Ser emigrante de férias no meu país…

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É ouvir que emigrante que se preze é bimbo de camisa aberta e crucifixo ao peito que ainda diz “Oh Joana ca**lho arrête de bater no teu frère!” e é rir com a situação apesar de saber que os emigrantes de hoje substituíram o crucifixo por um “canudo” e de “bimbos” têm muito pouco…

É ser turista na cidade que me viu nascer, é conhecer perfeitamente os “cantos à casa” e ainda assim olhar para cada recanto com os mesmos olhos enamorados de quem visita uma cidade pela primeira vez…

É lambuzar-me de caracóis, mariscos e enchidos, e outros pratos que vamos tentando reproduzir ao longo do ano, mas que nos sabem pela vida quando se come à beira mar ou na esplanada com amigos…

É achar que este calor é maravilhoso quando quase todos se queixam que está demasiado quente…

É querer aproveitar cada dia ao máximo, é deitar tarde e levantar cedo, e por isso voltar das férias mais cansados do que se veio, e a precisar de férias para descansar das férias 😛

É querer estar com todos aqueles que nos fazem falta, com todos aqueles com quem vamos falando e mantendo laços no Facebook e fora dele, e saber à partida que não conseguiremos estar com todos…

É ter um aperto no coração quando estamos com os nossos avós, pensando inevitavelmente que cada vez poderá ser a última vez, embora tenhamos consciência que isso pode ser válido para todas as outras pessoas…

É querer que estas duas semanas durem um mês, é não querer pensar no regresso, e é muitas vezes perguntar porque fomos embora…

É partir sempre com o coração pequenino, mas com a certeza de que voltamos em breve…

É amar de paixão esta cidade mas saber que somos cidadãos do mundo!

Assim vai a vida… aos olhos de uma emigrante!

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50 thoughts on “Ser emigrante de férias no meu país…

    • Daniel Gomes diz:

      Faço minhas suas palavras…
      Se bem que há emigrantes que podiam se fazer notar um pouco menos,(muitos com atitudes de “isto é tudo nosso”)…
      Mas a verdade é que muitos deles já têem imensa dificuldade a falar o português…
      Conheci no ano passado um senhor com 58 anos de idade, dos quais 55 passados em França…Imagine a dificuldade dele para falar português e nem por isso deixa de visitar a terra natal…
      Não tenho Canudo, mas sinto-me com sorte…
      Hoje em dia falo 4linguas, Português, francês, inglês e italiano…por ordem de escrita, da que falo melhor, aquela que dou uns “toques”…heheheheee
      Um abraço a todos emigrantes e óptimas férias…
      Ps;continue a escrever assim,provocou arrepios e água na boca…kkkkk

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      • Catia Godinho diz:

        Ser emigrante não é só sair do País, é um estado se espirito que nos permite absorver as riquezas que esta experiência nos proporciona, a nivel linguistico, cultural e não só:)

        A verdade é que há imensa gente que “goza” com o facto de os emigrantes “misturarem” as linguas mas a verdade é que de facto ao final de uns anos não é facil fazer a separação integral das duas linguas 😂

        Muito obrigado pelo que escreveu, e boas férias se ainda estiverem para vir 😉

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      • Essa é a imagem que tem , a maioria dos Portuguêses , do imigrante ; errada està claro ,, esquecem-se duma coisa ;é, que esses que vocês chamam imigrantes ,,, (erradamente) não são imigrantes ,, mas sim filhos ou netos dos mesmos ; agora pergunto eu ? Não haverà aqui neste comentàrio , uma pontinha de inveja ??? Acho que a essa geração, jà ninguem precisa de lhes dar consehos !!!

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  1. ana diz:

    Càtia bem… parabéns parabéns pelas tuas lindas palavras que são de todo a nossa pura verdade… Ja li tantos textos desta vida de emigrante, muitos que ficava um pouco ofendida com certas afirmações, mas nunca tinha lido um que me identificasse tanto!!! Amei, partilhei, elogiei te… palmas pelas tuas palavras sàbias. Sou fã estou desejosa de conhecer este teu cantinho!!!:) obrigada obrigada

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  2. franchart ana diz:

    Eu nunca me senti emigrante e adaptei me tao bem que quando chego a Portugal so como essas coisas todas quando sou convidada .Prefiro comer saladinhas é mais degestivo

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    • Catia Godinho diz:

      Eu volto sempre com kilinhos a mais na bagagem… também não me considero emigrante no sentido que muitos lhe dão, mas antes uma cidadã do mundo! Adoro o País que me acolheu mas fico sempre melancólica quando regresso a Lisboa 😌

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  3. Gio diz:

    Continuo a interrogar-me: Qual a razão que está na base da exibição do característico linguajar de “avecs”, quando no mais das vezes envergam orgulhosamente camisolas da selecção e bandeiras portuguesas em tudo o que é acessório de praia…!

