesmente desiste-se. É o que acontece com a maioria das pessoas.”

Steve Jobs”

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe empreendedora!

Perda gestacional… vale a pena falar sobre isso!

Em primeiro lugar deixem-me dizer que o nosso bebé está optimo! Este assunto não se refere a este bebé, mas aos dois bebés antes do Francisco, que perdi do meu colo sem nada poder fazer.

Felizmente nunca tive problemas de infertilidade, mas sofri duas perdas gestacionais. E as perdas gestacionais são um bocadinho como a infertilidade: assunto tabu, pouco se fala sobre isso. E o facto de haver a ideia de que “não se deve dizer a ninguém até aos 3 meses de gravidez porque algo pode correr mal” reforça esse tabu. Se a mulher não conta a ninguém que está gravida, quem lhe vai dar colo se algo corre mal? Deve mesmo enfrentar essa dura prova sozinha? Será que uma perda gestacional deve ser motivo de “vergonha” e por isso deve manter-se no segredo dos Deuses?

Para mim a gravidez é algo tão maravilhoso que nunca consegui resistir a contar logo às pessoas mais próximas. Só que eu nunca pensei que pudesse correr mal.

Quando sofri as minhas perdas já era mãe de dois, o que levou algumas pessoas a minimizarem a minha dor. “Ah e tal, pensa que já tens um menino e uma menina. Era pior se ainda não tivesses nenhum”.

Hein? Como assim? Eu por já ter dois filhos, tenho menos direito a sofrer com uma perda gestacional do que uma mãe de primeira viagem? Como se o sofrimento pelas perdas gestacionais se traduzisse em pontos, cada mulher tem X pontos no inicio da sua vida fertil, e à medida que temos filhos, vamos perdendo pontos, logo vamos perdendo direito a sofrer em caso de perda gestacional. Isto não faz sentido! Até concordo que o “pós-perda” possa ser menos dificil para quem já tem filhos, porque na cabeça de uma mãe de primeira viagem pode sempre ficar a pairar a duvida terrivel sobre se alguma vez conseguirá levar uma gravidez a termo. Mas na altura da perda, o sofrimento é o mesmo. Perde-se um bebé. Aquele bebé. Nenhum filho substitui outro. Nenhum bebé toma o lugar de outro. Quando se perde, sofre-se. E sente-se culpa, e revolta, e raiva. Tudo ao mesmo tempo. É necessário tempo e espaço para fazer o luto daquele bebé que nunca o vai chegar a ser, mas que na cabeça e no coração da mãe já o era desde o primeiro instante. E comentarios como “não fiques assim que já tens dois” além de não deixarem espaço para o luto, ainda aumentam o sentimento de culpa: a mulher já se sente de certa forma culpada por ter perdido o bebe, e passa também a sentir-se culpada por estar a sofrer com essa perda…

Por essa razão, quando fiquei gravida na vez seguinte contei apenas às pessoas que eu sabia que me poderiam dar colo se voltasse a ter a infelicidade de perder o meu bebé. E voltei a perder. E desta vez tive comigo apenas essas pessoas, que me deram muito colo e mimo e me ajudaram a ultrapassar mais essa perda, a fazer o meu luto e a seguir em frente.

Uma perda gestacional dói. Mesmo que aconteça apenas uma semana depois do teste positivo. Mesmo que já não seja o primeiro filho. Porque mesmo pequenino, aquele bebé já existia no coração da mãe.

Um “imagino como possa estar a ser dificil para ti” por estas ou por outras palavras, pode fazer milagres num coração dorido. E eu felizmente tive quem me desse esse colo.

Uma perda fica para a vida, e todas as gravidezes que acontecem após uma perda, começam envoltas num manto de angustia e medo de voltar a ver o quadro repetir-se.

Depois das perdas, e depois de já ter perdido a esperança de voltar a ser mãe, sem que nada o fizesse prever, veio o Francisco. O meu Francisco. Um menino maravilhoso que fez tudo valer a pena. Um menino que me escolheu e por quem eu esperei sem saber.

E agora, volto acolher na minha barriga e no meu coração o dom da vida!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe

Um, dois, três (quatro!)… la vamos nós outra vez!

