Até já Lisboa!

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Fonte da imagem: google.ch

Chegou a hora do “até já”. Das despedidas. De algumas lágrimas.

É um sentimento ambivalente, porque se por um lado já tenho “saudades de casa”, das minhas coisas, do meu cantinho e das nossas rotinas,  por outro lado já tenho “saudades de casa”, desta cidade encantadora, das pessoas que deixo, das que me fazem tanta falta, e das não consegui ver.

“Saudades de casa” e “Saudades de casa”. Da casa que tenho lá e da que deixo aqui.

Mas afinal onde é a minha “casa”? É onde levo a minha vida, ou onde deixei parte dela? É o sítio que escolhi para viver e ver crescer os meus filhos, ou aquele que me viu crescer e onde tenho as minhas raízes?

“Casa” é onde nos sentimos bem e é o que deixa saudades. “Casa” cheira à nossa essência e tem o gosto das recordações.

Ambas são a minha casa.  Em ambas me sinto bem. Ambas me fazem falta.

Mas neste momento de despedida é das minhas raízes e da minha gente que sinto mais saudades.

Quero chegar a “casa”. Mas não quero sair de “casa”.

É ter a sorte de ter duas “casa”, e o pesar de estar sempre longe de “casa”.

Assim vai a vida – melancólica – aos olhos de uma emigrante!

 

 

Mãe de 3: as 5 frases que mais ouço!

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Fonte imagem: google.ch

Ser mãe de três além de ser maravilhoso tem coisas muito engraçadas. Uma delas é o facto de ouvir constantemente as mesmas perguntas/comentários…

Hoje deixo-vos o Top 5 das perguntas/comentários que mais ouço quando as pessoas percebem que tenho três filhos:

Ah… são três??
Não, credo! O mais pequeno é só uma ilusão de óptica… 😛

O ultimo foi um acidente não foi? Já tinham o casalinho…
90% das pessoas que me abordam – excluindo familia e amigos – estão convictas de que o 3° foi “sem querer” porque já tinhamos um menino e uma menina… Mas como nós gostamos de fazer tudo ao contrário, foi mesmo a cegonha do primeiro a única que chegou antes de ser oficialmente convidada!

Agora já param por aqui certo? Já têm os meninos e a menina…
Juro que não percebo qual é a fixação do pessoal com o sexo das crianças! Se eu tivesse 3 meninos ou 3 meninas podia tentar o que faltava, mas como ja tenho ambos olham-me como se fosse um extra-terrestre quando digo que ainda pensamos ter pelo menos mais um!

Então, por este andar ainda vão fazer uma equipa de futebol??
Sim, misto! Estou a pensar fazer já a inscrição deles nos jogos olimpicos de 2032 para garantir vaga!

E são todos do mesmo pai?
Não é que isso mude alguma coisa, nem que tenham muito a ver com isso, mas por incrivel que pareça sim, são todos do mesmo pai. Fico com a impressão que só é normal uma mulher ter “muitos filhos” se forem de pais diferentes?

Mas afinal, eu só tenho um filho a mais que a maioria dos casais 😉

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

 

Haverá vida após a morte?

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Sou uma mãe abençoada. Posso abraçar, beijar e admirar os meus filhos sempre que quero. Posso sentir o cheiro deles, dizer-lhes o quanto os amo e o quão importantes são para mim, a qualquer hora.

Há oito anos atrás perdi o meu pai. Foi – e ainda é – muito duro. Mas, se eu perdi o meu pai, os meus avós perderam um filho. E a dor deles incomparável.

Hoje, 8 anos depois, o desgosto está marcado em cada expressão, em cada ruga, em cada recanto da casa. A casa onde passei os primeiros 15 verões da minha vida já não é aquela casa alegre e sempre à espera que dos filhos e netos para a encher de vida. É antes uma casa melancólica onde as fotos na parede nos transportam para outros tempos. É uma casa inundada de recordações de outrora, de quando a familia ainda estava completa.

Os olhos brilhantes e sorridentes que sempre conheci nos meus avós, hoje carregam um olhar baço e triste. As gargalhadas alegres hoje dão lugar a suspiros carregados de mágoa.

