O lado lunar da maternidade

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Fonte: “Baby Blues” cartoon

Sim, a maternidade tem um lado lunar! Mas não é politicamente correcto falar sobre isso! É que se falarmos sobre isso as outras mulheres podem deixar de querer ter filhos.

É quase como ter medo que as fabricas de chocolate vão à falência só porque é do conhecimento geral que o chocolate engorda!

Sim, há momentos em que as mães queriam ser apenas mulheres comuns durante umas horas.

Poder tomar um banho de imersão sem ser preciso por a “Peppa Pig” em modo replay durante meia hora, que é o tempo maximo que as “crias” ficam em frente à tv sem reclamar.

Poder arranjar as sobrancelhas ou fazer a depilação sem perguntar 30 vezes em décibeis elevados “esta tudo bem?” Ou “o que estão a fazer?” Esperando uma resposta que não a faça sair da casa-de-banho a correr a meio da tarefa.

Poder ir à casa de banho e demorar o tempo que precisa, sem pensar nas potenciais “cabeças partidas” e em todos os outros acidentes domésticos que podem ocorrer quando os filhos estão fora do alcance do olhar atento de uma mãe.

E, às vezes, as mães também têm dificuldades em gerir casa, trabalho, filhos e marido, ficando elas próprias para ultimo plano, e muitas vezes esse “ultimo plano” é adiado para o dia seguinte, para o mês seguinte, ou pensando bem talvez lá para o proximo ano…

E apesar de não demonstrarem, às vezes as mães também ficam frustradas por não conseguirem ter tempo para si.

“Sexo? O que é isso?” Muitas vezes no primeiro ano de vida de um bébé é como se a libido das mães tivesse saído juntamente com a placenta…
Os pais ficam frustrados, as mães ainda mais! Sim, não fiquem a pensar que as mães decidem fazer “greve” porque agora só têm olhos para o rebento… é mesmo algo que não conseguem controlar! E chateia, acreditem!

Às vezes, as mães têm vontade de perder a cabeça e agir como loucas histéricas quando os filhos resolvem fazer birras ao mesmo tempo em que se tem o jantar ao lume e se tenta desesperadamente estender mais uma máquina de roupa…

Às vezes as mães sentem-se a sufocar com tudo aquilo que têm de gerir e organizar 24h/24h, 7d/7d

E, às vezes as mães só gostavam de ter direito a uma “pausa kit-kat”…

E isto não faz delas más mães nem quer dizer que estão arrependidas… quer apenas dizer que são humanas!
*(No entanto, há um lado muito mais negro na maternidade, que só algumas mulheres conhecem… eu sou uma delas, há três anos atrás fui apanhada de surpresa nessa “noite sem lua”… mas isso será tema para um outro texto!)
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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TDAH – A doença da moda

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É certo e sabido que o THDA (transtorno de hiperactividade com déficit de atenção) é uma doença que está “na moda”;

Também se sabe que actualmente há muitos diagnósticos feitos “às três pancadas”;

Sabe-se que hoje em dia “todos os miudos são hiperactivos” e que basta uma criança ser um pouco mais irrequieta e/ou curiosa para o termo “hiperactividade” ser evocado por alguém;

Sabe-se que por aí se diz ser uma doença “inventada”;

Sabe-se que há “pastilhas mágicas” para sossegar miúdos e graúdos;

O que muitas vezes não se sabe, é que esta “banalização” social do TDAH leva ao sofrimento de muitas familias que se sentem julgadas e incompreendidas;

O que não se sabe é que este transtorno é uma doença real, uma doença neurológica, uma espécie de mau funcionamento das “linhas telefónicas” cerebrais, o que faz com que a transmissão de mensagens entre os diferentes lobos cerebrais não seja efectuada correctamente;

O que muitas vezes não se sabe é que na maioria dos casos são precisos anos de acompanhamento, diversas avaliações feitas por varios profissionais até se chegar a um diagnostico definitivo;

O que não se sabe é que o TDAH é uma doença extremamente dificil de gerir e capaz de levar à exaustão pais e filhos, sem que a boa educação ou a falta dela tenham alguma influência;

O que não se sabe é que a probabilidade de divórcio é 5 vezes maior num casal com filho(s) que sofram de TDAH com idades entre os 7 e os 12 anos.