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Pois é, as chuchinhas vão aumentar! (E com isto são cada vez mais chuchas e menos halteres 😅)

Mas antes que perguntem, não, não foi um acidente! Foi antes uma decisão muito ponderada… quer dizer, suficientemente ponderada, porque no que diz respeito a ter (mais) filhos sempre que se pondera muito acaba por se adiar a decisão, porque devido a uma ou outra razão, nunca é a altura certa…

Assim, ponderámos o suficiente, pondo de um lado da balança a nossa imensa vontade de ter uma familia grande, e do outro as restrições mundanas capazes de pôr travão a qualquer sonho.

Primeiro, ponderámos os aspectos mais práticos, como a questão financeira (muito importante!), quem ficara com eles quando eu de facto voltar a ter uma vida profissional mais activa, etc…

Depois, percebemos que durante alguns anos continuarei a trabalhar a “meio-gás” ou, idealmente, a “três-quartos de gás”.
Percebemos que se durante mais uns anos não podermos ir ao restaurante sempre que nos apetecer, encomendamos umas pizzas e comemos em casa. Que se não pudermos fazer duas semanas de férias transatlânticas, faremos uns dias de férias na Europa (diz que há sitios maravilhosos aqui ao lado!).

Depois ponderámos a continuação das noites mal dormidas, o prolongamento por mais uns anos da casa em “estado de sítio”, a gestão contínua das frustrações (também conhecidas como birras), as guerras de irmãos que são proporcionais ao numero de filhos, e ainda as nossas saídas românticas (ou neste caso a raridade das mesmas)…

Depois percebemos que eles não serão pequenos para sempre. Que rápidamente seremos nós a ter de os acordar para almoçar… Que mais depressa do que imaginamos deixaremos de ter brinquedos espalhados pela casa… Que num abrir e fechar de olhos voltaremos a ter os nossos jantares tranquilos, sem ter quem nos interrompa a cada vez que tentamos formular uma frase. Que quando dermos conta, as birras serão substituidas por um “hoje volto tarde, não te preocupes”.
Que a infância deles passa rápido demais, e que enquanto tivermos condições queremos aproveitar ao máximo esta fase maravilhosa da nossa vida: a de ter crianças pequenas!

Percebemos que o amor que temos um pelo outro e pelos nossos filhos, é superior ao medo que temos de perder de vez a nossa sanidade mental!

E assim decidimos embarcar em mais uma aventura. Uma aventura em que aquilo que recebemos é tão “mais” do que aquilo que perdemos!

Como diz o pai, esta aventura é um misto de felicidade e pânico, mas é sobretudo mais um passo para a vida que queremos viver, ao invés de ficarmos presos à vida que os padrões sociais e o medo de arriscar nos tentam impor!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe apaixonada!

Porque é urgente devolver o poder de escolha/decisão aos pais!

“Todos os pais são largamente regados de conselhos bem intencionados, e  de”perguntas” cheias de entre-linhas sobre a educação que dão aos seus filhos.Tudo se diz, e o seu contrario. Os pais recebem uma abundância de conselhos. Mas, soma feita, pouquíssima informação. (…) Os pais tem muita dificuldade em fazer a triagem das diversas concepções. Rapidamente se sentem desorientados, e até mesmo desamparados.  ”

Isabelle Filliozat in “Au cœur des  émotions de l’enfant” (tradução do excerto da minha exclusiva responsabilidade)

Este paragrafo de Isabelle Filliozat resume muitíssimo bem o que se passa na nossa sociedade hoje em dia.

Assim que a mulher engravida, os conselhos chovem de todos os lados, e uma vez que tem o bebé nos braços, esta realidade intensifica-se.

Pessoal de saúde, família, amigos, conhecidos, a senhora da pastelaria e até mesmo desconhecidos! Toda a sociedade se julga no direito de impor, julgar e questionar as escolhas e as decisões dos pais. Mas como o diz Isabelle Filliozat, poucas pessoas se preocupam em informar verdadeiramente os pais. “Deve fazer assim”, “tem de fazer assado”, “no seu lugar eu faria cozido”. Aos pais, resta muito pouca margem para fazer escolhas. Acabam, na maioria das vezes, por tomar decisões mais ou menos impostas.

