Carta ao João Pestana

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Enquanto os miudos começam a escrever cartas ao Pai Natal… eu escrevo ao João Pestana, que no fundo é assim como se fosse o meu Pai Natal (dormir uma noite seguida era ca um presentão!!!)…

“Caro João Pestana, tenho reparado que com o tempo tens descuidado um bocadinho o teu trabalho ca em casa, lembro-me que quando o Duarte nasceu eras mais cuidadoso!

Queria dizer-te que ainda não acertaste na quantidade de “pózinhos de perlim-pim-pim” que deixas na cama do Francisco ao final do dia, pois só duram cerca de 1h30/2h…

Em segundo lugar, desconfio que precisamente nessa altura passa por aqui uma das tuas rivais, a “bruxa-má anti-sossego-dos-pais” e transforma o que sobra dos teus pózinhos em desconfortaveis picos, assim tipo urtigas invisiveis aos olhos dos pais, mas que incomodam muito o bebe sendo impossivel deixa-lo na cama… e com um efeito longo, que dura até à 01h-02h da manhã… podes tentar fazer algo a esse respeito?

E em terceiro lugar gostava de perceber porquê que todas minhas as amigas têm bébés que dormem toda a noite quase desde que chegam da maternidade e eu em três tentativas ainda não consegui nem uma amostra disso?

Sabes que a privação de sono é mais potente do que todas as hormonas da gravidez e do pós-parto juntas num cocktail?

Se conseguires equilibrar um bocadinho mais as coisas ca por casa eu e o marido agradecemos! É que eu já nem digo coisa com coisa!

Atenciosamente,
A Mãe do Duarte da Eva e do Francisco”

E por aí, o João Pestana tem estado à altura?

Pai, estamos em minoria!

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Eu e o marido entrámos no maravilhoso mundo das familias numerosas há precisamente 5 meses, com o nascimento do Francisco. O Francisco é o mais novo de três, mas não posso ainda afirmar com toda que certeza que será o último…

Estes primeiros meses foram passados a procurar a melhor forma de manter a tranquilidade do barco apesar da agitação marítima que sabemos que a chegada de um recém-nascido provoca… E se é verdade que as vezes fico com os cabelos em pé, também é verdade (absoluta!) que adoro a adrenalida desta nova dinâmica familiar!

Cinco meses depois do inicio desta aventura onde os adultos estão em minoria, arrisco dizer que ter uma familia numerosa é:

Ter uma casa cheia! Cheia de amor, cheia de alegrias, cheia de histórias para contar!! Mas também cheia de roupa para passar, de loiça para lavar e comida para fazer!

É contar os minutos para chegar a casa do trabalho, para ver os sorrisos, roubar beijos e abraços… E a partir das 19h30 contar os minutos para deitar toda a tribo na esperança de ter um serão tranquilo a dois…

É ter histórias de princesas, colecções de futebol e filmes de animação nas tardes de domingo… e não conseguir ver um filme sem carregar dez vezes na pausa… pausa para o xixi, pausa para beber água, pausa para reposicionar a plateia em: filho-mãe-filho-pai-filha ao invés do mãe-filho-filho-filha-pai inicial, separando assim os potenciais aspirantes a lutadores de kick-boxing-de-sofá…

É ter nas bochechas beijos doces lambuzados de chocolate, no pescoço abraços apertadinhos com mãos sujas de terra… E nos ouvidos o ecoar romântico dos gritos “Aiiii oh mãe ele bateu-me assim” e ainda “mas foi ela que me fez assado” em décibeis susceptiveis de quebrar os espelhos mais resistentes la de casa….

É num momento crer que nos afogamos em felicidade… e no momento seguinte duvidar da esperança média de vida da nossa sanidade mental…

É brincar com todos num louco “tudo ao molho e fé em Deus”… e aproveitar cada oportunidade para ser exclusivamente pai e mãe de cada um deles…

É estar em minoria e ainda assim conseguir chegar a todo o lado..

E finalmente, é ter a certeza de que fomos feitos para isto e que a nossa vida não teria sentido de outra forma!

É dar o melhor de nós e receber o melhor de cada um deles!