Ser mãe empreendedora – parte II

Ser mãe empreendedora, é ter de lidar com imprevistos, mantendo a calma, fazendo prova de uma enorme flexibilidade e capacidade de adaptação.

No sabado passado, dei a primeira sessão de um workshop online sobre o bebé dos 2 aos 12m, no entanto, longe de ter corrido como eu esperava…

Quando esta sessão foi programada, o pai estaria de folga, no entanto trocaram-nos as voltas e teve de ir trabalhar.

Para não anular a sessão, tive de lidar com o imprevisto de estar sozinha com os três, o Francisco não querer dormir a sesta (o que é extremamente raro e tem logo de calhar nestes dias) e o gato andar a fazer asneiras, o que perturbou os primeiros 15 minutos da sessão. A partir daí, apesar de mais calmo, tive de ir dando resposta às necessidades da Eva que veio “reclamar-me” algumas vezes… apesar de tudo, acho que o balaço da sessão foi bastante positivo 🙂

Ora confiram tudo no video 😉

Saber ou não saber, porque mudei de ideias sobre o sexo do bebé?

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Quem nos conheçe, ouviu-me dizer desde o inicio que desta vez não iria querer saber qual o sexo do bebé. Para mim, achava eu, não iria fazer qualquer tipo de diferença… temos filhos de ambos os sexos, e apesar diferentes, ambos são experiências maravilhosas. Além disso, percebi que as diferenças nas experiências pouco tem a ver com o sexo do bebé, mas principalmente com o bebé em si. Tenho dois meninos que me proporcionam experiências muito diferentes, resultantes da individualidade de cada um, e uma menina maravilhosa também com as suas próprias vivências, emoções e personalidade.

Por estas razões achei que me seria indiferente saber o sexo do bebé.

E desengane-se quem julga que eu não aguentei a curiosidade até ao fim… porque de tudo o que me fez decidir perguntar o sexo do bebé, a curiosidade é a ultima da lista.

Mas então o que foi?

Foi um conjunto de varias pequenas coisas, e uma mais em particular que me deixou a pensar.

A primeira foi o facto de que a Eva estava convicta de que seria “um bebé menina”. Apesar de saber que não se pode escolher, ela tinha a certeza de que era uma menina, e ficava zangada quando alguém tentava insinuar o contrario respondendo um firme “mas não sabemos!”

Depois a “certeza” do pai de que seria um menino, sempre que falava para o bebé era como se este fosse o menino, o que me levou a pensar que se o pai estivesse errado não era muito boa ideia, não fosse a rapariga ficar com problemas de identidade.

E por fim, a cereja no topo do bolo: uma pessoa disse-me que também pensava assim, até ao dia em que a parteira lhe disse algo parecido com: “é claro que os pais é que decidem. Mas este bebé já tem um sexo, já é um individuo, masculino ou feminino. Este bebé começa a formar a identidade dele ainda na vida intra-uterina. Não deverá essa individualidade ser respeitada na íntegra desde já? Não terá ele “o direito” a ela?”

Muitos dirão que não tem nada a ver, que ê claro que respeitamos o bebé na mesma, e eu sei que sim. Mas fiquei semanas a pensar naquilo e em como aquilo me fazia sentido.

Até aqui, cada vez que falava com este bebé era sempre “meu bebé”, sem saber muito bem (embora tivesse fortissimas suspeitas). Desde ontem que tudo está muito mais claro, que visualizo o meu bebé, o meu rapazinho, de uma forma muito mais concreta. Embora até à hora da consulta metade de mim quisesse continuar na expectativa, hoje estou certa de que foi a decisão mais correcta.

A Eva teve uma reação de menina maravilhosa, mostrou que sabe expressar as suas emoções ao invés de as reprimir ou de as demonstrar sob forma de frustração, e principalmente que confia em mim, que se sente segura para o partilhar comigo. Ouvi-a dizer enquanto as lágrimas caíam “sei que não podemos escolher mas eu queria tanto uma menina…” Acompanhei-a nesses 5 minutos de desilusão e tristeza, abracei-a e estive presente. Depois exugou as lagrimas e disse-me: “eu queria mesmo muito uma menina, mas gosto muito do bebé na mesma” ❤

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

Vacinação, uma responsabilidade social!

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Escrevi o texto de hoje para o meu blog profissional Amamenta France, mas o assunto é tão pertinente que achei que merecia um lugar também aqui…

Nos ultimos meses, este assunto tem sido alvo de acesas discussões na internet e fora dela.

Sou profissional de saúde, e a minha visão vale o que vale, no entanto este é um assunto demasiado sério para ser debatido com a ligeireza que vejo habitualmente.

Se por um lado a vacinação é uma decisão dos pais, por outro lado, essa decisão vai influenciar toda uma comunidade. A consequências de vacinar ou não vacinar vão muito além do seio de cada familia.

Até há uns anos atras, quem decidia não vacinar estava a tirar proveito de uma alta cobertura vacinal em termos comunitários. O que quer isto dizer? Que enquanto havia uma grande cobertura vacinal em termos comunitários, a prevalência de certas doenças era irrisória, portanto, mesmo quando alguém tomava a decisão de não vacinar os seus filhos, estes beneficiavam da proteção de grupo que mantinha as doenças “longe”.