Como consequência temos, cada vez mais, pais com pouca confiança em si mesmos e a tomar decisões sem estarem verdadeiramente seguros das suas escolhas.

Cada mãe/pai deve poder ser capaz de tomar as melhores decisões para o seu filho, a sua família, a sua realidade.

Escrevi este texto para o meu site  “Tour d’Amour” (o meu GRANDE projecto, a minha grande aposta, o meu sonho quase a tornar-se realidade!)

Poderia dizer muito mais acerca deste assunto. Que se tornou numa imensa bola de neve, onde o pessoal de saúde cada vez é mais invasivo e autoritário, cada vez impõe mais e informa menos, com medo que algo aconteça ao bebé. Isto porque cada vez mais pais processam o pessoal de saúde quando algo não corre bem, empurrando para eles toda a responsabilidade no assunto.

Mas, vamos pensar um pouco, porquê que isto acontece?

Porque os pais cada vez mais são despojados das suas responsabilidades. “Eu fiz isto porque tal pessoa me disse para fazer!”

E eu assisti a essas imposições enquanto trabalhei na maternidade! “O bebe TEM de dormir de costas” “é PROIBIDO o bebé dormir na cama dos pais”. Estas eram, entre outras, as mais comuns. E isto é tirar todo o poder de decisão e de responsabilidade aos pais!

Não seria mais correcto dizer algo do estilo “A OMS recomenda deitar os bebés de barriga para cima, porque de acordo com estudos feitos, provou-se que é a posição mais preventiva da morte súbita do lactente por causa disto e disto e disto”? E os pais, sabendo todos os riscos e todos os porquês, tomam as suas decisões.

E claro que ha excepções! Claro que ha profissionais a agir desta forma! E claro que ha famílias cuja capacidade de analise e reflexão esta  muito comprometida, e nesses casos deve falar-se de forma mais assertiva.

Mas aquilo que deveria ser a excepção e não a regra, esta de pernas para o ar.

No meu texto original continuo, e explico a minha forma de trabalhar:

“Nos queremos que o nosso acompanhamento possa ajudar os pais a renovar a confiança nas suas competências parentais.

Para isso, comprometemo-nos a:

  • Informar (informações actuais e fiáveis)
  • Escutar (escuta sem julgamento)
  • Estar disponíveis (disponibilidade para responder às suas questões)
  • Acompanhar (acompanhamento nas suas escolhas)
  • Trabalhar a auto-confiança (o facto de se sentir informado e acompanhado permite aumentar a sua auto-confiança)

Cada bebé, cada mãe/pai, cada família são únicos e especiais, por isso são sempre o centro de cada uma das nossas intervenções.

As vezes perguntam-me: “E se os pais decidirem, por exemplo, que a criança só pode comer de manha e a noite? Vai acompanha-los na sua escolha? ”  Ora, isso para nos não é um direito de escolha, pois o nosso acompanhamento compromete-se a garantir que todas as necessidades da criança são asseguradas.

Mas quando falamos de necessidades asseguradas, não ha uma forma única de o fazer correctamente. E isso é o mais importante: que cada mãe/pai possa sentir que toma as suas próprias decisões, aquelas que são as mais adequadas para a sua família e para a sua realidade naquele momento da sua vida, e não as que os outros acham as mais indicadas.”

Quem me conhece sabe que sou a 200% a favor da amamentação! Mas terei o direito de o impor? Terei o direito de julgar uma mulher que opta por não amamentar? Serei mesmo eu, a pessoa indicada para saber o que é melhor para aquela mãe, para aquela família? Sera melhor uma mãe que amamenta por imposição (conheci algumas!) em que por causa disso a mãe não se sente bem, a amamentação não corre bem, o bebé não ganha peso, e a relação mãe/bebé sofre com este stresse? Ou sera preferível uma mãe segura de si, que não amamenta, mas que tem uma óptima relação com o bebé?

O meu papel é o de informar! Informar que o leite materno é o melhor para os bebés por causa disto e disto e disto. Mas não posso dizer “o leite materno é o melhor para O SEU bebé”. Se falarmos em termos nutricionais sim, mas e tudo o resto? Eu não posso saber o que é melhor para aquele bebé/mãe/família!