O que não se sabe é que estas crianças tem uma autoestima do tamanho de uma ervilha, porque sabem que por mais esforços que façam – e acreditem que fazem! – nunca se conseguem comportar tão bem como o colega de mesa;

O que não se sabe é que crianças com TDAH não acompanhadas serão adolescentes com uma maior probabilidade de depressão, delinquência e tendências suicidas, devido ao sentimento de incompreensão pelo esforço que fazem e que raramente é reconhecido, porque na nossa sociedade ninguem vê esforços, apenas resultados;

O que não se imagina sequer é o sentimento de impotência dos pais ao verem os seus filhos sofrer assim…

O que não se imagina é a dor dos pais quando ouvem dizer que a doença que traz tanta dor à sua familia não existe… porque é como se lhes dissessem que todas as suas dificuldades são fictícias;

O que não se sabe é que as “pastilhas mágicas” são o ultimo dos ultimos recursos;

O que não se sabe, é que os filhos não ficam “zombies” com as “pastilhas mágicas” – como eu também pensava! – ficam é menos impulsivos e mais felizes!

O que não se sabe é que as “pastilhas mágicas” são o preço a pagar pelos sorrisos e pela auto-estima dos filhos, e não pelo sossego dos pais!

O que ninguém vê é o tamanho do esforço diário de pais e filhos para levar o barco a bom porto….

… Porque apontar o dedo é tão mais fácil!
Assim vai a vida…. aos olhos de uma mãe!

Amar em tons de azul

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“Transtorno invasivo do desenvolvimento”.

“Hmmm…. peço desculpa, mas isso é exactamente o quê?”
“Transtorno do espectro autista (TEA). O seu filho tem um transtorno do espectro autista.”

E o mundo desaba. E de repente sente o chão a fugir debaixo dos pés. E fica com tonturas. E não quer acreditar naquilo que esta a ouvir. É como um pesadelo do qual espera acordar a qualquer momento.

Nunca se está preparado para ouvir isto.

Os transtornos do espectro autista incluem varias perturbações, como por exemplo o transtorno autista, o transtorno desintegrativo da infância ou o síndrome de Asperger.

Mas o que fazer quando se enfrentam revelações tão perturbadoras?
Primeiro chore. Depois se for preciso chore um pouco mais. E negue as evidências. E questione-se acerca dos “porquês”. Permita-se este compasso de espera, esta primeira etapa de negação, este periodo de reflexão que é tão importante para preparar terreno para o que vem mais tarde. É importante porque sem querer, é durante este periodo de revolta que começa o seu “luto do filho idealizado”.

Depois é preciso ceder. E analisar factos. Pesquise e faça uma lista dos sinais/sintomas típicos do transtorno do seu filho, e va transcrevendo para uma folha de papel aqueles que um modo ou de outro, com mais ou menos subtilidades se encaixam no perfil do seu filho. Isto vai ajudar a avançar para o proximo passo. Se sentir necessidade, esta é também a altura ideal para procurar uma segunda opinião.

Aceite. Aceite as evidências que pôs em causa mas que estão lá. Aceite os factos que o levaram a procurar um acompanhamento. Aceite dar um nome a tudo aquilo que o seu filho e o seu núcleo familiar vivem. Aceitar também é perceber que não foram os pais que falharam na educação. Permita-se não carregar esta culpa.

Depois, após já ter negado, questionado e aceite, é hora de arregaçar as mangas. E ir à luta! Procure especialistas, opiniões e estratégias de intervenção.

Após o diagnóstico seguem-se tempos dificeis, de muitas consultas, avaliações e acompanhamentos.

Havera dias em que terá vontade de desistir, em se sentira vencido pelo cansaço. Dias em que a realidade da sua familia vai parecer tão dura, que vai questionar-se se valerá mesmo a pena continuar a lutar. Dias em que as crises de “meltdown” vão parecer consumir todo o oxigénio da casa e sufocar toda a familia (incluindo a propria criança!). Dias em que o peso de uma sociedade que não esta preparada para a diferença vai parecer esmaga-lo. Em que palavras como inclusão vão parecer estar fora do dicionário. Dias em que as únicas certezas serão as incertezas.

Para o ajudar a passar estes dias dificeis aqui estão três coisas que o podem ajudar:

– Não se sentir culpado! Por muito que gostasse, ser pai/mãe de uma criança com TEA não o tornou num super heroi dos filmes da Disney. Continua humano. De carne e osso. Com limites, e com direito a “dias não”, tal como todos os outros seres humanos. Não se culpe por isso.

– Faça qualquer coisa POR SI! Pode mesmo ser qualquer coisa! Ir ao cabeleireiro, ler um jornal ou uma revista numa esplanada, um banho de imersão, aquele filme que anda ha tanto tempo a dizer que gostava de ver, ou aquele livro que tem no armario à espera de ser aberto. Qualquer coisa vale, desde que seja PARA SI!