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    • Catia Godinho diz:

      Ahahah é verdade Sergio! Mas a verdade é que para quem esta fora ha 20 anos deve ser complicado não misturar as duas linguas… eu estou fora há 6 e confesso que as vezes tenho de fazer um esforço para não me sair uma ou outra expressão em Francês 😂😂😂

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      • Sondag diz:

        Catia, já fui emigrante ,sei bem o q é e compreendo perfeitamente as pessoas q estão ausentes anos a fio sem contacto com a terra e a língua, só não entendo, e repito, só não entendo, aqueles q em menos de meia dúzia de meses já se esqueceram da língua mãe , já se esqueceram até de qual o caminho que vai dar á casa onde moraram , para quê ensinar e falar com os filhos português ?, enfim…e pior de tudo , nem direito falam a língua do país que os acolheu . Triste não é? Pois é, eu conheço alguns!

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      • Catia Godinho diz:

        Nós decidimos que em casa só falamos português,e mesmo na rua com os nossos filhos falamos Português! Os nossos filhos falam perfeitamente Português, embora a Eva tenha já bastante sotaque – que eu acredito que va melhorar com a idade!
        Nós estamos perfeitamente integrados, actualmente não está nos nossos planos voltar a viver em Portugal? mas o nosso coração é e sempre será Português! ❤

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  4. Graça diz:

    Lindas as suas palavras, parabéns , é assim mesmo como sente quem é emigrante . Eu já voltei a Portugal / Madeira à 9 anos , vivi 26 na Venezuela …mas hoje em dia ainda me perguntam de onde sou originária , porque se me nota algum sotaque (eu não o noto , e falo em Português ) , hoje mesmo numa consulta médica a doutora perguntou. 😃 🇵🇹

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    • Catia Godinho diz:

      E aposto que da mesma maneira que se orgulhava de ser Portuguesa quando estava fora, hoje orgulha-se desse sotaque que marcou 26 anos da sua vida ❤

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  5. Carlos Lopes diz:

    Lamento imenso, mas não concordo consigo.Eu nasci, cresci, estudei,casei ,e tive filhos num país onde se falava françêsmas nunca viemos de férias a Portugal a falar françês com minha mulher nem filhos, nem pais.E acredite que vivi no Congo ex-Bega, hoje Rép Dem do Congo 50 anos.Mas sabe porquê? porque meus pais quando eramos crianças em casa, se estivesse-mos em família sem amigos belgas, tinha-mos de falar em português, pois se falasse-mos em françês, eles não nos respodiam.Não leve a mal, mas foi assim que eu fui educado e fiz o mesmo com o meu filho, e acredite que não me arrependo nada, pois quando em 1993, tive que fugir, ele não teve dificuldades, em se adaptar no colégio. Os meus cumprimentos e muita sorte para si e família.

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    • Catia Godinho diz:

      Em que ponto não concorda Carlos?
      Nós em casa só falamos português, alias com os meus filhos falo sempre portugues, seja em casa ou na rua ou no supermercado!! Graças a isso sempre que estamos em Portugal de ferias eles falam perfeitamente Português embora a mais pequena tenha ainda os “R” bem acentuados, coisa que vou tentando corrigir sem a pressionar muito 😉

      Cumprimentos e tudo de bom também para si e para a sua familia!! 🙂

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      • Isabel diz:

        Olá Cátia.
        Vivo na Suíça há 15 anos. Os meus filhos nasceram aqui, em casa apenas falamos português e têm até aulas de português na escola. Mas mesmo assim muitas vezes eles estão a falar e lá sai alguma coisa de alemão. Acho perfeitamente natural passam o dia inteiro na escola a falar alemão depois há noite falam o português mas vem com o alemão na língua.
        Eu não os corrigo e percebo.
        Parabéns pelo texto está lindo.
        Beijinho

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  6. Raquel diz:

    Muito bem dito Cátia, também me identifico com essas situações. E quanto à língua também -um dos problemas se me ter adaptado bem a falar flamengo é que às vezes já me custa lembrar-me de algumas palavras (estou na Bélgica há 11 anos) e os meus filhos respondem-me mais em flamengo que em português. Mas eles lá vão falando e vamos trabalhando para que eles aprendam sempre o português.
    Muito obrigada.

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    • Catia Godinho diz:

      Acho isso super importante Raquel!! São as raizes deles e eu costumo dizer que não sabendo o dia de amanha, um deles pode querer vir estudar (ou morar) para Portugal 🙂

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  7. paula diz:

    Sem duvida que o emigrante francês é o mais exibicionista, aqueles expressões características não são “impressão” nossa, São mesmo verdade. O carro que alugam para vir de ferias, as figuras nos restaurantes, nos bancos, não favorecem nada… E a arrogância de outros tantos,

    do quero, posso e mando (tenho dinheiro) também são verdade. Quem trabalha aqui e quem os tem de aturar sabe bem como é… Mas enfim….é o verão no ALGARVE…

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  8. Elisabete Brandao diz:

    Muito obrigada por este texto sentido e com muito sentido. Talvez a melhor descrição de sempre sobre o “ser emigrante”. Adorei… e partilhei! Boas férias e bom regresso “a casa”… whenever that will be

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  9. Marta diz:

    Em relação ao texto: Lindo !!!!!!! TOP !!!!!!!

