Transmitindo valores: quando uma imagem vale mais que mil palavras…

Para grandes males, grandes remédios. Os meus filhos são miúdos espectaculares – ok, sou suspeita, mas são mesmo! – mas como a grande maioria dos miúdos da nossa sociedade hoje em dia estão “mal habituados”. Estão habituados a ter tudo, desde comida na mesa a brinquedos – felizmente! – não lhes falta nada. O problema é que tudo o que têm, têm-no de mão beijada. Para eles é normal ter-se (quase) tudo o que se quer. E ainda assim eu juro que não lhes dou nem de perto nem de longe tudo o que pedem, valha-me Deus, ou neste momento a minha casa seria uma mistura desequilibrada entre uma loja de brinquedos ambulante e a casa de guloseimas da história de Hansel e Gretel.

No entanto para eles é normal fazerem uma “birra” a cada “não” que é pronunciado pela mãe (ou pelo pai), reclamar quando o almoço ou o jantar não agrada, reclamar porque o primo do amigo do vizinho tem o novo modelo XPTO do não-sei-o-quê e aqui ainda só temos o modelo básico que já saiu há uma eternidade – tipo 2 anos!

Por isso, cansada de tanta reclamação, e porque não é isto que quero ver nos meus filhos, resolvi tomar uma atitude. Se há imensos valores que lhes quero transmitir, a gratidão e a solidariedade estão entre os primeiros. Mas para ser grato por aquilo que se tem, primeiro é preciso conhecer aquilo que não se tem. Conhecer o outro lado da moeda, aquilo de que às vezes se fala, mas que raramente se vê.

Por isso, há uns dias resolvi preparar um “livro” especial. Esse livro só tem 3 páginas. 3 páginas com imagens. Na primeira página, estão imagens de crianças com leucemia e crianças com paralesia cerebral. Na segunda página estão imagens de crianças com fome – a maioria de África. Na terceira página imagens da guerra civil na Síria. Preparei o livro e esperei pela ocasião de lhe dar uso.

A ocasião chegou hoje. O almoço era sopa de legumes e a Eva torceu logo o nariz. O Duarte – que até costuma gostar de sopa – também alegou que não tinha fome. Continuei nos meus afazeres e pus o almoço na mesa. Aí a Eva soltou a fera que há em si, e fez (mais) uma cena dramática digna de um filme de Holywood. Respirei fundo e fui buscar o tal “livro”.

Sentei-me à mesa e chamei-os. Perguntei o que viam na primeira página. “Meninos sem cabelo e meninos em cadeiras de rodas”. Expliquei o que se passava com aqueles meninos, a Eva é uma miúda muito sentimental/emocional/empática, e percebe bem a questão da cadeira de rodas. Já o Duarte fica mais tocado pela questão da Leucemia porque teve uma colega da escola que passou/passa por isso.

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1a página – todas as imagens foram retiradas do google

Virámos a página e apareceram as imagens das crianças desnutridas. Na cara deles qualquer esboço de sorriso que ainda havia desvaneceu de imediato. Expliquei mais uma vez o que se passava com aquelas crianças, a questão da fome, o porquê de todos os meses colaborarmos com um cabaz alimentar, etc.

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2a pagina – todas as imagens foram retiradas do google

Voltei a virar a página, as imagens (fortes!) da guerra na Síria. O Duarte empalideceu. A Eva também ficou apreensiva mas acho que não percebeu muito bem. Expliquei mais uma vez a questão da Síria, apesar de o Duarte acompanhar mais ou menos as noticias sobre este assunto.

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3a pagina – todas as imagens foram retiradas do google

Expliquei calmamente o porquê de lhes mostrar aquelas imagens. Porque quero que eles saibam o que se passa fora da nossa “bolha”, o que outras crianças da idade deles vivem todos os dias. Que enquanto a Eva faz birra que não quer comer a sopa há uma criança que daria tudo por um pedaço de pão. Que enquanto o Duarte refila porque eu me recuso a comprar-lhe um presente de 300€ há uma criança a morrer num bombardeamento na Síria, ou afogada a tentat fugir da guerra. Que enquanto nos queixamos da nossa vida, há quem lute pela sua numa cama de hospital.

Sem duvida que estas imagens (e as explicações que vieram com elas) tiveram o efeito que eu esperava. Deixaram-os a pensar. Servi a sopa e em silêncio vi a sopa desaparecer dos pratos. Num momento de hesitação da Eva em continuar a comer a sopa perguntei se queria olhar de novo para aquelas crianças, fez que não com a cabeça e acabou o seu prato.

