Xaropes contra a tosse? Não, obrigado!

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Uma das duvidas que surge com frequência nas redes sociais em grupos e fórum de mães é sobre a tosse, os respectivos xaropes e o que fazer para a criança parar de tossir.

No inverno é muito comum a criança tossir. A tosse pode ser apenas um sintoma (quase) isolado acompanhado apenas de um pingo no nariz e um ou outro espirro, ou pode ser um sintoma de outras doenças como bronquiolite, asma ou pneumonia por exemplo.

Diferentes causas, diferentes diagnósticos, diferentes prognósticos mas uma caracteristica comum: a tosse é o mais importante mecanismo de defesa do pulmão.

O pulmão não tem como se defender sem ser pela tosse. A tosse é assim como que um sensor-anti-intrusos do pulmão, seja quando nos engasgamos com algum pedaço de alimento por mais pequeno que seja, com alguma bebida ou até com a propria saliva, seja por presença de secreções que chegam através das vias respiratórias superiores (boca e nariz), ela esta lá para dar o alarme e por o intruso a mexer dali para fora. O pulmão não gosta de “inquilinos” e a tosse é o mecanismo que garante que a privacidade do pulmão é respeitada.

Um pulmão cheio de secreções é um pulmão com maior risco de “infectar”. É importante que o mecanismo que explusa eficazmente as secreções seja conservado: a tosse!

Por esta razão são completamente desaconselhados os xaropes anti-tússicos (que são a maior parte dos xaropes para tosse). Ao inibir o reflexo da tosse estamos a deixar o pulmão completamente vulneravél aos seus intrusos, neste caso as secreções, e exposto a uma potencial infecção.

Então o que fazer?

Por mais que custe o melhor é mesmo deixar tossir, oferecer bastante àgua, pois ajuda a fluididicar as secreções (torná-las mais liquidas) para que o pulmão – através da tosse – as possa expelir mais facilmente. Se as secreções forem mesmo muito espessas pode pedir ao pediatra um xarope para ajudar a fluidificar as secreções, ou seja um expectorante.

Mas porque razão é de noite que a tosse é mais forte?

A explicação é simples: de dia na posição vertical as secreções vão sendo eliminadas pelo nariz. Já à noite, na posição horizontal as secreções “escorrem” para trás, chegando mais facilmente ao pulmão desencadeando assim o reflexo da tosse.

Quando consultar o médico?

– Em bebés com idade inferior a 6 meses ou não vacinados. A tosse convulsa (ou coqueluche) é uma doença grave nas crianças com idade inferior a um ano. Só ficam protegidas contra a tosse convulta duas semanas após a segunda dose da vacina que é dada entre os 4 e os 6 meses. Até la a unica protecção que podemos dar à criança é vacinar os adultos e outras crianças que estão frequentemente em contacto com ela (pais, irmãos, avós, educadoras ou amas);

– Quando a tosse é acompanhada de outros sintomas como febre há mais de 3 dias, dores no peito, dificuldade respiratória ou dificuldades em hidratar-se;

– Diminuição do estado geral da criança;

– Tosse com duração superior a três semanas;

E se sentir necessidade não hesite em contactar o seu pediatra, ele é a melhor pessoa para o aconselhar!

 

E assim vai a vida…. aos olhos de uma enfermeira

Depressão pós parto? Eu estive la!

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Fui identificada por varias amigas para o novo desafio facebookiano. E após ter lido um artigo sobre a polémica gerada por uma mãe que também foi desafiada mas que recusou o desafio por dizer detestar a maternidade e que por sua vez desafiou quem quisesse aceitar a postar a maternidade real ao invés de postar apenas a maternidade perfeita, resolvi então responder ao desafio aqui no blog.

Amo ser mãe, se fosse só eu a decidir sem duvida que ainda pensaria ter mais dois ou três filhos, mas como não sou ainda andamos em “negociações” para eventualmente se pensar em mais um…

Mas de facto esta polémica levou-me a este post que ja estava pensado ha algum tempo: não, a maternidade não são só rosas! Aliás, são muitos muitos espinhos, mas as rosas são tão grandes, bonitas, perfumadas, magnificas e soberbas que compensam em muito todas as vezes que nos picamos com os espinhos.

