Limites, limites, limites…

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Sexta-feira foi mais um dia dificil. Mau tempo, chuva e trovoada todo o dia.

Miudos de férias fechados em casa, mãe cansada. Um verdadeiro cocktail explosivo.

No final do dia penso para mim mesma: “estes miudos conseguem mesmo levar-me ao limite…”

Depois, voltei a focar-me neste pensamento, e percebi que, de facto não são os miudos quem me leva ao limite, sou eu.

Sou eu quem continua com muita dificuldade para reconhecer os seus próprios limites, sou eu quem teima em manter um ritmo que nesta altura do campeonato – com 36 semanas de gravidez – é simplesmente utópico.

Não reconheço os meus limites, não respeito as minhas necessidades – nomeadamente de repouso nesta altura – o que faz com que fique muito menos disponivel para os miudos. Menos disponivel, menos paciente, mais irritada.

Eles sentem-no e absorvem tudo isto, tornando-se numa espécie de bichos carpinteiros incontroláveis e com uma enorme tendência para fazer coisas pouco recomendáveis… reclamam a minha presença e a minha atenção quando tudo o que queria era ficar uma hora tranquila. Porque ao invés de aproveitar a sesta para esse efeito, fui limpar, passar a ferro ou trabalhar.
Desde esse dia, tenho feito um esforço para ouvir o meu corpo, não é nada fácil… mas vou tentando ❤

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

(O medo da) Homossexualidade, uma anomalia da sociedade…

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Esta semana li um texto maravilhoso. De um médico, neurologista pelo que percebi, e que é homossexual. (Podem ler o texto aqui https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10213261106937988&id=1106289999)

O seu texto, em resposta a declarações muito infelizes de quem vê a homossexualidade como uma anomalia, fala de amor e aceitação. Em nenhuma frase deixava transparecer qualquer tipo de sofrimento inerente ao facto de ser homossexual. E eu acho isso maravilhoso. Porque quer queiramos quer não, a homossexualidade é um tabu. E não é todos os dias que podemos ler testemunhos como este.

A mim, que vejo na homossexualidade uma característica individual tal como a heterossexualidade, já me perguntaram várias vezes “tens essa postura, mas e se acontecer contigo, e se um dos teus filhos for homossexual?”. Hein? E então? Vou deixar de o amar? Vou virar-lhe as costas? Vou ficar zangada? Vou parar de desejar com todas as minhas forças que seja feliz? Não, não e não.

Vou ficar triste, confesso. Triste porque vejo a forma como a nossa sociedade trata a diferença, e não é só nesta questão mas em tudo. Tudo o que é diferente é olhado de lado.

Vou ficar triste por pensar na probabilidade de um filho meu vir a ser vítima de discriminação ou preconceito. Zangada por saber que num ou outro momento da sua vida risco de isso acontecer é grande.

Mas não me preocupa que um dos meus filhos seja homossexual.

Preocupa-me antes – e muito! – que seja vitima de bullying, ou que seja agressor de alguém neste sentido!

Preocupa-me -e muito! – que não saiba escolher as companhias.

Preocupa-me – e muito! – que caia nas teias da droga, do alcoól, da prostituição ou do jogo.

Preocupa-me – e muito! – que maltrate ou seja maltratado gratuitamente.

Preocupa-me – e muito! – que venha a ter um acidente ou uma doença grave.

Preocupa-me – mais do que qualquer outra coisa na vida – a hipotese de perder um deles.

Mas a sua orientação sexual? Não me preocupa nem um pouco. Seja ela qual for, faz parte da sua essência, dos seres maravilhos que são e não mudará em nada a minha forma de os ver, de os amar, de os apoiar incondicionalmente em toda e qualquer circunstância, e principalmente de pedir a todos os Deuses de todos os Universos que os meus filhos sejam pessoas FELIZES!