– Lembre-se da verdadeira razão pela qual enfrenta esta batalha! O amor faz milagres, mesmo em “dias não”!

Depois também haverá dias maravilhosos, em vai olhar para o seu filho e perceber que ele não é “um diagnóstico”! Ele é uma pessoa, maravilhosa e sensivel, que vê o mundo com outros olhos! E que lhe vai dar a oportunidade de conhecer o mundo através dos olhos dele!

E vai aprender a valorizar as pequenas conquistas como se fossem a coisa mais importante do mundo! E são! Naquele momento, para a sua familia essas conquistas são efectivamente a coisa mais importante do mundo!
E esses dias, fazem tudo valer a pena!

Para todas as mães e pais que ficam sem chão ao serem confrontados com este tipo de perturbações, lembrem-se de que um diagnóstico não define os vossos filhos! O que os define, como a todas as pessoas, é o seu carácter e os seus valores, e na grande maioria dos casos estes meninos têm um caracter genuíno e valores sinceros, onde a maldade, a falsidade ou a futilidade não têm lugar.

E independentemente de qualquer diagnóstico, lembre-se que a maior certeza presente nas vossas vidas, é a certeza de que fará tudo o que estiver ao seu alcance para o ajudar a enfrentar a vida e o mundo da melhor forma possivel, ultrapassando as dificuldades que podem ser ultrapassadas, e aprendendo a conviver com as dificuldades que ficarem.

Porque o azul é uma cor lindissima e também faz parte do arco-iris!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Organizando(me)

Três filhos, um marido, um gato, duas tartarugas, uma casa, um trabalho, um hobby, um blog.

Se tivesse que resumir a minha vida de uma forma muito simplista, seria assim.

Posso dizer que uma das perguntas que ouço com alguma frequência é “como é que consegues?” Por norma a resposta é um encolher de ombros e um sorriso.

A verdade é que eu também não sei. Uma das minhas grandes questões existenciais é “como é que alguem que nasceu sem o minimo sentido de organização consegue fazer tanta coisa?” Costumo dizer que a organização foi aquele item que a cegonha perdeu pelo caminho quando me foi entregar… (e se duvidas restarem perguntem à minha mãe como é que eu organizava o meu quarto em criança, e depois em adolescente!)

Na realidade tenho uma grande tendencia a dispersar-me quer nas minhas acções quer nos meus pensamentos, e embora não pare o dia todo chego muitas vezes ao final do dia com a sensação de que não fiz nem metade do que gostaria de ter feito…

Em relação a isto, uma das frases que ouvi que mais me marcou nos ultimos tempos foi de uma colega de trabalho, mãe de quatro, que me disse que a partir do 3° filho deviamos gerir a casa/familia como se de uma micro-empresa se tratasse.

Então, resolvi começar a contrariar este meu modo de ser -desorganizada e do “logo se vê”. Para isso, oganização, planificação e disciplina são palavras que treinei muito em frente ao espelho nos ultimos tempos!

E hoje apresento-vos o meu primeiro projecto nesse sentido: o meu “Control Center”! Já está feito ha alguns meses, mas só agora comecei disciplinadamente e obedientemente usá-lo de verdade!

 

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A sua construção não foi dificil, algumas horas no pinterest, muitas ideias, perceber o que era importante para mim no MEU “Control Center” e depois foi tentar conjugar o lado prático com o lado decorativo! Fiquei satisfeita com o resultado, e ter a informação toda reunida tem-se revelado muito útil!

O meu “Control Center” tem:
– um calendario com um espaço para cada um onde escrevemos horarios, consultas, datas importantes, etc.
– um quadro onde todos os domingos escrevo os menus da semana

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– um quadro com todos os horarios das actividades dos muidos (escola, jardim-escola, futebol, ginastica etc)

– um quadro com a programação das actividades diárias, uma folha para cada dia da semana onde tem já pré-registado todos os horarios das actividades fixas, e espaços em branco para o resto. Nessa folha também esta espaço para notas, coisas importantes e marcações (consultas e afins) para esse dia. Ao lado está uma folha com as tarefas de limpeza a fazer durante a semana.
– um quadro com as tarefas de cada um dos miudos, para irem anotando à medida que vão fazendo cada coisa. Não há castigos se não fizerem nem recompensas se fizerem, é simplesmente para poderem também eles controlar e organizar as suas tarefas.

