Vacinação, uma responsabilidade social!

PicsArt_1465503859060

Escrevi o texto de hoje para o meu blog profissional Amamenta France, mas o assunto é tão pertinente que achei que merecia um lugar também aqui…

Nos ultimos meses, este assunto tem sido alvo de acesas discussões na internet e fora dela.

Sou profissional de saúde, e a minha visão vale o que vale, no entanto este é um assunto demasiado sério para ser debatido com a ligeireza que vejo habitualmente.

Se por um lado a vacinação é uma decisão dos pais, por outro lado, essa decisão vai influenciar toda uma comunidade. A consequências de vacinar ou não vacinar vão muito além do seio de cada familia.

Até há uns anos atras, quem decidia não vacinar estava a tirar proveito de uma alta cobertura vacinal em termos comunitários. O que quer isto dizer? Que enquanto havia uma grande cobertura vacinal em termos comunitários, a prevalência de certas doenças era irrisória, portanto, mesmo quando alguém tomava a decisão de não vacinar os seus filhos, estes beneficiavam da proteção de grupo que mantinha as doenças “longe”.

Com o passar dos anos e o crescimento dos chamados “movimentos anti-vacinas”, o numero de crianças não-vacinadas foi crescendo um pouco por toda a europa, e os casos mais ou menos esporádicos que beneficiavam da proteção de grupo, passaram a ser mais consequentes e a abrir “janelas” de não-cobertura permitindo que certas doenças se voltassem a propagar. A escolha que antes era vista como um “aproveitamento injusto”, hoje coloca em causa a segurança de todos.

Em 1998 uma revista publicou um artigo que relacionava certas vacinas com o autismo, o que causou o pânico e levou a um aumento brusco de crianças não-vacinadas. Esse estudo no entanto continha graves irregularidades e foi retirado pouco tempo depois. No entanto continuou a circular e as consequências têm sido terriveis.

Não há qualquer estudo sério e reconhecido sobre este assunto.

Se as vacinas poder ter efeitos secundários? Claro! Todos os medicamentos podem ter.

Porquê que os profissionais de saúde não informam os pais de tais efeitos secundários? Da mesma forma que não informam os pais de cada vez que prescrevem um paracetamol (vulgo ben-u-ron) ou um antibiótico.

Os pais têm acesso à bula das vacinas compradas, quanto às outras, os pais podem sempre pedir a bula aos profissionais e isto nunca será recusado!

Todos os medicamentos têm efeitos secundários.

O parecetamol por exemplo. Parece um medicamento inofensivo, mas está longe de o ser! Há quem use e abuse deste medicamento, e ouço até muitas vezes “até as gravidas podem tomar!”. No entanto, tem havido estudos que indicam que não será assim tão inofensivo na gravidez. E uma sobredosagem séria de paracetamol, seja em crianças ou adultos, pode ter consequências gravissimas!

Mesmo o paracetamol deve ser usado com muita precaução. Muitas vezes, as mães perguntam se devem medicar o bebé antes da vacina. A resposta é não. Medicação é para ser utilizada em casos de verdadeira necessidade. Dar um ben-u-ron antes da vacina não vai diminuir a dor da picada. Para isso há outras formas de alivio da dor que podem ser postas em prática no momento, como dar de mamar, por exemplo. O ben-u-ron pode ser dado após a vacina, se o bebé ficar irritavel, ou com sintomas locais, mas a maioria dos bebés nem chega a necessitar de medicação!

Stevens-Johnson é outro exemplo de um efeito secundário extremamente raro mas gravíssimo que pode ocorrer após a toma de qualquer medicamento em qualquer altura da vida, mesmo já tendo tomado o medicamento questão varias vezes!

Um dos medicamentos mais associados a esse síndrome é a amoxicilina. A amoxicilina é o principal componente dos antibióticos mais prescritos. Mas quantas pessoas sabem disso?

Será que os profissionais de saúde deviam alertar para estas questões? Se calhar deviam! Sempre que um medicamento é prescrito deveria haver uma espécie de “consentimento informado” sobre este assunto. Algo simples marcado na receita e que as pessoas deviam assinar, algo do género “Todos os medicamentos são susceptiveis de causar efeitos secundários, em casos raros esses efeitos podem ser graves. Declaro que tomei conhecimento deste facto e para mais informações comprometo-me a ler a bula do medicamento prescrito”.

Mesmo quando o assunto são vacinas!

E isto é uma questão de saúde publica.

Não vacinar com base em mitos ou artigos duvidosos coloca em risco anos e anos de avanço em saúde pública!

Temos a sorte de ter nascido numa zona do globo que nos permite ter acesso a cuidados de saúde que estão a anos luz de outras regiões. Temos a sorte de ter à nossa disposição recursos que nos permitem prevenir certas doenças.

A questão da vacinação está longe de ser uma decisão que afecta apenas cada um de nós!

A OMS está em alerta com a situação actual. O sarampo, que estava perto de ser uma doença erradicada na Europa, voltou em força e está a tornar-se preocupante! Há já dezenas de mortes a lamentar e centenas de casos por toda a Europa!

Longe de serem doenças “benignas”, a vacinação é a única forma de garantir a proteção de toda uma população, incluindo de quem por razões de saúde não se pode vacinar.

A proteção dos bebés pequenos e das pessoas imunodeprimidas (entre outros!) dependem da proteção comunitária! Se certas doenças podem ser quase inofensivas para crianças e adultos saudaveis, são potencialmente fatais para bebés e pessoas imunodeprimidas, como é o caso, por exemplo, da tosse convulsa. Mas há mais!! E a esmagadora maioria pode ser prevenida através da vacinação!

A vacinação, sendo fortemente recomendada, não é obrigatória na maioria dos países. Em Portugal não há vacinas obrigatórias. Em França só a DTP (difteria, tétano e poliomielite) é obrigatória.

No entanto, a vacinação mais que uma obrigação, é uma responsabilidade.

Todos nós, que vivemos em sociedade, temos uma responsabilidade comunitária! Uma responsabilidade que vai muito além das nossas quatro paredes!

Vale a pena pensar nisto 😉

Aqui fica a reportagem da sic sobre o assunto, e os links da OMS em francês e inglês sobre alguns mitos associados à vacinação…

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-03-31-OMS-preocupada-com-numero-crescente-de-casos-de-sarampo-na-Europa
http://www.who.int/features/qa/84/fr/

http://www.who.int/features/qa/84/en/

Amamenta France, existimos para informar!

 

Anúncios

Para ti recém-mamã que amamentas!

screenshot_20160922-051422

Minha querida recém-mamã, tu, que acabaste de dar vida a um pequeno ser maravilhoso, estás radiante! És uma mãe linda, embora a maioria das pessoas só te falem no bebé. Estás radiante e irradias amor, orgulho e felicidade!

Tu que decidiste amamentar o teu bebé, oferecendo-lhe um dos maiores presentes que lhe poderias dar nesta fase, estás a fazer tudo correcto e não deixes que vizinhas abelhudas, familiares metediços ou amigos da onça te venham dizer o contrário!

O teu bebé não tem vício de mama. O teu bebé tem “vício” de amor e de aconchego. Lembra-te que há tão pouco tempo ele ainda estava no sitio mais seguro e aconchegante do mundo: a tua barriga!

A sucção acalma-o, o teu cheiro apazigua, o bater do teu coraçào reconforta! E isso nada tem a ver com “vício de mama” ou fome.

Ao longo desta tua nova caminhada vais ouvir muitas coisas, incluindo que estas a habituar mal o teu bebé, que ele já tem “o tal” vício da mama, ou que se calhar o teu leite já está a falhar.

Por favor, cada vez que alguem te disser alguma destas coisas, lembra-te de como tudo tem corrido tão bem. Lembra-te de que tens profissionais competentes para te acompanhar em caso de dúvidas reais. Lembra-te que tens de confiar em ti, no teu bebé, e na natureza, porque essa, 90% das vezes faz tudo bem feito!

É ela que faz com que o bebé passe um bom momento acordado logo após o parto, para favorecer a primeira mamada nas primeiras 2h após o parto. É a natureza que faz com que a grande maioria dos bebés caia depois num sono profundo que dura cerca de 24h, em que tem quase sempre que ser acordado para comer de 6 em 6h e mesmo assim não mama muito, pois tem reservas suficientes para passar várias horas sem mamar e poder recuperar do esforço do nascimento. É também a natureza que faz com que o segundo dia e a segunda noite sejam os piores para a mãe, pois após esse sono revitalizador o bebé tem de comer, e principalmente informar o corpo da mãe que está à espera da subida do leite – que se faz por volta do terceiro dia e muito graças a esta estimulação do bebé. Por este motivo no segundo dia e segunda noite os bebés pedem para mamar quase de hora a hora, deixando muitas vezes as mães desesperadas e preocupadas quando não são devidamente informadas…

E é a natureza que faz com que este ultimo ponto seja cíclico e aconteça com alguma frequência: em determinadas alturas o teu bebé vai querer mamar de hora em hora, durante dois ou três dias, para informar o teu corpo de que está a crescer e que o teu corpo precisa de adaptar a produção de leite às suas necessidades.

Isto vai acontecer por volta dos 15 dias, 3 semanas, 6 semanas, 3 meses, 4 meses 6 meses e 9 meses.