Por tudo isto, e porque conheço outras mães que passam pelo mesmo, dei por mim a questionar-me se de facto haverá vida após a morte de um filho.

Vida no sentido literal claro que sim. Mas refiro-me ao sentido mais abrangente do termo. Vida enquanto dádiva. Viver.

Parece-me, a mim que estou de fora – e espero estar durante toda a minha vida – que a vida passa a ser vivida em “piloto automático”. Sem chama nem alma.

Quantas vezes não perguntará a minha avó a Deus, ao Universo, porque não foi ela no lugar do filho? Quantas vezes oferecem estas mães a alma ao diabo em troca de mais um beijo, um abraço ou um sorriso?

Uma grande amiga disse-me um dia “se pensar na perda de um filho já é uma dor insuportavél, imagina vivê-la”.

Não imagino.

Esta semana vi a sombra da morte nos olhos dos meus avós. Olhos que se iluminam para os netos e bisnetos, mas que logo voltam a mergulhar na mesma sombra amargurada de quem perdeu um pedaço de si.

Quem me dera poder arrancar-lhes esta dor do peito.

Quem me dera que houvesse uma lei universal que proibisse a morte de um filho.

Aos meus avós, à minha amiga, e a todos os outros pais e mães que vivem este pesadelo, o mais profundo meu respeito.

 

Ser emigrante de férias no meu país…

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É ouvir que emigrante que se preze é bimbo de camisa aberta e crucifixo ao peito que ainda diz “Oh Joana ca**lho arrête de bater no teu frère!” e é rir com a situação apesar de saber que os emigrantes de hoje substituíram o crucifixo por um “canudo” e de “bimbos” têm muito pouco…

É ser turista na cidade que me viu nascer, é conhecer perfeitamente os “cantos à casa” e ainda assim olhar para cada recanto com os mesmos olhos enamorados de quem visita uma cidade pela primeira vez…

É lambuzar-me de caracóis, mariscos e enchidos, e outros pratos que vamos tentando reproduzir ao longo do ano, mas que nos sabem pela vida quando se come à beira mar ou na esplanada com amigos…

É achar que este calor é maravilhoso quando quase todos se queixam que está demasiado quente…

É querer aproveitar cada dia ao máximo, é deitar tarde e levantar cedo, e por isso voltar das férias mais cansados do que se veio, e a precisar de férias para descansar das férias 😛

É querer estar com todos aqueles que nos fazem falta, com todos aqueles com quem vamos falando e mantendo laços no Facebook e fora dele, e saber à partida que não conseguiremos estar com todos…

É ter um aperto no coração quando estamos com os nossos avós, pensando inevitavelmente que cada vez poderá ser a última vez, embora tenhamos consciência que isso pode ser válido para todas as outras pessoas…

É querer que estas duas semanas durem um mês, é não querer pensar no regresso, e é muitas vezes perguntar porque fomos embora…

É partir sempre com o coração pequenino, mas com a certeza de que voltamos em breve…

É amar de paixão esta cidade mas saber que somos cidadãos do mundo!

Assim vai a vida… aos olhos de uma emigrante!

As avós!

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As avós estão para os netos como a pastilha elástica está para o Epá: juntos é muito mais divertido!

As avós têm pózinhos de perlim-pim-pim que fazem com que os netos se portem sempre muito melhor com elas do que com os pais…

As avós têm um talento natural para proteger os netos do olhar fulminante de pais zangados substituindo frases – que elas próprias já disseram um dia – como “a paciência tem limites” por outras do estilo “deixa lá, ele(a) é pequenino(a)” …

As avós têm kilos de paciência que foram acumulando relogiosamente durante anos, o que faz com que raramente se zanguem, deixando sempre os pais em desvantagem…

As avós têm muito mais imaginação do que os pais, e conseguem inventar histórias fantasticas! Ah! E também não se importam nada de contar a mesma história dez vezes seguidas, fazendo as delicias dos netos que não se cansam de as ouvir!

As avós cozinham sempre melhor que a mãe, nem o bife com arroz tem o mesmo sabor na casa da avó!

As avós têm o direito de mimar sem ter a responsabilidade de levar a cabo a dura tarefa de educar. Ainda assim conseguem com uma destreza maravilhosa ajudar os pais nesse feito!