Por isso, com tanto que recear, com tantas coisas que efectivamente me preocupam relativamente ao futuro dos meus filhos, só posso concluir que o receio da homossexualidade é uma anomalia sim, mas da nossa sociedade.

Porque no fundo, tudo se resume a uma so coisa: AMOR!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

A culpa das mães!

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Ao longo desta minha caminhada como mãe, e como profissional numa fantastica posição de proximidade com as mães, posso afirmar que existem essencialmente dois sentimentos comuns à grande maioria das mães, sejam quais forem as suas convicções: o primeiro é o amor incondicional pelos filhos, o segundo é o sentimento de CULPA. Isso mesmo C U L P A .

Todas as mães se sentem culpadas por isto ou por aquilo. É como se a culpa passasse a fazer parte do nosso ADN quando nos tornamos mães.

Culpada por engravidar… “E agora o que vão dizer no trabalho??”

Culpada por ir trabalhar mesmo sabendo que não tem escolha… “Como é que eu posso ser tão má e deixar o meu bebé de 3 ou 4 meses numa ama ou numa creche??”

Culpada por querer estar sempre com o bebé no colo ou por dormir com o bebé “Todos me dizem que vou criar um bebé mimado e mal habituado!!”

Culpada porque como todo e qualquer ser humano tem dias mais dificeis e está menos disponivel para o(s) filho(s), culpada por não conseguir ter a roupa em dia, a casa impecavelmente limpa e arrumada, culpada por não conseguir ter tempo para si nem para o casal! “Afinal, se as outras conseguem, porquê que eu não consigo?? Devo ser mesmo incompetente.”

Deixem-me que vos diga uma coisa: as outras também NÃO conseguem! Todas passamos por algumas ou todas estas dificuldades! Mas na realidade poucas de nós falam sobre isto…

Todas passamos por fases em que estamos exaustas, em que não temos paciência para os miudos ou em que temos zero apetite sexual!

São fases, como tal, são passageiras. Resta-nos encarar isso de uma forma mais ou menos natural e arranjar estratégias para minimizar os estragos.

Agora falemos de responsabilidade: quem são os responsaveis por isto? TODOS. A sociedade, os amigos, a familia, e até nós próprias!

A sociedade porque criou esta ideia fantastica e aberrante de que se as mulheres querem direitos iguais, tudo bem, mas nesse caso terão de juntar tudo o que conquistaram até aqui (posto de trabalho, responsabilidades laborais, chefias de empresas etc) com aquilo que já faziam: ser mães e donas de casa.

Pois deixem-me dizer que não era isto que se pretendia quando se pediram direitos iguais. Pediu-se principalmente o direito a ser respeitadas e valorizadas como seres humanos e como cidadãs. O direito ao reconhecimento das nossas competências para liderar e chefiar equipas e ter postos trabalho de altas responsabilidades. O direito a uma remuneração justa e adequada pelas nossas funções.

Não foi pedido que desrespeitassem as mulheres, que fizessem pressão para não engravidarem, e que quando isso acontecesse fossem alvo de ameaças e despedimentos.

Não foi pedido que desrespeitassem as mães, negando direitos como a licença de maternidade, as horas de amamentação ou qualquer outro direito sob risco de represálias reais ou potenciais.

Não foi pedido que desrespeitassem os bebés, atribuindo licenças de maternidade irrisórias e separando-os das mães numa altura em que eles ainda nem sequer se aperceberam que eles e as mães são pessoas diferentes.

Não. Foi pedido acima de tudo valorização e respeito, e neste momento, caras colegas de equipa, não temos uma coisa nem outra.

A unica coisa que conseguimos com tudo isto foi aumentar a pressão nas mulheres e com ela também o sentimento de culpa e incompetência.

Os amigos e a familia são igualmente culpados porque têm sempre uma crítica (de preferência destrutiva) a fazer à mãe. Se dá mama o bebé fica com fome, se dá biberão nem para dar mama serviu, se dá resposta às necessidades do bebé está a criar um mimado, se deixa o bebé chorar por 5 minutos para poder tomar banho é uma vilã.

Ainda não consegui perceber se isto é pura falta de respeito pelas escolhas dos pais, se é um querer impor as suas próprias escolhas e ideias, ou se é pura e simplesmente porque há uma ideia de que mãe que se preze tem de ser posta em causa.

Não poderiamos todas nós, mulheres trabalhar pelo bem comum? Não procuramos todas o mesmo? Porquê esta sede de criticar e mostrar que a outra está errada? Será uma tentativa de valorizar as próprias competências de quem critica? Será que só há uma forma correcta de educar uma criança? Não. Não se trata de certo ou errado. Trata-se uma vez mais de respeito! Respeito e empatia!

Por fim, nós próprias somos responsáveis. Por toda a pressão que permitimos que seja colocada nas nossas costas. Por querermos ser perfeitas quando sabemos que a perfeição simplesmente não existe. Porque somos as primeiras a consolar os maridos quando sabemos que tiveram um dia dificil, mas somos muito menos condescendentes connosco próprias. Porque insistimos em achar que a responsabilidade de manter a casa em ordem é maioritáriamente nossa, quando já temos tanto a gerir! Eu acuso-me! Sofro de todas estas maleitas, e as vezes tenho ideia de que até o meu marido me respeita mais a mim e aos meus limites do eu própria! Mas o respeito tem de vir de nós em primeiro lugar. Respeito pela nossa condição humana. Respeito pelos nossos próprios erros, pelas nossas próprias fraquezas. E acima de tudo, pelas nossas escolhas!

Por isso luto tanto para que, pelo menos, relativamente às questões da pediatria e das necessidades do bebé as mães sejam correctamente informadas. Só assim poderão estar seguras das suas escolhas – sejam elas quais forem, mas que sejam escolhas informadas e ponderadas – e assim manter a sua posição sem culpas independentemente de opiniões alheias.

Por isso, penso que está na hora de dizer basta a esta sociedade cada vez mais materialista, e cada vez menos humanizada, que grita em plenos pulmões que as crianças de hoje são os adultos de amanhã, mas que nada faz para garantir que esses futuros adultos tenham uma infância respeitada.

Está na hora da mulher ser consciente e mestre das suas decisões, e de deixar de aceitar ser posta em causa só porque sim.

E, principalmente, está na hora da mulher parar de ter pena de si própria, e de assumir os seus sentimentos e as suas próprias necessidades.

Está na hora da mulher começar a RESPEITAR-SE! E não se esqueçam… o futuro começa HOJE!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mulher!

Confesso-me: ando sem paciêcia para os miudos!

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Detesto admitir isto para mim mesma, mas é a mais pura das verdades: a minha paciência está reduzida ao minimo dos minimos.

Tudo me chateia, a mais pequena coisa me tira do sério, e quanto mais o dia avança pior é… a tal ponto que todo o ritual da noite que costumava durar 20 minutos, foi substituido por um beijinho de boa noite e um “amo-te muito” que duram cerca de… 2 minutos!

Uma mãe em final de gravidez, 3 filhos de férias, em que o mais velho é um pré-adolescente, ela quer tudo para ontem, e o mais novo na crise de personalidade dos 2 anos. A juntar a isto, a excitação e a necessidade de atenção extra tipicas de quem está prestes a receber mais um irmão…

Isto tudo junto é um belo cocktail de adrenalina e faz de mim uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento. E tenho explodido várias vezes por dia… e arrependo-me sempre!

Não gosto de ser assim, não me reconheço, mas ao mesmo tempo não me consigo controlar. Parece que de repente fui invadida por seres caprichosos que só queriam era poder estar de papo para o ar a maior parte do dia, e como isso não é possivel, vingam-se de mim injectando-me altas doses de mau humor e irritabilidade.

Mas, lembro-me de ter passado pelo mesmo na gravidez do Francisco. Lembro-me até de pensar “bolas, se eu ando assim com dois, como é que depois vou conseguir gerir 3???”

