Um, dois, três (quatro!)… la vamos nós outra vez!

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Pois é, as chuchinhas vão aumentar! (E com isto são cada vez mais chuchas e menos halteres 😅)

Mas antes que perguntem, não, não foi um acidente! Foi antes uma decisão muito ponderada… quer dizer, suficientemente ponderada, porque no que diz respeito a ter (mais) filhos sempre que se pondera muito acaba por se adiar a decisão, porque devido a uma ou outra razão, nunca é a altura certa…

Assim, ponderámos o suficiente, pondo de um lado da balança a nossa imensa vontade de ter uma familia grande, e do outro as restrições mundanas capazes de pôr travão a qualquer sonho.

Primeiro, ponderámos os aspectos mais práticos, como a questão financeira (muito importante!), quem ficara com eles quando eu de facto voltar a ter uma vida profissional mais activa, etc…

Depois, percebemos que durante alguns anos continuarei a trabalhar a “meio-gás” ou, idealmente, a “três-quartos de gás”.
Percebemos que se durante mais uns anos não podermos ir ao restaurante sempre que nos apetecer, encomendamos umas pizzas e comemos em casa. Que se não pudermos fazer duas semanas de férias transatlânticas, faremos uns dias de férias na Europa (diz que há sitios maravilhosos aqui ao lado!).

Depois ponderámos a continuação das noites mal dormidas, o prolongamento por mais uns anos da casa em “estado de sítio”, a gestão contínua das frustrações (também conhecidas como birras), as guerras de irmãos que são proporcionais ao numero de filhos, e ainda as nossas saídas românticas (ou neste caso a raridade das mesmas)…

Depois percebemos que eles não serão pequenos para sempre. Que rápidamente seremos nós a ter de os acordar para almoçar… Que mais depressa do que imaginamos deixaremos de ter brinquedos espalhados pela casa… Que num abrir e fechar de olhos voltaremos a ter os nossos jantares tranquilos, sem ter quem nos interrompa a cada vez que tentamos formular uma frase. Que quando dermos conta, as birras serão substituidas por um “hoje volto tarde, não te preocupes”.
Que a infância deles passa rápido demais, e que enquanto tivermos condições queremos aproveitar ao máximo esta fase maravilhosa da nossa vida: a de ter crianças pequenas!

Percebemos que o amor que temos um pelo outro e pelos nossos filhos, é superior ao medo que temos de perder de vez a nossa sanidade mental!

E assim decidimos embarcar em mais uma aventura. Uma aventura em que aquilo que recebemos é tão “mais” do que aquilo que perdemos!

Como diz o pai, esta aventura é um misto de felicidade e pânico, mas é sobretudo mais um passo para a vida que queremos viver, ao invés de ficarmos presos à vida que os padrões sociais e o medo de arriscar nos tentam impor!

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe apaixonada!

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Porque é urgente devolver o poder de escolha/decisão aos pais!

“Todos os pais são largamente regados de conselhos bem intencionados, e  de”perguntas” cheias de entre-linhas sobre a educação que dão aos seus filhos.Tudo se diz, e o seu contrario. Os pais recebem uma abundância de conselhos. Mas, soma feita, pouquíssima informação. (…) Os pais tem muita dificuldade em fazer a triagem das diversas concepções. Rapidamente se sentem desorientados, e até mesmo desamparados.  ”

Isabelle Filliozat in “Au cœur des  émotions de l’enfant” (tradução do excerto da minha exclusiva responsabilidade)

Este paragrafo de Isabelle Filliozat resume muitíssimo bem o que se passa na nossa sociedade hoje em dia.

Assim que a mulher engravida, os conselhos chovem de todos os lados, e uma vez que tem o bebé nos braços, esta realidade intensifica-se.

Pessoal de saúde, família, amigos, conhecidos, a senhora da pastelaria e até mesmo desconhecidos! Toda a sociedade se julga no direito de impor, julgar e questionar as escolhas e as decisões dos pais. Mas como o diz Isabelle Filliozat, poucas pessoas se preocupam em informar verdadeiramente os pais. “Deve fazer assim”, “tem de fazer assado”, “no seu lugar eu faria cozido”. Aos pais, resta muito pouca margem para fazer escolhas. Acabam, na maioria das vezes, por tomar decisões mais ou menos impostas.

Como consequência temos, cada vez mais, pais com pouca confiança em si mesmos e a tomar decisões sem estarem verdadeiramente seguros das suas escolhas.