Ficou combinado que a próxima vez que alguém ca em casa reclamar da vida -sejam os filhos ou os pais! – vai pegar naquelas páginas e olhar para elas durante 5 minutos para tentar perceber se tem mesmo razões para reclamar.

É claro que nem 8 nem 80, e esta reflexão não será para fazer por “dá ca aquela palha”, mas em momentos que o justifiquem verdadeiramente.

Haverá por aí quem julgue que o fiz foi uma barbaridade, mostrar imagens destas a crianças tão pequenas. Mas asseguro-vos que foi consciente e reflectido, acompanhado de explicações cuidadas. Quero que os meus filhos saibam que a nossa realidade infelizmente não é a realidade de todas as crianças. Quero que saibam que há coisas como doenças, guerras, fome ou até maus tratos infantis. Sem sem os “sufocar” com isto, mas que saibam que existem.

E se possivel que deixem de reclamar tanto da sopa e dos legumes 😁

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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10 passos para um dia-a-dia mais ecológico

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Este post estava prometido já há alguns meses, demorou mas chegou! No entanto tenho de admitir que este tempo de “latência” serviu para testar realmente as estratégias, e perceber quais vieram para ficar, quais tiveram de ser reformuladas, ou ainda quais iriam ser guardadas na gaveta para voltar testar mais tarde.

Isto apenas o começo da nossa caminhada, e acredito que em familia vamos continuar a desenvolver a nossa consciência ecológica!

Básicamente, neste momento, a nossa estratégia baseia-se em tentar produzir o menos lixo possivel.

Ora se tentarem imaginar que cada familia da sua cidade produz um saco de lixo por dia, e se multiplicar isso por todas as familias de todo o mundo, isto dá um numero -no minimo –  assustador! Agora pensem que TODO esse lixo ora é queimado (produzindo fumos nocivos), ora é enterrado em aterros sanitarios, repetindo-se isto, TODOS OS DIAS. Não vos assusta?

A Eva dizia-me uma vez qualquer coisa como “mãe, se continuarmos todos a fazer tanto lixo, qualquer dia o planeta abre um buraco. E se isso acontecer, estamos todos perdidos…”

Não imagina a minha menina a que ponto tem razão.

O texto já vai longo – como sempre! – e por isso aqui ficam então as estratégias que já foram adoptadas cá em casa tendo em vista um dia-a-dia mais ecológico!

1) Tudo o que se faz em casa, além de mais saudavel, também evita embalagens desnecessárias, logo, menos lixo!

Esta foi uma das primeiras coisas que fiz cá em casa, porque reúne duas das minhas principais preocupações neste momento: ecologia e alimentação saudável! Ao mesmo tempo que controlo o que se come ca em casa, evito as embalagens desnecessárias. Comecei assim a fazer muitas coisas em casa, desde cookies, bolinhos, iogurtes, pão etc. Se dá um pouco mais de trabalho? Dá. Mas o que se ganha compensa muito! As vezes ainda compro pão – aliás, desde que não como pão que não o faço e já começam a reclamar ca em casa… – e iogurtes por norma uma vez por mês (o objectivo é deixar de vez). Mas o facto de ter decido acabar com a grande maioria dos produtos processados, também ajudou neste ponto.

2) Sacos reútilizaveis e compras a vulso

Ao inicio não foi fácil e esquecia-me constantemente dos sacos, até que no verão na feira da terra da minha avó, o marido me ofereceu um cesto de compras girissimo! Tenho também sacos de rede para frutas e legumes, e sacos de pano para as compras a vulso! Tenho ainda um saco de congelação todo catita do IKEA, sacos em tecido para as compras de supermercado, e um cartão de ovos vazio que levo para abastecer com ovos biológicos de galinhas criadas ao ar livre. Neste momento já é automático: penso em compras, penso nos meus sacos! Outra coisa importante são as compras a vulso. Além de controlar a quantidade daquilo que compro, evito novamente embalagens desnecessárias. Deixei de fazer “stocks” como se o mundo fosse acabar. Acabaram-se as dezenas de pacotes de arroz, massas, latas de atum etc. Neste momento compro o essencial para uma semana. Tento planificar os menus para a semana e as compras giram em função disso. Além de mais ecologico é muito mais económico!