Com o passar dos anos e o crescimento dos chamados “movimentos anti-vacinas”, o numero de crianças não-vacinadas foi crescendo um pouco por toda a europa, e os casos mais ou menos esporádicos que beneficiavam da proteção de grupo, passaram a ser mais consequentes e a abrir “janelas” de não-cobertura permitindo que certas doenças se voltassem a propagar. A escolha que antes era vista como um “aproveitamento injusto”, hoje coloca em causa a segurança de todos.

Em 1998 uma revista publicou um artigo que relacionava certas vacinas com o autismo, o que causou o pânico e levou a um aumento brusco de crianças não-vacinadas. Esse estudo no entanto continha graves irregularidades e foi retirado pouco tempo depois. No entanto continuou a circular e as consequências têm sido terriveis.

Não há qualquer estudo sério e reconhecido sobre este assunto.

Se as vacinas poder ter efeitos secundários? Claro! Todos os medicamentos podem ter.

Porquê que os profissionais de saúde não informam os pais de tais efeitos secundários? Da mesma forma que não informam os pais de cada vez que prescrevem um paracetamol (vulgo ben-u-ron) ou um antibiótico.

Os pais têm acesso à bula das vacinas compradas, quanto às outras, os pais podem sempre pedir a bula aos profissionais e isto nunca será recusado!

Todos os medicamentos têm efeitos secundários.

O parecetamol por exemplo. Parece um medicamento inofensivo, mas está longe de o ser! Há quem use e abuse deste medicamento, e ouço até muitas vezes “até as gravidas podem tomar!”. No entanto, tem havido estudos que indicam que não será assim tão inofensivo na gravidez. E uma sobredosagem séria de paracetamol, seja em crianças ou adultos, pode ter consequências gravissimas!

Mesmo o paracetamol deve ser usado com muita precaução. Muitas vezes, as mães perguntam se devem medicar o bebé antes da vacina. A resposta é não. Medicação é para ser utilizada em casos de verdadeira necessidade. Dar um ben-u-ron antes da vacina não vai diminuir a dor da picada. Para isso há outras formas de alivio da dor que podem ser postas em prática no momento, como dar de mamar, por exemplo. O ben-u-ron pode ser dado após a vacina, se o bebé ficar irritavel, ou com sintomas locais, mas a maioria dos bebés nem chega a necessitar de medicação!

Stevens-Johnson é outro exemplo de um efeito secundário extremamente raro mas gravíssimo que pode ocorrer após a toma de qualquer medicamento em qualquer altura da vida, mesmo já tendo tomado o medicamento questão varias vezes!

Um dos medicamentos mais associados a esse síndrome é a amoxicilina. A amoxicilina é o principal componente dos antibióticos mais prescritos. Mas quantas pessoas sabem disso?

Será que os profissionais de saúde deviam alertar para estas questões? Se calhar deviam! Sempre que um medicamento é prescrito deveria haver uma espécie de “consentimento informado” sobre este assunto. Algo simples marcado na receita e que as pessoas deviam assinar, algo do género “Todos os medicamentos são susceptiveis de causar efeitos secundários, em casos raros esses efeitos podem ser graves. Declaro que tomei conhecimento deste facto e para mais informações comprometo-me a ler a bula do medicamento prescrito”.

Mesmo quando o assunto são vacinas!

E isto é uma questão de saúde publica.

Não vacinar com base em mitos ou artigos duvidosos coloca em risco anos e anos de avanço em saúde pública!

Temos a sorte de ter nascido numa zona do globo que nos permite ter acesso a cuidados de saúde que estão a anos luz de outras regiões. Temos a sorte de ter à nossa disposição recursos que nos permitem prevenir certas doenças.

A questão da vacinação está longe de ser uma decisão que afecta apenas cada um de nós!

A OMS está em alerta com a situação actual. O sarampo, que estava perto de ser uma doença erradicada na Europa, voltou em força e está a tornar-se preocupante! Há já dezenas de mortes a lamentar e centenas de casos por toda a Europa!

Longe de serem doenças “benignas”, a vacinação é a única forma de garantir a proteção de toda uma população, incluindo de quem por razões de saúde não se pode vacinar.

A proteção dos bebés pequenos e das pessoas imunodeprimidas (entre outros!) dependem da proteção comunitária! Se certas doenças podem ser quase inofensivas para crianças e adultos saudaveis, são potencialmente fatais para bebés e pessoas imunodeprimidas, como é o caso, por exemplo, da tosse convulsa. Mas há mais!! E a esmagadora maioria pode ser prevenida através da vacinação!

A vacinação, sendo fortemente recomendada, não é obrigatória na maioria dos países. Em Portugal não há vacinas obrigatórias. Em França só a DTP (difteria, tétano e poliomielite) é obrigatória.

No entanto, a vacinação mais que uma obrigação, é uma responsabilidade.

Todos nós, que vivemos em sociedade, temos uma responsabilidade comunitária! Uma responsabilidade que vai muito além das nossas quatro paredes!

Vale a pena pensar nisto 😉

Aqui fica a reportagem da sic sobre o assunto, e os links da OMS em francês e inglês sobre alguns mitos associados à vacinação…

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-03-31-OMS-preocupada-com-numero-crescente-de-casos-de-sarampo-na-Europa
http://www.who.int/features/qa/84/fr/

http://www.who.int/features/qa/84/en/

Amamenta France, existimos para informar!