Acuso-me: sou uma mãe que grita!

 

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Fonte imagem: cartoon.ngmnexpo.com

Sim, eu acuso-me. Sou uma mãe que grita. Mais do que gostaria, mais do que seria esperado. Mas grito. E o mais engraçado é que constantemente digo aos meus filhos que não se deve gritar. Belo exemplo, hein?

Mas quando todas as estrategiass parecem falhar, quando nos sentimos desarmados e que a situação exige um ponto final, não restam muitas alternativas. O gritar funciona muitas vezes para interromper uma “crise”. Outras, admito, nada mais do que para libertar a minha frustração.

Não sou uma mãe perfeita com filhos perfeitos e exemplares. Sou uma mãe imperfeita, tentando melhorar dia após dia, tentando perceber como posso ser uma pessoa melhor e uma mãe melhor, tenho filhos fantásticos mas que como qualquer criança desafiam limites.

No meio de todas as incertezas da maternidade, uma coisa tenho como certa: quero que os meus filhos sejam educados com amor, mas quero também que percebam que há barreiras que não se podem ultrapassar.

Que saibam que na vida não poderemos sempre fazer ou ter o que queremos. Que percebam que a frustração faz parte, e que é ela que nos ensina a lutar.

Que ter tudo de mão beijada não ensina a dar o mesmo valor ao que se consegue conquistar com o próprio esforço.

Que o respeito por si próprio e pelo outro são valores fundamentais.

E se para isso tiver de lhes dar um grito ou outro, seja!

Lembro-me quando trabalhava na urgência de ver mães pedirem por favor aos filhos para os poderem despir enquanto estes corriam pelo gabinete e se escondiam debaixo da mesa. Os meus filhos sabem que a escolha é “queres despir-te ou queres que a mãe te ajude?” E se por ventura começam a “descambar” nada que um firme “agora chega” num tom um pouco mais alto para acabar com a cena.

Não, os meus filhos não têm medo de mim. Simplesmente quando falo mais alto percebem que estou de facto a falar a sério e já não há margem para brincadeiras. Percebem que o limite foi atingido que não há mais espaço de manobra para testes.

As crianças precisam de amor, mas precisam igualmente de regras e limites. Estes três elementos dão-lhes segurança e estabilidade. Permitem-lhes saber que não andam ao “Deus de ará”. Que se ultrapassarem os limites nós estaremos la para lhos relembrar.

Se gostava de gritar somente e apenas em situações estritamente necessárias? Sim!
Se gostava de conseguir gritar menos (ou nada!) para libertar a minha própria frustração! Claro!

Caminho para isso, mas por agora sou apenas mais uma mãe que grita mais do que devia.

Apesar de tudo tenho filhos que são crianças, que se sujam, que fazem asneiras. Mas que também sabem respeitar os outros, que sabem que na praia não se pode atirar areia para cima das pessoas, que dentro dos restaurantes não se corre, e que “Por favor” e “obrigado” são palavras com muito significado!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Tenho 33 anos…

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Tenho 33 anos, e as vezes sinto-me velha.

Naqueles dias em que acordo mais cansada do que se tivesse feito um “Ironman”, em que não há paciência nem disposição para arranjar o cabelo ou fazer maquiagem, apenas o essêncial para sair de casa, uma roupa prática e confortavel, mas que quase parece que vesti um saco de batatas. Nesses dias em que me cruzo com quarentonas ou cinquentonas bem arranjadas e mais “enxutas” do que eu, sinto-me velha!

Sinto-me velha quando saio à noite com o marido, e as 02h começo a contar as horas que vou dormir se chegar a casa depois das 03h porque as 08h os miudos já estão acordados.

Sinto-me velha quando adormeço as 22h em frente à televisão.

Tenho 33 anos e dou por mim a pensar que se calhar já vivi metade da minha vida. Ou 3/4, ou se calhar apenas 1/3. Quem sabe?

Tenho 33 anos, e as vezes tenho saudades da minha infância, da minha adolescência. Dos amigos que ficaram para traz, e dos momentos tão bem vividos.

Tenho 33 anos e percebi que o que realmente faz falta é viver como se não houvesse amanhã. Aproveitar. Respirar o momento. Percebi que não mais quero viver focada o futuro, para o que vai acontecer na proxima semana ou no próximo mês. Porque a proxima semana ou o próximo mês podem não chegar nas mesmas condições que o “hoje”. Ou podem não chegar de todo. Quero viver o que tenho hoje. Quero estar com quem quer estar comigo, sem qualquer tipo de ressentimentos em relação aos outros.
Quero aproveitar aquilo que tenho sem estar sempre a pensar naquilo que ainda poderei vir a ter.

Tenho 33 anos e uma familia maravilhosa. Três filhos pequenos que exigem de mim tudo o que eu tiver para lhes dar. Que me cansam, que me deixam exausta, que me fazem sentir velha.

Mas, foram os mesmos filhos que me ensinaram que eu quero viver no dia de hoje. Graças a eles aprendi o luxo que é acordar de manhã e saber cada dia com eles será um dia único e especial, mesmo que à primeira vista seja um dia igual aos outros.

Graças a eles aprendi que a felicidade começa dentro de nós. Que a felicidade cabe num salto de trampolim ou num livro de histórias. Que a felicidade se alimenta de gargalhadas e xi-corações. Que a felicidade não se procura, vive-se!

Graças a eles descobri que viver a vida a “despachar” não é viver. É sobreviver.

Graças a eles e ao meu marido, por quem sou completamente apaixonada, descobri que sou a pessoa mais feliz do mundo.

Descobri que a vida não pára, que eles crescem demasiado rápido, e daqui a 10 ou 15 anos, quando eu for quarentona ou cinquentona, também eu terei mais tempo e disponibilidade para me arranjar todos os dias e estar “enxuta”, porque nessa altura os meus passarinhos já terão começado a voar.

Tenho 33 anos e descobri que estou em paz com a vida. Que o que vem de fora já não me afecta da mesma forma que há 5 ou 10 anos atras, simplesmente porque já não lhe atribuo o mesmo significado.

Tenho 33 anos, e descobri que não estou velha. Estou é mais madura e mais feliz!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mulher!

Vida de mãe: Expectativas vs realidade

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Porque ontem foi dia dos filhos, resolvi, ao invés de escrever um texto fofinho e lamechas sobre o quão maravilhosos eles são – e se são! – escrever antes sobre algo diferente: as minhas expectativas diárias em várias situações e a espectacular realidade…

Hora de acordar
Expectativa: vou acordar uma hora antes deles, arranjo-me com calma, avanço o pequeno-almoço e acordo-os calmamente e assim conseguiremos sair de casa a horas!
Realidade: o despertador toca mas estou demasiado KO para me levantar, levanto-me 10 minutos antes deles, acordo-os calmamente mas ainda assim ouço o típico “mas eu ainda tenho xonoooo” da Eva e do “só mais 5 minutos” do Duarte. O Francisco esse acorda sempre de bom humor! Preparo-os ao mesmo tempo que me preparo numa correria doida, entre os “despachem-se” e os “está quase” ao mesmo tempo que consulto o relógio para ter a certeza que não ultrapasso a “deadline”. Saio de casa sempre 5 minutos depois da “deadline” e a prometer a mim mesma que amanha me levanto mais cedo!
Solução: acordar efectivamente mais cedo!

Compras
Expectativa: vamos só ao supermercado comprar 3 coisas que a mãe precisa, vamos num pé e voltamos noutro!
Realidade: demoro o triplo do tempo que tinha estipulado, passo o tempo a repetir as mesmas frases: “não se mexe”, “não saias de perto da mãe” e “não, não vamos levar isso”. Acabo por trazer 2 ou 3 coisas que não estavam previstas, e as vezes, pasmem-se, esqueço-me de trazer o que ia buscar inicialmente. (Ultimamente vou com lista!) .
Solução: evitar ao maximo ir às compras com miúdos!