Mas passou, parece que com o nascimento do bebé renasceram também a minha calma e a minha “zenitude”!

Resta-me ter esperança que a história se repita… e tentar descansar mais nos (raros) momentos calmos ca em casa…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Preparando-me para a tua chegada…

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Preparo-me para a tua chegada, mas vou aproveitando… aproveitando estes pequenos momentos em que ainda és só meu…

Vou-me preparando, mas aproveito cada um destes momentos maravilhosos em que te sinto mexer, sensações que são sempre únicas por mais vezes que passe por elas…

Aproveito, porque apesar dos desconfortos tão típicos do ultimo trimestre, a gravidez é um momento mágico que não se explica, sente-se!

Os kilos a mais, a azia, os movimentos agora limitados pela barriga já tão proeminente… tudo isto são detalhes que me relembram que o fim desta etapa está próximo, e com ele virá o inicio de outra ainda mais extraordinária!

Vou-me preparando, mas ainda não consigo acreditar que dentro de um mês e meio – talvez menos – estarás nos meus braços…

Estes meses voaram… tu cresceste e a minha barriga cresceu contigo, permitindo-me exibir-te ao mundo com todo o orgulho que me corre nas veias…

Em breve, muito em breve, estarás nos meus braços, e terás para o resto da tua vida o meu amor incondicional, amor esse que conquistaste no dia em que soube que me tinhas escolhido.

Provavelmente, nos primeiros tempos, esta familia vai parecer-te uma loucura, e seguramente que a nós também… o tempo de voltarmos a encontrar as nossas marcas e o nosso lugar, como acontece sempre que um de vós chega a casa…

Mas garanto-te que é passageiro e que todas as familias passam por este periodo de adaptação, onde se reencontram e se reconhecem nos novos papeis de cada um…

E depois vais perceber que, afinal, a nossa familia é mesmo louca, mas é uma loucura saudável e estruturada… vais então perceber que toda esta loucura é amor, que todo este amor é respeito e que à nossa maneira, somos uma familia perfeita… a familia perfeita para ti e para cada um de nós❤

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Educar com limites e responsabilidades!

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Estou longe de ser uma “embaixadora” da parentalidade consciente, embora me identifique mesmo muito com este conceito, e esteja convicta de que o caminho passa por aí.

No entanto, apesar de tudo tenho-me apercebido que mesmo sem saber, já aplico muitos pontos da parentalidade consciente na minha relação com os meus filhos. E hoje resolvi vir aqui falar-vos de dois deles: responsabilidades e limites.

Quando em parentalidade se fala em responsabilidades e em limites, quase de imediato se atribui a primeira aos pais e os segundos aos filhos. Os pais têm responsabilidedes e os filhos têm de ter limites. Mas, e se virmos as coisas por outro prisma?

Se ao invés de ver os limites como algo a impor aos filhos, estes fossem encarados como algo intrinseco a cada um de nós, e essencialmente aos pais? E se aos filhos também forem atribuidas responsabilidades?

Passo a explicar. Cada pai e cada mãe tem os seus próprios limites. Por exemplo, um dos meus limites é a linguagem “ordinária” e a “falta de educação”.

Reconhecendo os meus próprios limites, eu não imponho limites aos meus filhos, simplesmente respeito e faço respeitar os meus próprios limites, sendo importante para mim que eles compreendam isso! Por exemplo, cada vez que um deles diz um palavrão eu podia simplesmente dar um grito ou uma palmada e dizer “isso não se diz!”. Ao invés disso, a primeira coisa que faço é perguntar se eles sabem o que aquela palavra quer dizer, que na grande maioria das vezes não sabem. Explico porque não se deve dizer, e por vezes chego a perguntar “gostavas que a mãe te falasse assim ou te dissesse isso?”.