As avós são um dos maiores tesouros que os nossos filhos têm… e nós também 😉

Se podiamos viver sem as avós? Poder até podiamos, mas decididamente não era a mesma coisa 😉

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Sabes aquela tua amiga?

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Fonte imagem: Pinterest

Sabes aquela tua amiga que foi mãe há pouco tempo?

Aquela com quem tomavas café todas as semanas, que andava sempre bem penteada, unhas arranjadas e maquilhada?

Aquela que agora raramente vês, que agora demora 3 dias a responder ás tuas mensagens?

Aquela que encontraste por acaso a semana passada e quase não a reconhecias?

Aquela que em vez do cabelo arranjado tem um rabo-de-cavalo feito à pressa, e em vez da maquilhagem tem umas olheiras até aos pés e um ar de zombie saído do “The Walking Dead”

Pois é, essa tua amiga precisa de ti!

Vai a casa dela, manda-a para a cama 2 ou 3 horas. Se fores mesmo daquelas amigas do peito abre o frigorifico, vê o que falta, agarra no bebé que tem 2, 4, 6 ou 8 meses – pouco importa! – e vai as compras.

Quando chegares manda a tua amiga encher a banheira enquanto lhe fazes o jantar – ou o almoço! Dá uma olhada pela casa e vê que podes fazer em pouco tempo para a aliviares um bocadinho: põe roupa a lavar e estende ou apanha, passa-lhe o aspirador ou limpa-lhe o pó.

Finalmente senta-te com ela á mesa e conversem! Vai fazer-lhe bem conversar com alguém que não a vai julgar nem colar-lhe uma etiqueta de “incapaz”! E se ela chorar, não lhe digas que está deprimida, diz-lhe só que o que ela está a viver é normal e que não tarda tudo vai entrar nos eixos.

E se ela estiver mesmo com dificuldades relembra-lhe que os profissionais não mordem e a ajuda que dão pode ser preciosa! As vezes bastam duas ou três sessões para dar o empurrãozinho que vai aumentar a confiança e desbloquear a situação.

Para ti será apenas um dia diferente no meio de tantos outros… Para a tua amiga será o dia que fará toda a diferença no meio de tantos outros!

O primeiro ano de vida de um filho – seja o primeiro, o segundo ou o quinto filho! -é sempre uma verdadeira maratona olímpica. Nem sempre a adaptação a esta nova vida é fácil e muitas vezes a mulher apesar de esgotada não pede ajuda com medo de ser julgada, de sentir não estar à altura, ou simplesmente porque está tão cansada que só a ideia de ter de explicar tudo o que esta a viver já a deixa exausta.

Sabes aquela tua amiga?

Somos todas nós.

E todas nós, uma altura ou outra, precisamos de um amiga como tu!

Lembra-te disto da próxima vez que achares que “aquela tua amiga” está mesmo com um ar cansado 😉
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Ser mãe de uma criança TDAH

Ser mãe de uma criança com TDAH é saber que qualquer alteração à rotina significa que estamos tramados!

É saber que o final da escola e o inicio das férias de verão é um dos momentos críticos do ano.

É saber que as mudanças causam um stress fora do comum, que aumenta a pique a companheira agitação.

É começar o dia a ouvi-lo a cantar mais alto do que o sistema de som de um carro de tunning em pleno encontro.

É ter a impressão que a frase “pára de bater na tua irmã” já sai em modo “piloto automatico”

É passar o dia a ouvir contestação, oposição, e respostas tortas logo seguidas de um “oups!”

É saber que nestas alturas temos a dura missão de tentar encontrar o equilibrio entre o “dar um desconto” e o continuar a dar os limites tão necessários para manter alguma estabilidade

É ter um filho que sózinho nos exige mais energia em duas horas do que os mais novos juntos o dia todo

É ter vontade de chorar várias vezes ao dia simplesmente porque sentimos que naquele momento não conseguimos fazer melhor

É respirar fundo e começar de novo

É chegar ao final do dia ir deitá-lo, “enroscar” 5 minutos com ele e ouvir “mãe, quem me dera que o tempo parasse e que eu pudesse ficar assim contigo para sempre”

É saber que estes pequemos momentos fazem tudo valer a pena!
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!