Hora da brincadeira
Expectativa: agora durante um bocadinho brincam os três para a mãe conseguir ali fazer uma coisa rápida (estender roupa, arrumar a cozinha, ou outra actividade do género)
Realidade: durante toda a duração do “um bocadinho” ouço “ohhh mããeee o Duarte bateu-me”, “MÃE a Eva não sabe brincar” e pergunto repetidamente “onde está o Francisco??”, interrompo a minha tarefa de 5 em 5 minutos – as vezes menos – para separar lutas, dar beijinhos nos dói-dóis, procurar o Francisco….. Ouf!
Solução: prever o dobro do tempo da tarefa para a duração do “um bocadinho”

Hora da refeição
Expectativa: vamos todos comer os legumes e a sopa, sem guerras, ao mesmo tempo que conversamos sobre o nosso dia (Um dia há-de ser o dia!)
Realidade: passamos a refeição toda a negociar a sopa e/ou os legumes, se tento falar com o marido somos interrompidos a cada 15s ora por um, ora por outro, ora por outro…
Solução: deixar de ter expectativas neste ponto para os proximos 10 anos.

Umas vezes farto-me de rir, outras só me apetece chorar, e apesar de haver finais de dia em que conto os minutos para os deitar, são ELES e todas estas peripécias – entre outras! – que animam os meus dias, que alimentam a alma, que dão vida à vida!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Ser Bombeiro

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Ser Bombeiro não é apenas uma profissão, muito menos um hobby. Nem sequer é uma vocação. Ser Bombeiro vai mais para além da dimensão física, para além de tudo daquilo que se pode quantificar e materializar.

Ser Bombeiro está gravado na alma de quem o é e de quem já o foi – uma vez bombeiro, sempre bombeiro!
Ser Bombeiro é ter altruísmo em cada gota do sangue que lhe corre nas veias. É ter a coragem de um leão mesmo que o medo lhe revolva as entranhas. É ser louco o suficiente para arriscar a vida aparentemente a troco de nada, mas na realidade a troco de muito: saber que se salvou a vida de alguém, a casa de alguém, os animais de alguém.

Ser Bombeiro é muitas vezes medir forças com a morte. É enfrentar chamas e labaredas capazes de afugentar o mais comum dos mortais. É largar tudo e ir, mesmo sem saber se voltam.

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Mas mesmo assim, ser Bombeiro é ser esquecido pelo governo do seu país. É estar dependente da boa vontade das populações ou de cadeias de supermercados para assegurar água e comida. E isto meus amigos, é vergonhoso!

É uma vergonha o estado Português não assegurar que as necessidades básicas de bombeiros que se encontram a combater incêndios durante dias e dias seguidos.

É uma vergonha todos os anos o estado Português ter de recorrer a empresas privadas de meios aéreos de combate ao fogo onde paga POR DIA 35 mil euros.

É uma vergonha quem é preso por fogo posto, causando um incêndio onde houve vítimas mortais, não ser julgado por homicídio (in)voluntário.

É uma vergonha que os bombeiros voluntários trabalhem sem receber nada. Nem dinheiro, nem reconhecimento.

Noutros países a realidade é bem diferente. Na Suiça um bombeiro voluntário recebe cerca de 20€ à hora a partir do momento em que esteja ao serviço da corporação, mesmo quando recebe formaçao. Quantia SIMBÓLICA, dizem eles, para compensar um pouco a dedicação e a disponibilidade do Bombeiro.

Algo vai mal, e não é no reino da Dinamarca!

O meu pensamento está com todos os Bombeiros que neste momento combatem as chamas que consomem Portugal Continental e a ilha da Madeira. Eles são pessoas como eu e tu. São filhos de alguém, pais e mães de alguém, primos, sobrinhos, netos, amigos de alguém. Deixaram tudo e todos para ir enfrentar as chamas, sabendo que o risco que correm é imensurável.

Eu e o meu marido também já o fizemos e voltariamos a fazer sem olhar para trás.

Peço desculpa à minha mãe, a todas as mães e pais, namorados e namoradas, esposas e maridos, filhos e filhas, avós e amigos de bombeiros, por todas as preocupações que vivem.

Tenho um orgulho desmesurado nestes Homens e Mulheres que – aparentemente a troco de nada – salvam pessoas, animais, casas e florestas.

Tenho um aperto no peito por todos eles agora em missão. Que regressem ao conforto do lar sãos e salvos!

Assim vai a vida… aos olhos de uma cidadã…