O mais velho está a entrar na pré-adolescencia e a linguagem está dificil de controlar, porque é assim que falam entre eles. Expliquei-lhe que a linguagem é um dos meus limites e disse-lhe que entre amigos falam como entenderem, mas desde que haja um adulto presente deve ter atenção a isso. Tenho de repetir este discurso N vezes, e nem sempre o consigo fazer com a calma desejada, mas ele sabe que este é um dos MEUS limites.

Mas, eles também têm limites, e cabe-nos a nós tentar perceber quais são, e ajudá-los a perceber os seus próprios limites, e respeitá-los também, o que por vezes é bem mais complicado.

Por exemplo, eu já percebi que um dos limites da Eva é o cansaço. A partir das 20h ela fica tão cansada que lhe é impossivel realizar de forma tranquila tarefas simples como comer, lavar os dentes ou ir fazer xixi antes de dormir. Eu comecei a perceber isso e a dizer-lhe “parece-me que a esta hora ficas muito cansada”, e hoje em dia ela própria sente quando começa a chegar a esse ponto e diz-nos “estou a ficar muito cansada” e nós sabemos que temos de “acelerar o ritmo” para ela poder ir descansar e ao mesmo tempo ser mais compreensivos caso ela tenha dificuldade em realizar essas tarefas, sendo que obviamente, a solução ideal seria que às 20h ela estivesse pronta para se deitar!

Quanto às responsabilidades, é obvio que as nossas enquanto pais são infindáveis. Mas e se atribuissemos também algumas aos nossos filhos? Adequadas à idade, claro!

Além de os tornar capazes, estamos a valorizar as suas competências e a mostrar-lhes que todos temos responsabilidades. Por exemplo, o meu mais novo tem a responsabilidade de comer sozinho, de arrumar o que desarruma, de não comer na sala, etc. Os mais velhos, de arrumar o seu quarto, de ajudar com algumas tarefas de casa (embora por vezes contrariados) como por a mesa, arrumar a cozinha, limpar o pó ou dobrar roupa. O mais velho é responsavel pelos seus TPC e avaliações, sabendo que sempre que achar necessário eu estou disponivel. Os três são responsáveis pelas suas coisas e os mais velhos já decidem até o que querem vestir (com o meu aval, claro 😛 ).

Por norma (sim, porque há sempre excepções!) não faço coisas que ache que eles têm capacidade para fazer. Posso ajudar, mas não substituir. E de um modo geral eles vão acabando por colaborar nas tarefas uns dos outros.

Acredito que graças a tudo isto, o respeito mutuo pelos meus limites e os deles e pelas responsabilidades de cada um, tenho três filhos com um excelente grau de maturidade e responsabilidade para a idade, que desde o mais novo ao mais velho percebem o valor de um “por favor” e de um “obrigado” e que mesmo assim têm espaço para descobrir o mundo e fazer asneiras como todas as crianças…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Fim-de-semana louco!

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Há dias em que parece que todas as estrelas e planetas do universo se unem numa conjuntura maldosa para nos tornar a vida particularmente dificil!

Como o pai trabalhou todo o fim-de-semana, la tive de gerir os 3 sozinha, à semelhança daquilo que acontece durante a semana. No entanto eu queria passar um fim-de-semana agradavel com os miudos, daqueles em que eles se divertem imenso e ficam tão cansados que ao final do dia adormecem em três tempos…

Com o mau tempo que está por aqui, o programa era piscina sabado à tarde e bowling domingo. Mas as voltas foram trocadas e acabámos por ter um fim-de-semana de loucos!

A piscina correu lindamente, e eles colaboraram de uma forma fantastica para esse facto! Mas, quando nos estavamos a preparar para ir embora, a Eva foi descer o escorrega uma ultima vez com o irmão mais velho, mas ao ganhar velocidade acabou por bater com a cabeça na lateral do escorrega, ficando logo com bonito hematoma. Até aqui nada de anormal, não fosse a sonolência excessiva e os 3 episódios de vómitos que se seguiram. Conclusão: urgência com os 3. Deixo-vos imaginar a “animação”.

