Só dez minutos!

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Nós, os adultos, somos complicados. Passamos tanto tempo a pensar, a planear, a preparar o futuro, que pouco nos sobra para aproveitar o “Hoje”.

É um paradoxo engraçado, esforçamo-nos tanto para garantir um futuro melhor e feliz para os nossos filhos e acabamos por nos esquecer que a felicidade deles é AGORA!

Contar uma história, cantar uma musica, uma ida ao parque – mesmo que seja relâmpago – tomar um chá-de-faz-de-conta, ou fazer um bolo imaginário. Coisas que pouco tomam do nosso “tempo de adultos” e que bastam para arrancar sorrisos sinceros e gargalhadas maravilhosas. Não é a quantidade mas a qualidade que lhes importa. Dez minutos bastam para fazer a diferença no dia deles, e no nosso! Dez minutos de entrega, de presença, sem estar a olhar para o smartphone ou perdidos nos nossos pensamentos de adultos.

Estar. Viver o momento. Rir.
Sem “espera aí” nem “dá-me só um minuto”.
Viver de sorrisos, abracinhos e saltinhos de alegria, nem que seja só por dez minutos!

Recarregar baterias com aquele amor tão unico.

 

*Aviso: a repetir sempre que tiver oportunidade, e a usar sem moderação em dias “de adulto” dificeis!

 

E assim vai a vida…. aos olhos de uma mãe!

Desabafos de uma enfermeira emigrada

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Há quase 6 anos que trocámos o clima ameno do nosso país pelo clima mais fresco da Suiça.
Não sinto falta do nosso país. Não me intrepretem mal. Tenho muitas saudades do nosso Portugal à beira mar plantado, da praia e do verão prolongado até outubro.

Mas não sinto falta do país político, dos contratos de trabalho anuais sem certeza de renovação, do ordenado que envergonha os quatro anos de escola superior e o consequente investivemento pessoal e financeiro. Mais que isso, o ordenado que envergonha a dedicação que cada enfermeiro põe em cada gesto, em cada turno, em cada natal que não passa com a familia, em cada dia da mãe ou do pai que não passa com os filhos.

Não sinto falta de não ter uma carreira, nem perspectivas de evolução na profissão. Não sinto falta de não passar da “cepa torta” tanto em ordenado como no terreno. Não sinto falta de não ter quem defendesse os meus interesses.

Não sinto falta de ter sede de novos desafios e projectos que nunca podiam ser levados a cabo, ora por falta de verba ou simplesmente por falta de interesse das chefias que mantinham uma constante relutância a tudo o que implicava ideias novas e mudanças.

Por tudo isto e mais ainda, vi-me aliciada a embarcar nesta aventura da emigração. Com perspectivas de trabalho com um salario decente, condições de trabalho dignas, valorização. Nestes quase 6 anos na suiça ja fiz mais do que talvez teria oportunidade de fazer em toda uma carreira em Portugal.

Não sinto falta de ser desrespeitada ou menosprezada pelo meu país.

O que eu sinto falta é das pessoas…

Sinto falta das jantaradas com os amigos, e das tardes de verão no “Menino Julio dos Caracóis” ou no “Modesto”. Dos cafés inesperados resolvidos à ultima hora e que eram quase sempre os melhores.

Sinto a falta de abraçar as minhas amigas do coração quando elas me contam que vão casar, e sinto a falta de as poder abraçar no dia em me contarem que vão ser mães.

Sinto falta de telefonar à minha mãe e começar a conversa com um “há jantar para nós?” e acabar com um “então até logo”… sinto a falta do colo dela nos dias mais dificeis, e sinto a falta do seu abraço a cada nova conquista.

Sinto a falta de todos os momentos em que privo os meus filhos da companhia da avó e dos tios.

Sinto a falta das conversas animadas que deram lugar a reuniões no skype muitas vezes conturbadas por problemas na rede.

Sinto a falta de abraçar o meu irmão sempre que me apetece e de lhe dizer cara a cara que é uma pessoa maravilhosa.
Sinto a falta de o poder abraçar no dia em também ele me vai dizer que vai casar…. e eu estarei longe.
Sinto a falta de poder estar ao seu lado no dia em que me vai anunciar que o seu filho nasceu…. e eu estarei longe.

Sinto a falta de todos os momentos em que estou longe e deveria estar presente.

Este é o preço a pagar pela emigração. Este é o preço que pago- as vezes demasiado alto, parece-me – por ter tido a dose de loucura necessaria para deixar tudo e partir. E apesar de tudo não me arrependo!

Parti, não só em busca de uma vida com melhor qualidade para os meus filhos, mas também em busca de uma Enfermagem com a qual me identifico e que me deixa fazer aquilo que sei fazer melhor: Cuidar pessoas!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira!

Aos Pais!

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Quando abri a página para escrever este texto fiquei indecisa sobre a quem o deveria dedicar. De certa forma sentia-me até num conflito interno. Deveria eu escrever para o meu pai, que mesmo já não estando físicamente entre nós será sempre O MEU PAI, ou ao pai dos meus filhos, este homem – as vezes meio dificil de levar – mas com uma dedicação extraordinária aos filhos e à nossa familia?

E de repende percebi que queria escrever para ambos. Mas não só. Queria escrever para todos os pais.

Sim! Quero dedicar este texto a TODOS os PAIS!

Pais altos e pais baixos, pais magros ou com barriguinha, pais de todas as culturas, religiões ou etnias. Pais novos e pais mais velhos. Pais de sangue e pais de coração.

Porque PAI é universal.

Pai não tem cor nem culto. Mas tem cheiro! E cheira tão bem um pai! Cheira a amor, ternura e proteção. E mesmo quando o perdemos ele tem cheiro. O meu cheirava a bolos e a JeanPaulGaultier, a abraços apertados, e a colo quando eu precisava. E que bem que cheiravam os abraços dele e o colo dele!

Pai não tem altura nem peso. Mas tem braços fortes e coração mole. Tem aquele jeito duro de dizer que não, e aquele jeito meio doido de brincar.

Pai não tem idade. Mas tem experiência e bom senso para aconselhar. E tem braços abertos quando nos “espalhamos ao comprido”. Tem um “bem te avisei” logo seguido de um “vai correr tudo bem”!

Na paternidade não importa origem. Um pai pode ter laços de sangue ou coração. Mas o que tem com toda a certeza é um amor incondicional. Uma proteção infinita. Um carinho desmedido. Uma dedicação fora de série.

Pai é aquele ser excepcional que acha sempre que não está à altura, e que é simplesmente O MELHOR PAI DO MUNDO!

FELIZ DIA PAIS!

 
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe

Quando não dormir é uma prova de amor!

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Acredito que as crianças são verdadeiras “esponjas”, não só no que diz respeito às aprendizagens, mas também às emoções. E isto desde sempre. Absorvem o nosso amor e o nosso carinho, mas também os nossos medos e as nossas angustias.

Já há algum tempo venho a fazer algumas reflexões para tentar perceber o porquê de os meus filhos não serem grandes amigos das noites – o Duarte começou a dormir a noite toda com 18 meses, a Eva com 27 meses, e o Francisco já la vão quase 10 meses e nada.

Após ter ponderado, analisado e actuado em todas as causas externas susceptiveis de causar o incomodo que leva aos acordares constantes, como o refluxo, as rotinas, a fome, a sede, a necessidade de contacto, etc. e sem grandes resultados, dei por mim a pensar que se calhar estou a procurar no sitio errado.

E se afinal for eu a causadora das noites mal dormidas?! E se afinal o problema não está neles mas sim em mim?

E de repente tudo fez sentido!

Sou uma mãe galinha, como a maioria das mães que conheço, com a agravante de ser enfermeira no maravilhoso mas tumultuoso mundo da pediatria. Se por um lado à medida que eles vão crescendo tenho tendência a ficar mais zen que a maioria das mães, a desvalorizar coisas que deixam a mais cuidadosa das mães de cabelos em pé, em ir ao pediatra só em ultimo recurso, e a consultar as urgências só se uma reanimação estiver iminente, por outro lado enquanto são bebés sou mais stressada que a maioria das mães que conheço, vejo coisas além dos sintomas mais básicos, e tenho tendência a ir ao pediatra mais vezes. Sou mais ansiosa. Tenho mais medos. E a ideia da morte súbita é algo que me assombra constantemente. O medo que esta coisa injusta e inexplicavél me bata à porta impede-me de dormir tranquilamente.

Os meus filhos sentem-no, e dei por mim a questionar-me se o facto de acordarem de hora em hora não será a forma que eles encontraram para me tranquilizar e me dizerem “estou aqui, estou bem”. Até porque se passam mais de três horas sem dar sinal lá fico eu num conflito de valores entre o “aproveita para dormir” e o “eu devia ir la ver “.

O que mais além disto poderia justificar o facto de que quando eu não estou – porque trabalho de noite, por exemplo – eles acordam menos vezes, ou chegam mesmo a dormir seguido?

Afinal, apesar do cansaço, apesar de muitas vezes achar que estou a chegar ao meu limite, apesar do desespero que me assola por vezes por já não saber o que fazer, parece que sou eu quem não está preparada para que eles durmam…

Afinal, os meus filhos não dão más noites. Apenas se asseguram que a mãe está bem.
Afinal eles começam a dormir quando me sentem preparada para “dar o salto”.

Isto é (mais) uma prova de amor ❤