 

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– um pequeno quadro para mensagens

– uma parte para colocar coisas a pagar e correio importante/a ser triado e/ou coisas a fazer.

 

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Espero ter dado boas ideias a outras mães para quem, como eu, a cegonha devia ter sido mais generosa na virtude da “organização”!
No próximo post sobre o tema vou falar-vos do método de organização que comecei a seguir no inicio do mês e que em pouco tempo permitiu que consiga ter sempre a casa em ordem e a roupa em dia! Começo agora a entrar no sistema de limpeza da casa com este método, que também me parece bastante prático! Mas isso, é para o proximo post!

E assim vai a vida, aos olhos de uma mãe 🙂

O mito do “Leite fraco”

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Fonte: Tela decorativa da Maternidade do Hospital de Morges (Suiça)

Mais uma noite no trabalho, relativamente calma. Quatro mães e quatro bebés ao meu encargo. Nessa noite duas das mães eram portuguesas. Faço a minha “ronda” ao inicio do turno, para ver como estão mães e bebés e para programar o trabalho, e uma das primeiras questões que surgem de uma das mães portuguesas é “e se o meu leite for fraco?”
É a questão que surge com 90% das mães portuguesas que passam pelo serviço. É sem duvida uma questão cultural, de tal forma que quando aqui cheguei todas as colegas me perguntavam de onde vem esta ideia das mães portuguesas.

Não há “leite fraco”. E são muitissimo raras as mães que fisiologicamente têm pouco leite. O que há são bebés que não sabem mamar, mães perdidas porque nunca ninguém lhes disse que a amamentação afinal não é assim tão instintiva e ao inicio até pode ser bastante complicada, e profissionais de saúde muitas vezes demasiado ocupados, muitas vezes sobrecarregados que não têm tempo para acompanhar correctamente estas mães.

Uma má pega pode influenciar muito o (in)sucesso da amamentação. Principalmente se não houver profissionais disponiveis para um acompanhamento adequado.

Este mito do “leite fraco” é alimentado por sogras, familiares “metediças” e amigas (da onça) que têm sempre uma palavra a dizer. Contra a mãe, claro. Porque mãe que é mãe (sobretudo se for de primeira viagem) tem que ser posta em causa.

E muitas mães acabam por ceder quando o bebé tem os chamados “picos de crescimento” – fases em que o bebé tem que demonstrar ao corpo da mãe que é preciso reajustar a produção de leite às suas necessidades, e durante dois ou três dias o bebé pede mama quase de hora em hora. Aqui, a mãe que ja tinha sido bombardeada com os simpaticos comentarios acerca do seu leite muitas vezes acredita que afinal é mesmo verdade e introduz um suplemento. (principais picos de crescimento: 3 semanas, 6 semanas, 3 meses, 6 meses)

Mas a unica coisa que nos diz realmente se um bebé esta a ser bem alimentado é o seu peso.

Por isso se tiver duvidas vá ao centro de saúde, fale com as enfermeiras, procure um “cantinho de amamentação” que já existe em vários centros de saúde, ou procure uma conselheira em aleitamento materno (CAM) perto da sua área de residência. Estes profissionais terão todo o gosto em ajudar!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira!

Hoje fazes 18 anos

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Hoje fazes 18 anos, e apesar da distância, o meu amor continua a crescer contigo.

Poderia dizer-te mais uma vez, o quão importante és para mim, agradecer-te mais uma vez por me teres mostrado o doce sabor da maternidade mesmo antes de ser mãe. Mas hoje fazes 18 anos, e para os teus 18 anos desejo muito mais que isso.

Para os teus 18 anos desejo que continues fiel a ti próprio, aos teus principios e aos teus valores. São eles que te definem e que fazem de ti a pessoa maravilhosa que és.

Que não deixes que ninguém te faça duvidar do teu valor nem do teu carácter.

Que continues a não te deixar influenciar quando sabes que algo não é correcto, só porque é “cool”.

Desejo que tenhas cuidado contigo, que não te ponhas estupidamente em perigo só porque sim.

Desejo que saias à noite, que te divirtas, que faças tudo o que um jovem de 18 anos deve fazer, mas que voltes para casa são e salvo.

Desejo que lutes sempre para realizar os teus sonhos, e que não desistas ao primeiro obstáculo.

Desejo que sejas um jovem adulto tão maravilho e responsável como o foste em adolescente.

Para os teus 18 anos desejo, acima de todas as coisas, que sejas Feliz!

 

Com todo o amor que sabes que tenho por ti,

Orgulhosamente, a tua “irmãe” 🙂