Cada mãe/pai deve poder ser capaz de tomar as melhores decisões para o seu filho, a sua família, a sua realidade.

Escrevi este texto para o meu site  “Tour d’Amour” (o meu GRANDE projecto, a minha grande aposta, o meu sonho quase a tornar-se realidade!)

Poderia dizer muito mais acerca deste assunto. Que se tornou numa imensa bola de neve, onde o pessoal de saúde cada vez é mais invasivo e autoritário, cada vez impõe mais e informa menos, com medo que algo aconteça ao bebé. Isto porque cada vez mais pais processam o pessoal de saúde quando algo não corre bem, empurrando para eles toda a responsabilidade no assunto.

Mas, vamos pensar um pouco, porquê que isto acontece?

Porque os pais cada vez mais são despojados das suas responsabilidades. “Eu fiz isto porque tal pessoa me disse para fazer!”

E eu assisti a essas imposições enquanto trabalhei na maternidade! “O bebe TEM de dormir de costas” “é PROIBIDO o bebé dormir na cama dos pais”. Estas eram, entre outras, as mais comuns. E isto é tirar todo o poder de decisão e de responsabilidade aos pais!

Não seria mais correcto dizer algo do estilo “A OMS recomenda deitar os bebés de barriga para cima, porque de acordo com estudos feitos, provou-se que é a posição mais preventiva da morte súbita do lactente por causa disto e disto e disto”? E os pais, sabendo todos os riscos e todos os porquês, tomam as suas decisões.

E claro que ha excepções! Claro que ha profissionais a agir desta forma! E claro que ha famílias cuja capacidade de analise e reflexão esta  muito comprometida, e nesses casos deve falar-se de forma mais assertiva.

Mas aquilo que deveria ser a excepção e não a regra, esta de pernas para o ar.

No meu texto original continuo, e explico a minha forma de trabalhar:

“Nos queremos que o nosso acompanhamento possa ajudar os pais a renovar a confiança nas suas competências parentais.

Para isso, comprometemo-nos a:

  • Informar (informações actuais e fiáveis)
  • Escutar (escuta sem julgamento)
  • Estar disponíveis (disponibilidade para responder às suas questões)
  • Acompanhar (acompanhamento nas suas escolhas)
  • Trabalhar a auto-confiança (o facto de se sentir informado e acompanhado permite aumentar a sua auto-confiança)

Cada bebé, cada mãe/pai, cada família são únicos e especiais, por isso são sempre o centro de cada uma das nossas intervenções.

As vezes perguntam-me: “E se os pais decidirem, por exemplo, que a criança só pode comer de manha e a noite? Vai acompanha-los na sua escolha? ”  Ora, isso para nos não é um direito de escolha, pois o nosso acompanhamento compromete-se a garantir que todas as necessidades da criança são asseguradas.

Mas quando falamos de necessidades asseguradas, não ha uma forma única de o fazer correctamente. E isso é o mais importante: que cada mãe/pai possa sentir que toma as suas próprias decisões, aquelas que são as mais adequadas para a sua família e para a sua realidade naquele momento da sua vida, e não as que os outros acham as mais indicadas.”

Quem me conhece sabe que sou a 200% a favor da amamentação! Mas terei o direito de o impor? Terei o direito de julgar uma mulher que opta por não amamentar? Serei mesmo eu, a pessoa indicada para saber o que é melhor para aquela mãe, para aquela família? Sera melhor uma mãe que amamenta por imposição (conheci algumas!) em que por causa disso a mãe não se sente bem, a amamentação não corre bem, o bebé não ganha peso, e a relação mãe/bebé sofre com este stresse? Ou sera preferível uma mãe segura de si, que não amamenta, mas que tem uma óptima relação com o bebé?

O meu papel é o de informar! Informar que o leite materno é o melhor para os bebés por causa disto e disto e disto. Mas não posso dizer “o leite materno é o melhor para O SEU bebé”. Se falarmos em termos nutricionais sim, mas e tudo o resto? Eu não posso saber o que é melhor para aquele bebé/mãe/família!

E quem fala da amamentação fala de imensas outras coisas!

Alguém gosta de ouvir um “não porque não!” ou um “sim porque sim!”? Mas era isto que eu via todos os dias ser transmitido aos pais.

Acompanhar sem impor. Porque é urgente devolver o poder de escolha/decisão aos pais. Porque é urgente parar de impor. Porque é urgente começar a informar correctamente!

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira!