Estar longe não se explica, sente-se!

Actualmente são diversos os motivos que levam os jovens (e não só) a sair do nosso belo país à beira-mar plantado… sai-se à procura de oportunidades que neste momento Portugal não tem capacidades para oferecer. Sai-se em busca da qualidade de vida que se esta a perder em Portugal. Sai-se em busca de novas experiencias, de estabilidade financeira, de melhores condições de trabalho.

Mas independentemente da razão que motiva a saída, a saudade é algo que se leva na bagagem.

Estar longe não se explica, sente-se! E quando se esta longe, alimenta-se a alma com recurso às novas tecnologias. Mas as tecnologias não têm o cheiro nem o toque, não dão abraços apertados nem beijinhos nas bochechas…

Por mais integrado que se esteja no país de acolhimento, por mais que se diga que a vida agora é aqui e que regressar é algo que já não faz parte do plano, a dor da ausencia fisíca não diminui. A dor da distância que nos separa daqueles que amamos parece ser uma companheira para a vida. A dor de ver netos a crescer longe dos beijos carinhosos dos avós e das histórias contadas na cama com uma paciência que parece nunca acabar. A dor de ver sobrinhos a crescer sem os beijos, abraços e xi-corações apertados dos tios. A dor de deixar de acompanhar o crescimento dos irmãos. A dor de não ter o miminho da mamã em dias dificeis. A dor de estar longe.

Mas a cada vez que se dá o reencontro, tudo é vivido mais intensamente, cada momento é unico, tudo ganha mais amplitude, tudo parece mais genuino. E cada abraço, cada beijo, cada mimo, cada contar de histórias, cada brincadeira, parece recarregar baterias, as mesmas baterias que se vão usando e desgastando durante a ausência fisíca.

A familia é o combustivel da alma, o exilir da vida, o que aquece o coração…

E neste momento eu estou de coração cheio!

Uma mãe suficientemente boa

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Era uma vez uma mãe, e outra mãe, e outras tantas. Todas elas tentavam dar o melhor de sí aos seus filhos. E nenhuma delas conseguia ser uma boa mãe.

O leite da mãe que amamentava era fraco e sempre que o seu bebe chorava era com fome porque o leite da mãe não era bom. A mãe que não amamentava (por razões pessoais ou simplesmente porque não teve o apoio que necessitava para fazer a amamentação funcionar) via o seu bebe chorar por culpa do leite de lata, pois toda a gente sabe que o leite de lata dá mais cólicas aos bebés.

A mãe que mal ouve o bebe chorar lhe da colo, está a tornar o bebé numa criança mimada e mal habituada. A mãe que deixa o bebe chorar é fria e esta a tornar o seu bebé numa criança insegura.

A mãe que trabalha não gosta dos filhos. A mãe a tempo inteiro não gosta de sí.

De qualquer forma, façam o que fizerem há sempre uma crítica (destrutiva, claro!) a fazer às mães. Há sempre um familiar, uma vizinha, ou uma amiga da onça prestes a soltar algum tipo de conselho ou opinião que ninguém pediu.

A juntar a isto, nós as mães, temos uma pré-disposição genética para o sentimento de culpa. Conseguimos sentir-nos culpadas de todos os males do mundo sem ter fazer um grande esforço. Ambicionamos a perfeição, sabendo à partida que ela não existe. Mas continuamos a exigir demasiado de nós próprias, numa insatisfação crónica e permanente, acompanhada pelo sentimento de culpa de achar sempre que podíamos ter feito melhor. E se calhar podíamos. Pode-se sempre fazer melhor. E não há mal nisso.

Mas afinal, não estará cada uma de nós a dar realmente o melhor de sí, e a fazer o melhor que pode e que sabe com os recursos disponiveis e as condições que tem? Não estará na hora de parar de procurar a maternidade perfeita e cada uma de nós aceitar ser apenas uma ‘mãe suficientemente boa’?

Este conceito, da ‘mãe suficientemente boa’, apareceu no meu caminho há relativamente pouco tempo, mas acho que faz tanto sentido que repito a frase para mim mesma constantemente. Na realidade é um conceito estabelecido por Donald Winnicott, um pediatra, psiquiatra e psicanalista, que explica que uma mãe não se deve dar aos seus filhos nem a menos (por razões obvias) nem a mais. Ele defende que uma mãe perfeita seria prejudicial ao desenvolvimento da criança, pois dar-lhe-ia tudo sem que a criança pudesse ter tempo de aprendrer a conhecer e gerir todas as suas emoções, principalmente em termos de desejos e frustrações, emoções essas que são fundamentais para a construção do seu “Eu”. Assim o ideal é uma mãe suficientemente boa, que responde de forma equilibrada às necessidades da criança.

Agora pensem: afinal, não é isto que fazemos? Respostas equilibradas às necessidades das nossas crianças, nem aquém nem além das expectativas.

Posto isto, cara sociedade, está na altura de parar de apontar o dedo às mães só porque sim. E nós, caras mães, esta na altura de pararmos de procurar a perfeição.

Cada uma de nós é perfeita nas suas imperfeições, e cada uma de nós é a mãe perfeita para o(s) seu(s) filho(s)!

O descanso dos guerreiros

Podia começar este texto explicando aquilo que ja todos sabemos, que é importante que as crianças se deitem cedo, de que forma isso as afecta, etc etc etc… mas hoje os guerreiros de quem vos falo somos nós, os pais! Sim! O descanso dos pais!! Soa bem não soa?! Bom, na realidade toda a gente sabe que o  descanso dos pais é directamente proporcional ao descanso dos filhos. Quanto mais os filhos descansam (dormem) mais os pais descansam (não necessariamente a dormir).

Quando cheguei à Suiça, ha 5 anos atras, o meu mais velho tinha 3 anos, deitava-se entre as 22h e as 23h. Na altura fez-me muita confusão quando soube que os suiços jantam as 18h e as 19h-19h30 os filhos vão para a cama. Hoje, posso dizer-vos que isto não só é o melhor para os filhos como também para os pais!! Foram precisos 5 anos de pratica para finalmente hoje conseguir deitar os meus entre as 19h45 e as 20h15 (confesso que antes disso acho demasiado cedo). Mas é preciso ser persistente, muito metodico e discilplinado. Cá em casa por exemplo as 18h começam os banhos e a preparação do jantar, as 19h-19h15 o jantar esta na mesa e assim por volta das 20h vamos deitar os miudos.

Quais as vantagens? Em primeiro lugar vamos deita-los enquanto ainda temos paciência suficiente para que a hora de deitar seja um momento de qualidade entre pais e filhos ao invés da continuação do corre-corre do dia entre um “despacha-te a lavar os dentes que ja é tarde” e um “hoje não ha tempo para histórias, dorme ‘mazé’ que amanha tens de te levantar cedo”.

Deitar os filhos antes da paciência nos abandonar permite lavar os dentres entre ‘a saia da carolina’ e a ‘quinta do tio manel’, permite a ‘historia da carochinha’ contada a meias ja na cama e um ataque do ‘monstro dos beijos’ (se for a mãe) ou do ‘monstro das cócegas’ (se for o pai) antes de apagar a luz. E tudo isto permite que os nossos rebentos adormeçam mais serenamente e com menos birras.

Lembro-me de quando estive gravida do Francisco dizer ao Duarte que se o fosse deitar após as 20h30 ja não havia historia porque a essa hora a mãe ja estava rabugenta do cansaço, e ele proprio ja olhava para as horas e quando era mais tarde dizia “mãe  ja sei que hoje ja estas rabugenta” e la se deitava sem levantar muitas ondas.

A outra GRANDE vantagem de deitar cedo os filhos é que nós, OS PAIS ficamos com tempo para NÓS!!! Para as nossas coisas, para o casal! Posso dizer-vos que aquelas 2 ou 3h só para nós ao final do dia sabem maravilhosamente!! Conseguir conversar sem sermos constantemente interrompidos, podermos ver um filme do inicio ao fim, poder trabalhar, ou simplesmente ler um livro (ou escrever para um blog)…

Outra vantagem é que uma ou duas vezes por mês damos o jantar aos miudos primeiro e depois de estarem na cama jantamos nós num  calmo ‘tête-à-tête’.

Ha tempos li um texto escrito por uma mulher que não quer ter filhos, que basicamente dizia que se escolhemos ser mães ja sabemos ao que vamos e perdemos o direito a ter tempo para nós. Nunca na minha vida li algo tão errado. Não tenho nada contra a sra não querer ter filhos, é uma opção que cabe a cada um. Mas não é justo dizer que quem tem filhos tenha de viver exclusivamente por e para os filhos abdicando de todas as suas outras vertentes. Isso não é saudavel. Nós temos filhos, mas continuamos mulheres (e homens) de carne e osso. Temos necessidade de cuidar de nós. Da nossa individualidade, do nosso casal. Se queremos dedicar tempo de qualidade aos nossos filhos precisamos de saber que também  teremos tempo de qualidade para nós. E se o nosso descanso é directamente proporcional ao descanso dos nossos filhos, o bem-estar deles é directamente proporcional ao nosso. Se nós estamos bem eles estão bem!

Bem sei que o ritmo de vida em portugal não favorece muito quem quer deitar cedo as crianças…. mas quem consegue ganha anos de vida!