Educar com limites e responsabilidades!

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Estou longe de ser uma “embaixadora” da parentalidade consciente, embora me identifique mesmo muito com este conceito, e esteja convicta de que o caminho passa por aí.

No entanto, apesar de tudo tenho-me apercebido que mesmo sem saber, já aplico muitos pontos da parentalidade consciente na minha relação com os meus filhos. E hoje resolvi vir aqui falar-vos de dois deles: responsabilidades e limites.

Quando em parentalidade se fala em responsabilidades e em limites, quase de imediato se atribui a primeira aos pais e os segundos aos filhos. Os pais têm responsabilidedes e os filhos têm de ter limites. Mas, e se virmos as coisas por outro prisma?

Se ao invés de ver os limites como algo a impor aos filhos, estes fossem encarados como algo intrinseco a cada um de nós, e essencialmente aos pais? E se aos filhos também forem atribuidas responsabilidades?

Passo a explicar. Cada pai e cada mãe tem os seus próprios limites. Por exemplo, um dos meus limites é a linguagem “ordinária” e a “falta de educação”.

Reconhecendo os meus próprios limites, eu não imponho limites aos meus filhos, simplesmente respeito e faço respeitar os meus próprios limites, sendo importante para mim que eles compreendam isso! Por exemplo, cada vez que um deles diz um palavrão eu podia simplesmente dar um grito ou uma palmada e dizer “isso não se diz!”. Ao invés disso, a primeira coisa que faço é perguntar se eles sabem o que aquela palavra quer dizer, que na grande maioria das vezes não sabem. Explico porque não se deve dizer, e por vezes chego a perguntar “gostavas que a mãe te falasse assim ou te dissesse isso?”.

O mais velho está a entrar na pré-adolescencia e a linguagem está dificil de controlar, porque é assim que falam entre eles. Expliquei-lhe que a linguagem é um dos meus limites e disse-lhe que entre amigos falam como entenderem, mas desde que haja um adulto presente deve ter atenção a isso. Tenho de repetir este discurso N vezes, e nem sempre o consigo fazer com a calma desejada, mas ele sabe que este é um dos MEUS limites.

Mas, eles também têm limites, e cabe-nos a nós tentar perceber quais são, e ajudá-los a perceber os seus próprios limites, e respeitá-los também, o que por vezes é bem mais complicado.

Por exemplo, eu já percebi que um dos limites da Eva é o cansaço. A partir das 20h ela fica tão cansada que lhe é impossivel realizar de forma tranquila tarefas simples como comer, lavar os dentes ou ir fazer xixi antes de dormir. Eu comecei a perceber isso e a dizer-lhe “parece-me que a esta hora ficas muito cansada”, e hoje em dia ela própria sente quando começa a chegar a esse ponto e diz-nos “estou a ficar muito cansada” e nós sabemos que temos de “acelerar o ritmo” para ela poder ir descansar e ao mesmo tempo ser mais compreensivos caso ela tenha dificuldade em realizar essas tarefas, sendo que obviamente, a solução ideal seria que às 20h ela estivesse pronta para se deitar!

Quanto às responsabilidades, é obvio que as nossas enquanto pais são infindáveis. Mas e se atribuissemos também algumas aos nossos filhos? Adequadas à idade, claro!

Além de os tornar capazes, estamos a valorizar as suas competências e a mostrar-lhes que todos temos responsabilidades. Por exemplo, o meu mais novo tem a responsabilidade de comer sozinho, de arrumar o que desarruma, de não comer na sala, etc. Os mais velhos, de arrumar o seu quarto, de ajudar com algumas tarefas de casa (embora por vezes contrariados) como por a mesa, arrumar a cozinha, limpar o pó ou dobrar roupa. O mais velho é responsavel pelos seus TPC e avaliações, sabendo que sempre que achar necessário eu estou disponivel. Os três são responsáveis pelas suas coisas e os mais velhos já decidem até o que querem vestir (com o meu aval, claro 😛 ).

Por norma (sim, porque há sempre excepções!) não faço coisas que ache que eles têm capacidade para fazer. Posso ajudar, mas não substituir. E de um modo geral eles vão acabando por colaborar nas tarefas uns dos outros.

Acredito que graças a tudo isto, o respeito mutuo pelos meus limites e os deles e pelas responsabilidades de cada um, tenho três filhos com um excelente grau de maturidade e responsabilidade para a idade, que desde o mais novo ao mais velho percebem o valor de um “por favor” e de um “obrigado” e que mesmo assim têm espaço para descobrir o mundo e fazer asneiras como todas as crianças…

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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2 thoughts on “Educar com limites e responsabilidades!

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