E quem fala da amamentação fala de imensas outras coisas!

Alguém gosta de ouvir um “não porque não!” ou um “sim porque sim!”? Mas era isto que eu via todos os dias ser transmitido aos pais.

Acompanhar sem impor. Porque é urgente devolver o poder de escolha/decisão aos pais. Porque é urgente parar de impor. Porque é urgente começar a informar correctamente!

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira!

Ser Mãe a tempo inteiro? Fui enganada!

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Desde o nascimento do Francisco, fiquei com vontade de ser mãe a tempo inteiro. Achava mesmo que nesta altura da minha vida era isso que me iria encher as medidas: ocupar-me a 100% dos meus filhos. Passar mais tempo de qualidade com eles, menos stress, mais paciência. Sonhava com isto todos os dias… “ai se eu pudesse!”

De repente, numa dessas voltas que a vida dá, vi o meu sonho tornar-se realidade! Ainda fiz uns turnos aqui e ali até que acabei mesmo por ficar em casa. Queria tanto isto!

No entanto o sonho rapidamente perdeu o encanto… o tempo que eu achava que ia ter a mais para as crianças, passava-se no geral a arrumar, a limpar, a tratar da roupa.

O marido também faz, mas alguma vez eu consigo estar o dia todo em casa e deixar as coisas para fazer a noite quando ele chega??

Sinto que fui enganada. No meu sonho eu passava o dia a fazer activades girissimas com os miudos, a contar historias e a ir ao parque.
E agora, afinal, parece que tinha mais tempo de qualidade com eles quando trabalhava!

Não ajuda o facto de estar a trabalhar num projeto novo desde que fiquei em casa. Entre todo o trabalho que implica montar um negocio, fazer as formações necessárias – e estudar! – de facto muito do meu tempo também é aí investido!

Portanto, entre a casa e o trabalho-a-partir-de-casa, o tempo passa, eu ando stressada e frustrada porque não foi isto que eu imaginei, tenho menos paciência e há dias que se torna mesmo muito dificil de gerir tudo isto!

Percebi que, se há áreas em que sou fantástica, como dona de casa sou das piores que conheço!

Gabo as verdadeiras mães a tempo inteiro, que o fazem durante anos, muita vezes desvalorizadas, e que continuam a levantar-se de manhã, arranjar-se e sair à rua lindas e maravilhosas, com a casa (quase) sempre impecavel. Faço-lhes uma vénia!
Já eu, nos dias em que não há escola, sou capaz de passar o dia inteiro despenteada e em fato-de-treino (ou pior, em pijamaaaa!!) !

Com o meu projecto a ganhar forma, sinto que de facto o meu lado “profissional” é imprescindivel para que eu me sinta completa e feliz. Vou continuar a acompanhar os meus filhos, pois o trabalho não vai ocupar todo o meu dia. Vou continuar a ir buscá-los à escola para almoçar, a fazer os trabalhos com eles e a estar presente. Isso para mim é algo de que não poderia abdicar neste momento!

Percebi que, para mim, para a minha maneira de ser e de viver a vida, o importante é mesmo isso: um meio termo onde as minhas prioridades possam viver em harmonia!

E quem já esta a sentir pena dos meus filhos, calma! Eles também vão ficar a ganhar! Vão continuar a estar maioritáriamente com a mãe, mas uma mãe mais equilibrada, disponivel e feliz!

Felizmente tive oportunidade de ter esta experiência, caso contrario sei que passaria toda a minha vida a desejar ter sido mãe a tempo inteiro!

Esta experiência serve como crescimento e amadurecimento. Serve para me ajudar a viver plenamente todas as minhas vertentes, agora que sei que todas elas fazem realmente parte de mim!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Há textos e textos…

Há textos que embora queiram transmitir as mesmas ideias, a forma como o fazem muda tudo!

Há uns dias li um texto que não gostei mesmo nada. Falava em obrigar os filhos a pedir desculpa, a dizer obrigado e por favor, a “desemerdarem-se” com os botões da camisa. Mas fazia-o num tom depreciativo e amargo. (Texto aqui)

Ora, eu acredito piamente que o exemplo começa em nós.