3) Recorrer cada vez menos às grandes superficies

Porque a ecologia está directamente relacionada com o desenvolvimento sustentável, podemos afirmar que tudo o que é produzido “em massa” é muito pouco ecológico. Por esta razão troquei a secção de frescos das grandes superficies pelos produtos biológicos de uma loja de rua. Troquei os ovos “em massa” por ovos de galinhadas criadas ao ar livre. Tenho a sorte de morar no campo e de poder comprar alguma carne directamente aos produtores, mel directamente ao apicultor, queijo na queijaria.. e a minha “investigação” continua: quero encontrar um talho de rua com qualidade, onde me possa abastecer não só de carne mas igualmente de charcutarias e afins…

4) Trocar a típica esponja da loiça por escovas 

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Além de mais ecológicas, pois duram mais tempo, evitam o típico acumular de “coisas” que as esponjas promovem… primeiro estranha-se, depois entranha-se! Ao inicio achei estranho, mas hoje sou fã! Lavam melhor que as esponjas!!

5) Substituir taças de plastico e papel vegetal 

Apesar de ainda estar em fase de “transição”, já tenho poucas taças de plastico, e de cada vez que comprar a partir de agora, serão em vidro! O vidro além de mais duradouro, é mais saudavel e mais ecológico! Já o papel vegetal foi substituido por tapetes de silicone.

6) Voltar aos sacos do pão e aos guardanapos de pano 

Quando comecei a pensar neste assunto a sério, apercebi-me da quantidade de guardanapos de papel que eram usados nesta casa… um pacote não durava mais que 3 ou 4 dias. Nessa altura decidimos que os guardanapos de pano seriam uma excelente opção ca para casa! A minha avó fez umas capinhas todas janotas para personalizar a coisa e funciona 5*!Assim como os sacos de pão em tecido, substituindo os sacos plásticos!

7) Começar a usar produtos naturais, e fazer os meus próprios produtos de limpeza

Vinagre, bicarbonato de sódio, cristais de soda, sabão negro, sabão de marselha, limão, etc. São produtos naturais -e batatos! – com propriedades fantasticas, que têm sido os meus melhores amigos no que diz respeito à limpeza da casa! Assim como os óleos essenciais, que têm propriedades que eu desconhecia completamente mas que estão a revelar-se fenomenais! (Qualquer dia faço um post sobre estas relíquias!) Já fiz desde liquido para a loiça, produto limpeza multi-usos, anti-calcário, detergente para a roupa, etc, e estou super contente! Mantenho a casa limpa com produtos mais baratos e menos poluentes!!

8) “Toalhitas” de pano

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Estas luvas de banho vieram substituir as toalhitas que usava na cozinha para limpar as mãos e a boca aos miudos quando acabavam de comer. De manhã vou buscar uma que permanece na bancada e é usada durante todo o dia para este efeito. À noite vai para o cesto da roupa e pronto! Substituem igualmente as toalhitas ou algodões desmaquilhantes enquanto espero pelos meus “quadradinhos desmaquilhantes” que uma amiga me fez:

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9) Bye bye desmaquilhantes caríssimos e poluentes!

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O óleo de coco extra virgem tem propriedades fantástiscas e muito versáteis! Há quem use como pasta de dentes juntando oleos essenciais de menta por exemplo, eu já experimentei como desodorizante (mas tenho de reformular a receita porque me pareceu que ao final de três semanas perdeu eficácia), e uso como desmaquilhante/creme de noite. Não arde nos olhos, deixa a pele super macia! Apenas ponho uma quantidade minima na luva de banho, e passo na cara toda. No final passo por agua e seco. Estou fã!

10) Para as senhoras: a diva cup! 

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Depois do nascimento da Eva decidi experimentar o copo menstrual por sugestão de algumas amigas que já usavam! Adoro! Já não me vejo voltar para pensos e tampões e afins!! Confortavél, higiénico e ecológico! A meu proxima compra serão os protege-slip lavaveis!

Estas são as estratégias que já estão consolidadas ca em casa, sempre que forem aparecendo outras eu venho contar-vos tudo!

No entanto haverá quem -e com alguma razão – diga que sou uma “falsa ecológica”, simplesmente porque o consumo de carne é o que mais afecta o nosso planeta neste momento. Diminuir o consumo de carne está nos meus objectivos, só ainda não estou preparada para dar esse passo… no entanto aconselho quem puder a ver o documentário “cowspiracy” que elucida muito acerca deste tema controverso… ainda só consegui ver metade, mas o que vi já me deixou a pensar!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!