Remodelações

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Resolvemos tirar um “time out” para remodelações!

Em breve voltamos ao activo com uma nova cara e mais novidades!

Até ja 🙂

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A crise de identidade do filho do meio

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Quantos de vocês já ouviram falar no mito do “filho do meio”? Quantos de vocês têm um primo, um amigo ou um conhecido que é filho do meio? Quantos de vocês são o filho do meio em pessoa?

Muitas vezes ouvimos dizer que “ah e tal, os filhos meio são assim uma espécie de aves raras” ou então “o filho do meio tem sempre um parafuso a menos”.
E agora eu pergunto: como não haveria de ter? Então de repente a criança perde o lugar de filho mais novo, onde durante x tempo teve as atenções de amigos e familia viradas para sí, para as suas gracinhas e conquistas, tirando mesmo o lugar principal ao mais velho, que apesar de deixar de ser o centro das atenções será sempre “o mais velho”, o que por sí só já é um lugar de mérito! A criança, actualmente “filho do meio”, de repente além de ver o seu lugar de Benjamim da familia ser ocupado por outro ser de tamanho duvidoso, que pouco mais faz além de comer dormir e chorar, vê-se na ingrata posição de não saber muito bem se agora deverá ser crescido como o mano mais velho, ou pequenino como o mais novo… e como se não bastasse, ainda ouve toda a gente a perguntar coisas como: se ajuda a mãe – “ajudar?? Mas fui eu que me meti nesta alhada por acaso??” – se gosta do bebé – “o quê? Aquele que me veio empurrar para esta espécie de sandwich humana? Tenho mesmo de gostar assim tanto dele??” – ou ainda se está contente – “contente com o quê? Por já não ser o único a usar fraldas?!”… E por outro lado claro que ajuda como pode! É claro que gosta do bebé! É claro que esta contente! E esta ambiguidade de sentimentos – legitima! – só faz a cabeça andar cada vez mais as voltas!

O filho do meio está condenado (pelo menos na sua cabeça) a ficar sempre ali naquela ingrata posição em que as pessoas ora estão ocupadas a ver o mais velho aprender a andar de bicicleta e a felicita-lo por estar tão crescido, ora estão deliciadas com os primeiros sorrisos do mais novo… e assim “o do meio” passa o tempo a fazer um ping-pong intelectual entre o “mas eu já sou grande” e o “mas eu ainda sou pequenino” capaz de deixar o cérebro dos pais mais emaranhado do que um par de fios de fones que passaram 3 semanas numa mala de mulher ou num bolso de casaco.

Além disso, o filho do meio, para não correr o risco de passar demasiado despercebido, tem de pôr em pratica um conjunto de técnicas elaboradas e trabalhosas como “birras” interminaveis, chamadas de atenção constantes, e cenas dignas de um Óscar para melhor actor/actriz dramatico/a!

Tudo isto converge assim uma espécie de “crise de identidade do filho do meio”, na qual todos nós – pais, tios, padrinhos, avós, amigos, etc. – temos o papel de os tentar ajudar a (re)encontrar as suas marcas, e a perceber que continuam a ter um lugar muito importante na familia… o SEU lugar!


Regresso agri-doce

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Quem me conhece bem ouviu-me dizer muitas vezes, cheia de certezas e muito segura de mim, que não tenho perfil para ser “mãe a tempo inteiro”, que admiro muito essas mulheres mas que eu não seria capaz pois iria sempre achar que me faltava qualquer coisa, um pedaço de mim: o meu trabalho.

No entanto cheguei a uma fase da minha em que mudei muito a minha forma de pensar: neste momento se tivesse possibilidades (financeiras) tirava 18 meses de licença sem pensar duas vezes…
Mas como na vida nem sempre conseguimos fazer aquilo que gostaríamos, daqui a 2 dias la volto eu ao trabalho, o que me traz sentimentos muito ambivalentes…

Se por um lado estou ansiosa porque tenho a sorte de ter um trabalho que adoro, porque já sinto a falta de me sentir útil para a sociedade, a falta da adrenalina da sala de partos e das conversas com as colegas, por outro lado quando penso nisso a sério quase fico deprimida… sinceramente pensei que seria mais fácil por ser o terceiro e por já ter passado por isto duas vezes, mas não.

Poderia dizer que me sinto assim tão ambivalente por serem três, ou pelo facto de que o Duarte precisa de um bom acompanhamento, ou porque para a Eva é um tormento saber que eu vou trabalhar, ou porque o Francisco ainda é tão pequenino…

Todos estes argumentos seriam válidos para justificar a minha apreensão mas a razão principal é este sentimento tão egoísta mas tão intenso de que ninguém consegue cuidar do meu bébé tão bem quanto eu… achar só eu conheço todas as manhas, que só eu sei ao quê corresponde cada tonalidade do seu choro, só eu sei a forma como ele gosta de adormecer, só eu o sei proteger… sim, é egoísta, lamechas e pretencioso!

Tremo de saber que durante horas vou estar privada dos seus sorrisos e das suas gracinhas, que vou andar a “ressacar” do seu cheiro, do seu aconchego, do seu mimo… e no fundo talvez tambem tenha medo que ele fique zangado comigo por passar tantas horas longe, que pense que o abandono, que sofra com a minha ausência. Ou será que simplesmente tenho medo de deixar de ser a sua preferida?

Aliado a isto está este sentimento de culpa que me persegue pelo facto de me ser mais dificil deixar o Francisco do que os irmãos, mas para mim é como se os mais velhos já tivessem feito um curso superior de “como sobreviver sem a mãe” e o Francisco fosse obrigado a começar um curso intensivo sem preencher ainda os requisitos mininos necessarios para tal…

… No fundo sei que vai correr tudo bem, mas não deixa de ser um momento altamente stressante!

E por aí, como foi o regresso ao trabalho?