Nunca precisei obrigar os meus filhos a dizer por favor nem obrigado, simplesmente porque eu quando lhes peço alguma coisa digo “por favor” e obrigado”. Sempre, desde os 3 anos do mais novo, as pessoas me felicitavam pela sua boa educação. Iamos ao supermercado e dizia “bom dia” e “obrigado” às senhoras da caixa, que ficavam derretidas com ele. A historia repetiu-se com a Eva, embora seja mais tímida. Já o Francisco que tem 18m, há cerca de uma semana disse-me “obiado” quando lhe limpei o nariz.

A mim não faz sentido obrigar os meus filhos a pedir desculpa se eu nunca o fizer, não faz sentido obrigar a dizer obrigado se eu nunca lhes agradecer.

Hoje li um texto que me faz muito mais sentido! Este sim, vai ao encontro daquilo que sinto e penso!

Podem ler aqui!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

O que estamos a fazer às nossas crianças?

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Os tempos mudam, evoluem, mas continuamos a exigir às nossas crianças que caibam todas dentro do mesmo molde quadrado do sistema de ensino, castrando-lhes a criatividade e a individualidade e fazendo-as acreditar não só que isso é normal, como também é o melhor para elas. E a maioria das crianças (e dos pais!) la vão acreditanto – e obedecendo – e com arestas mais redondas ou mais bicudas la vão fazendo o possível para encaixarem no quadrado pretendido.

Mas quando elas teimam em contrariar este sistema, quando teimam em ter mais de quatro arestas, quando teimam em não entrar no molde, são tratadas de “hiperactivas”, de “mal-comportadas”, de “crianças dificeis”. São rotuladas, têm uma caderneta de recados mais preenchida que a agenda do Pápa, e desde pequenos vêm as suas dificuldades vais valorizadas que as suas qualidades. Passam a vida a trocar de escola e de professores, a ouvirem dizer o quanto são “dificeis”, em psicólogos e pedopsiquiatras, entre diagnósticos, e mediacação, mas sem nunca se procurar a verdadeira solução.

Uma criança é um ser curioso e explorador por natureza! Como não ter déficit de atenção quando nos fecham durante horas numa sala de aula, todos alinhados em filinha pirilau, com professores que muitas vezes tem menos vontade de estar ali que os próprios alunos e a paciência do tamanho de uma ervilha?

Como não ser “dificil” quando muitas vezes os professores estão tão sufocados com os programas a cumprir que nem têm tempo para OLHAR para aquela criança e perceber que afinal só precisa que acreditem nela?

Como não ser hiperactivo se em vez de explorar materiais e situações, os nossos pequenos exploradores são obrigados a explorar livros enfadonhos e matéria que parece nunca ter fim?

Como não ser “mal-comportado” se muitas vezes as crianças nem têm tempo – nem espaço! – para fazer aquilo que sabem fazer melhor: ser crianças!

Porquê que há cada vez mais crianças “problemáticas” na nossa sociedade? Porque as crianças de hoje não são iguais às crianças de há 50 anos! Nem nós, os pais somos iguais ao que foram os nossos pais ou os nossos avós! As crianças de hoje são mais desafiadoras, pedem mais, precisam de mais, mas nós continuamos a insistir em dar-lhes exactamente o mesmo: um ensino rigido sem margem para diferenças!

Poderiamos ter sistemas de ensino inspirados em Montesori por exemplo, dando espaço à criatividade, à exploração, à individualidade e as vantagens de cada aluno! Os nossos filhos não serão todos médicos ou engenheiros! Teremos também artistas, bailarinos, escritores, poetas, campeões olimpicos! Então porque insistir em querer enfiar à força todas as crianças nesses moldes rigidos, quais irmãs a querer calçar o sapatinho da Cinderela!

Sim! Existem crianças com hiperactividade! Sim! Existem crianças com déficit de atenção! Sim! Existem crianças com dificuldades de comportamento! Mas estou convencida de que, ao contrario do que se pensa, talvez estas condições sejam a consequência e não a causa!

E se, ao invés de directa ou indirectamente culparmos os pais pelas dificuldades dos seus filhos, apontarmos o dedo aos verdadeiros culpados: a sociedade, que não vê o obvio, e o sistema de ensino que vê em comportamentos roboticos e rotineiros o aluno perfeito!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!