Mas, de facto, muitas vezes ser mãe não é fácil!

Eu conheci tempos muito dificeis após o nascimento da Eva. Aliás, para mim a passagem do primeiro ao segundo filho foi um horror. Foi assim como um terramoto de magnitude 7.2 na escala de richter…

Desde muito nova que eu sempre estive habituada a gerir tudo, a controlar tudo, a conseguir tudo.

O facto é que a Eva nasceu, e era um bébé dificil! Entre o refluxo e o consequente mau estar que isso lhe causava (regurgitava tanto e em tanta quantidade que chegou mesmo a ser internada por desidratação); o sono – e não é que a Eva dormisse mal, ela simplesmente não dormia! Dormitava às meias horas. Dia e noite. Só queria colo, o MEU colo! E além disso tinha o Duarte, 5 anos, que também precisava de atenção, que era preciso ir levar e buscar a escola, ter o almoço pronto ao meio dia, e ter tempo para estar com ele. E ainda havia a casa, que era preciso arrumar e limpar, cozinhar e tratar da roupa, embora o marido ajudasse era eu quem estava em casa de licença, por isso, na minha cabeça era a mim que competia tratar de tudo.

Por tudo isto, eu que estava habituada a gerir tudo, controlar tudo, e conseguir tudo, passei a não gerir nada, não controlar nada, não conseguir nada! E acreditem que para mim foi um grande estalo! Entrei numa espiral negativa, via tudo negro, considerava-me uma inutil, quando o marido tentava ajudar e fazia alguma coisa em casa eu atacava-o dizendo que ele apenas fazia para me mostrar que eu era uma incapaz. Achava-me uma péssima mãe, péssima esposa, péssima mulher. E quando regressei ao trabalho este estado de espirito manteve-se: zero confiança em mim, medo de ir trabalhar, cada vez que chegava ao serviço uma situação mais grave eu “fugia” para não ter de ser eu a assumir a situação.

As coisas tornaram-se de tal modo complicadas, sem que eu quisesse assumir o que se estava a passar, que foi o marido que pôs um travão e foi comigo procurar ajuda profissional. Fiz 18 meses de terapia. Fortaleci-me, (re)equilibrei-me e percebi finalmente o porquê de ter entrado neste buraco negro:

Porque quando se tem filhos é impossivel ter sempre tudo controlado! Querer ter tudo sob controlo da mesma forma que antes é utópico e perigoso!

É preciso aceitar que já não temos controlo absoluto da nossa vida nem do nosso tempo…

Aceitar que estes seres de palmo e meio passaram a ser os nossos DJ’s e nós precisamos relaxar e aprender a dançar ao som da musica, sendo flexiveis o suficiente para seguir cada mudança de ritmo com a maxima tranquilidade, mas também ter segurança suficiente para poder dizer sem medos que ha estilos musicais que não nos convêm! E não somos piores mães por isso!

Lembro-me de quando estava gravida da Eva ter falado com uma amiga sobre as depressões pós-parto e ela perguntar-me se era algo que me assustava ou de que tinha medo. E lembro de lhe ter respondido com imensa segurança qualquer coisa como “nem pensar!”, afinal como é que alguem que era tão activa e maníaca do controle poderia pensar sequer numa coisa dessas? Pois é, mas aconteceu. E foi uma lição de vida, uma grande aprendizagem!

Este é o lado negro da maternidade do qual pouco se fala. Mas eu estive la. E outras tantas mães também passam por la, algumas não descem tão fundo, outras vão tão fundo que é impossivel imaginar. Mas este é um assunto real. E é importante admitir que as vezes é preciso pedir ajuda!

Hoje, três anos depois posso dizer que amo ser mãe! Adoro ter uma familia grande e “estar em minoria“!

Claro que há dias dificeis, claro que há um “lado lunar“. Claro que às vezes só rezamos para que todos cheguem inteiros ao final do dia. Mas vendo bem, mesmo quem não tem filhos tem dias assim!