    Em relação a alguns comentários: Eu também não percebia porque os emigrantes misturavam duas línguas numa mesma frase. Hoje engulo tudo o que disse 🙂

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  10. Olá, Cátia.
    Chamo-me João Bacalhau e trabalho da RDP Internacional (a rádio da RTP dedicada às comunidades portuguesas no estrangeiro, aos luso-descendentes e à lusofonia em geral). Encontrei este seu texto e gostei muito. Dá-me autorização para o utilizar em antena? Claro que lhe darei o crédito devido como autora.

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  11. Vítor diz:

    Muito Bom. Gostei dos aves. Não gosto de os ouvir na rua. Estou fora de Portugal há 10 anos. Tenho 3 filhas que já nasceram no país que me acolheu. Mas falam português claro que não é perfeito mas é suficiente para as entenderem. Como? Simples em casa só se fala português. O inglês fica a porta. Os aveq que ouvimos nas terriolas ou na praia são por norma os mesmos que em França só falam português para os franceses não os entenderem. Infelizmente ainda há alguns portugueses que quando cá vem de férias se esquecem que são portugueses. E só uís e avecs. Mas pronto para mim é mesmo os caracóis e petiscos família e calor que quero do nosso Portugal nas Semanas que cá estou.

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  12. Tuga Fuga diz:

    As vacanças såo desnecessárias bem como a horrível condução e falta de civismo na estrada. Posto isto respeito-os pela vida difícil que têm de suportar.

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    • Catia Godinho diz:

      É tudo muito relativo… as vacanças são sem duvida desnecessárias, a condução depende, ha portugueses de portugal cuja condução valha-nos Deus…
      A vida dificil depende… é claro que há muitaaaaaa saudade, e essa é a parte mais dificil, depois há a parte de estarmos sozinhos sem uma avó a ajudar que possa ficar de vez em quando com os netos para os pais irem namorar… há babysitters mas não é a mesma coisa. Tirando isso não posso dizer que no nosso caso a vida seja muito dificil ou de muitos sacrificios… também não gosto quando os emigrantes só se queixam que a vida é só dificuldades, luta e sacrificios. Se fosse para isso eu tinha ficado no meu Portugal.
      Mas é claro que estar num pais diferente com uma cultura diferente e sem familia é dificil! Valem-nos os bons amigos 😉

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  13. Isabel Rocha diz:

    Obrigada, é isso mesmo, e teria tanto para dizer a todas essas pessoas que sabendo tudo nada sabem, e criticam sem conhecer as situaçoes. Cada vida é uma historia, e cada um escreve a sua como pode como sabe… Hà sempre uma razao para…
    E se simplesmente aceitassemos sem fazer perguntas.
    30 anos de Belgica, marido Belga, confesso que apesar dos esforços muitas vezes é complicado lembrar-me de certas palavras, mas gostava tanto de ser perfeita… Mas pronto, nao sou e assumo.
    Beijinhos e continue a dar voz aos nossos sentimentos, fà-lo tao bem.

    Isabel

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  14. Bruno Ribeiro diz:

    Pura verdade mas nem todos teem o mesmo pensamento, sou emigrante português com muito orgulho, e é com muito orgulho que sou português, com muita pena minha que que não quero ir para Portugal por motivos que me levaram a sair do meu país passo a explicar!
    1 ordenados super baixos que os jovens neste caso se quiserem investir no nosso país, não o podem fazer…
    Por isso fui obrigado a imigrar para para ter uma vida mais estável e melhor é um dia poder comprar casa no meu próprio país, se hoje lá estivesse não o poderia ter feito…

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      • Cristina diz:

        Desde que Deixei Portugal as saudades ano apôs anos são maiores,disseram-me á 22anos,no primeiro ano de estar fora de Portugal,. Oh as saudades são só nós primeiros 3 anos, depois já não vais sentir tanto como agora…….. Mas ao fim de 22 anos as saudades são ainda mais intensas. O que está mais que visto..Nós deixá–mos Portugal, mas ele não nòs deixou,está sempre presente enquanto tiver-mos vivos ele está sempre presente em nossas vidas porque ele está no nosso…………..CORAÇÃO.

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  15. Texto fantástico! Escreve lindamente e corretamente português! PARABÉNS! Nunca emigrei, mas às vezes sinto falta disso! Tenho uma filha a viver fora do País, que vem várias vezes a Lx durante o ano ! Quase nem lhe chamamos emigrante ! Na minha juventude não tive necessidade de procurar trabalho fora daqui, mas podia ter feito uma experiência de poucos anos, pelo menos para enriquecimento cultural! Também acho que deve continuar a escrever!

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  16. João Almeida diz:

    Parabéns Cátia…
    Li o seu artigo embevecido, sou um emigrante recente, apenas com quatro anos de França, tenho 55 anos e revi nas suas palavras as minhas recentes mini férias que passei em Setúbal à cerca de duas semanas atrás…..
    Aos comentários negativos não ligue, ou não fossemos portugueses sempre prontos a falar mal de tudo…
    Um bem haja.

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