Como ela acabou por ficar melhor o médico perguntou-me se eu me sentia à vontade para a vigiar em casa com indicação de voltar se voltasse a vomitar ou se aparecessem outros sintomas, ou se eu preferia passar la a noite. Obvio que tudo o que eu queria naquele momento era ir para casa com os 3!

Chegados a casa ainda vomitou mais duas vezes e depois adormeceu num sono reparador. De forma a poder vigiá-la dormimos as duas no sofá, e eu acordei como se tivesse participado num combate de kick boxing contra o campeão nacional.

Devido ao episódio do dia anterior, decidi que o bowling ficaria para outro dia, e que passariamos um domingo tranquilos em casa a ver filmes e fazer bolos. Fizemos um bolo, sim, mas “tranquilo” não é o melhor adjectivo para descrever o dia de hoje!

Lutas (literalmente, com murros, pontapés e beliscões) entre os dois mais novos, o mais novo que nem quer fralda, nem bacio, nem sanita, o que me valeu um valente xixi no sofá (obviamente um sofá em tecido, de outra forma não tinha piada!), e mais dois xixis pelo chão (chato mas bem mais fácil de limpar).

Tentativas de brincar com eles que nunca agradavam a todos.

Depois, para me animar ainda mais, por acaso, encontrei um site que fez um post baseado num post meu, usando o meu titulo e a minha foto (sem citar a fonte), que por acaso é uma foto mesmo minha e não uma qualquer foto encontrada por aí num motor de busca (e por isso, a partir de agora, todas as minhas fotos terão o meu logo!).

Já a terminar o dia – pensava eu – estava a servir o jantar, que por acaso era canja, quando a do meio e o mais velho se envolvem também eles num combate digno de um festival de wrestling. La fui eu tentar gerir a situação e quando chego à cozinha, o mais novo que de tanta fome que tinha não conseguiu esperar e pegou num dos pratos de canja que estavam já servidos na bancada, e cujo conteúdo foi, obviamente, parar ao chão. E digo-vos, limpar um chão cheio de pevides de canja não é pêra doce!

Continuamos para bingo: banhos e cama para finalmente respirar de alivio. Já no banho, a Eva decide que eu também deveria aproveitar o momento para tomar um duche e vira literalmente o chuveiro para cima de mim. Mais uma pausa, mais uma inspiração e continuamos. Chegou a hora de dormir! Yupiiii!!

Só que não. Cereja no topo do bolo: o mais novo perdeu a sua ultima chucha! Tentei aproveitar a deixa a ver se ele largava a chucha de vez, mas tive um drama digno de Hollywood, com direito a lágrimas, gritos, braços e pernas em todas as direcções e ainda -quando eu pensei que a coisa ia acalmar – despir-se 3 vezes (fralda incluida). Dei a volta à casa com o mais velho e nem sinal da chucha. Felizmente tem uma chucha em casa de uns amigos que moram do outro lado da rua, e cujo o filho mais velho teve a amabilidade de me vir ca trazer a dita. Será desta???

Não. O Francisco perdeu o comboio do sono e agora não quer dormir. Ok, desisto. Espero pelo pai e ele quando chegar do trabalho há-de conseguir gerir a situação!

Assim foi. São 22h15, e estão finalmente os 3 deitados.

Tudo isto para dizer que há dias na vida de uma mãe em que parece que tudo fica fora de controlo!

Tudo acontece num abrir e fechar de olhos e só temos vontade de nos sentar no chão e chorar como um bebé!

Eu optei por me tentar rir a cada vez que alguma coisa acontecia, como se de um filme de comédia se tratasse, na tentativa de escapar às lagrimas desesperadas de quem deita a toalha ao chão…

Mas confesso que já só estava desejosa que o pai chegasse para eu poder “retirar-me de cena”!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe (que hoje está exausta)!