E para finalmente responder ao desafio, sim, sou uma mãe de três muito muito orgulhosa! 🙂

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Organização: take II

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Ultimamente o tempo tem sido escasso, e as visitas ao blog raras… é assim como se ele fosse o “elo mais fraco”, aquele que mais sofre com a minha falta de organização mais que de tempo…

Por isso mesmo este tema da “organização” tem sido uma das minhas prioridades este ano!

No ultimo post sobre o assunto prometi falar sobre o método que conheci no inicio do ano e que me tem facilitado imenso a vida!

Chama-se Fly Lady, e foi criado por uma americana em 1999 e desde então tem tido imenso sucesso em todo o mundo!

Nunca fui de fundamentalismos, acho que o melhor partido que podemos tirar das coisas é conseguir adaptar as bases à nossa realidade sem ficarmos obcecadas em seguir tudo à risca, e este método não é excepção. Por isso ao longo dos proximos posts sobre organização vou tentar apresentar-vos as bases do Fly!

Como seria impossivel descrever o método todo num só post, hoje vou falar dos dois pontos principais:

As rotinas
A Fly defende que se criem rotinas, sendo as mais importantes a da manhã e a da noite. Isto vai permitir ir mantendo a casa arrumada sem muito esforço.
A rotina depende muito de cada uma de nós, mas tem obrigatóriamente de incluir:
– vestir-se completamente, maquilhar-se e arranjar-se, mesmo que não seja para sair de casa, a nossa auto-estima agradece;
– uma passagem rápida em cada divisão da casa para arrumar o que estiver fora do sitio, demorando não mais que 15-20 minutos. Acreditem que resulta mesmo! E é optimo acordar de manhã com tudo arrumado para começar bem o dia 😃
O objectivo é que ao fim de algum tempo estas rotinas passem a fazer parte do nosso piloto automático!

As zonas
A Fly quer acabar com aqueles dias das limpezas grandes, e as limpezas a fundo. O objectivo é dividir a casa por zonas, e a cada semana do mês trabalhar uma zona “a fundo”, dividindo o trabalho em tarefas de 15 minutos. É optimo porque 15 minutos passam rapido e ao mesmo tempo dá para fazer muita coisa! Ela tem listas com as zonas e as tarefas para cada zona, e como digo o ideal é usar essas listas e adaptar à nossa realidade!
Apesar disto, a Fly dedica um dia por semana para “abençoar o lar”, são 60 minutos divididos em tarefas de 10 minutos para lavar a cara da nossa casa!

Além destes dois pontos, o método tem muitas outras estratégias e dicas para nos facilitar a vida, e eu adoooro coisas que facilitem a vida!

Comecei a testar o método no inicio de janeiro, e foi um mês fantastico! Consegui de facto manter a casa limpa e arrumada sem muito trabalho! Mas na primeira semana de fevereiro espalhei-me ao comprido e ainda estou a tentar recuperar as pontas soltas…

A Fly diz que quem embarca nesta aventura vai cair do comboio algumas vezes, mas rápidamente volta a entrar na carruagem, o mais dificil é mesmo começar! Por isso, para começar ela propõe-nos 31 babysteps (passos de bébé) para o primeiro mês, uma forma suave de se iniciar no método!

Deixo-vos aqui o site original (em inglês)e dois outros em português (do brasil) que achei interessantes!

http://www.flylady.net/

http://vidaorganizada.com/como-comecar-no-sistema-fly-lady/ (gosto particularmente deste blog, ja conheço ha algum tempo, e tem dicas muito boas!)

http://www.organizando.org/p/fly-lady.html?m=1
Depois ha também varios grupos no facebook, em varias linguas, e que podem ser uma excelente fonte de motivação!

Em Março vou lançar aqui no blog o desafio dos “31 babysteps” para quem quiser aventurar-se a (tentar) mudar de vida! Suba a bordo deste comboio e surpreenda-se com os resultados!

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A propósito, Fly: Finally Loving Yourself (finalmente amando-se a si mesma!)

 

E assim vai a vida, aos olhos de uma mãe!