Nestas alturas vais sempre colocar-te a questão se o teu leite estará a alimentar o suficiente, se será pouco ou “fraco” e haverá sempre quem – julgando-se entendido na matéria – te vai aconselhar a ir comprar uma data de leite. Depois vais lembrar-te que existem picos de crescimento e vais ficar mais descansada. Além disso relembro aqui que não há “leite fraco”, há é bebés com mais dificuldades.

E se apesar de tudo continuares insegura ou com duvidas, antes de avançares com outros metodos – muitas vezes sugeridos por quem não perde uma oportunidade para tentar mostrar à mãe que ela está a falhar – fala com um profissional especialista na matéria, pode ser um/a enfermeiro/a ou uma CAM. (E tu minha querida Ana, tens-me sempre a mim, disponivel 24h/24, 7 dias por semana ❤ l

Por isso goza o teu bebé, mima-o muito, amamenta-o quando tem fome e quando só quer um aconchego, pega-lhe sempre que ele pedir, não o deixes chorar no berço se o podes acalmar com o teu aconchego… independentemente do que te digam! E não te esqueças que até aos 9 meses na cabeça do teu bebé vocês são uma só pessoa e sem ti ele sente-se perdido! Ama-o e sente-te amada!

Vive esta experiência maravilhosa sem medos!
Para ti recém-mamã, mulher fantástica, um abracinho apertadinho!
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe… enfermeira!

15 coisas simples que deixam as mães felizes!

20160915_001042

Fonte imagem: google.pt

Já se sabe que não é preciso muito para fazer uma mãe feliz, hoje relembro 15 coisas bastante simples mas que são capazes de alegrar os nossos dias mais cinzentos!

– Receber um abraço apertado dos filhos

– Ouvir um meloso “gosto muito de ti”

– Perceber que os nossos beijinhos curam -de facto! – os pequenos dói-dóis

– Brincar ao faz de conta, comer bolos imaginários e beber um “café” preparado especialmente para nós

– Ouvir as gargalhas dos filhos, e repetir vezes sem conta o gesto que provoca essas gargalhadas. Não há nenhum som mais bonito do que as gargalhadas de um filho!

– Ver os filhos fazem algo novo pela primeira vez

– Saber que os nossos filhos nos elogiam em frente de outras pessoas

– Ver os filhos adormecerem à primeira tentativa

– Os filhos dormirem uma noite inteira sem acordar

– Ouvir os filhos dizerem “por favor” e “obrigado”

– Perceber que quando os filhos ficam com outras pessoas se portam dez vezes melhor do que connosco, e que aprendem de facto as regras de boa educação que transmitimos, mesmo que não as ponham (todas) em prática quando estão em casa

– Ensinar aos filhos as musicas da nossa infância

– Ser recebida com um sorriso gigante ao fim de um dia de trabalho

– Receber o presente do dia da mãe que eles fizeram na escola, e apreciá-lo sempre que temos um dia mais dificil

– Perceber que nos próximos anos continuaremos a ser a mulher da vida deles ❤

 

Assim vai a vida… aos olhos

Afinal, o Pai deve ou não assistir ao parto?

 

PicsArt_1459714337832

Esta é uma pergunta que surge inumeras vezes, e para qual há imensos artigos em resposta, basta fazer uma busca no famoso google e, bingo! temos respostas para todos os gostos e feitios.

Mas será mesmo esta a pergunta certa a fazer?

Hoje li um artigo (este) que saiu na “maxima” sobre se o pai deve ou não assistir ao parto. Confesso que como mãe, e como profissional, fiquei um pouco surpresa com a “qualidade” do artigo.

Quando esta ginecologista-obstetra diz que “o momento (do parto) é sempre muito pouco sexual.” está a insinuar que tudo o que envolve a vida de um casal tem de ter uma conotação sexual, ou seja, é o mesmo que estar a restringir as relações de um casal a uma mera relação de interesse sexual, o que a meu ver é francamente depreciativo.

Como profissional, posso dizer que não há nada mais bonito do que a cumplicidade de um casal no momento do nascimento de um filho.

Como mãe, para o meu primeiro filho quis ter a minha mãe comigo no parto, por opção, por várias razões, incluindo por esse medo de interferência na sexualidade do casal. Infelizmente este facto – presença ou ausência do pai no parto e os motivos – nunca foi abordado connosco por nenhum dos profissionais que nos acompanharam. Nos outros dois partos o pai esteve lá e foi simplesmente magnifico, uma experiência de partilha e cumplicidade inigualável!

Mas não adianta negar: nos primeiros meses a sexualidade do casal é afectada pelo nascimento de um filho. Ponto final. Aliás, toda a relação leva um abanão, e, das duas uma: ou sai mais forte, ou sofre danos (quase) irreversiveis. E isso é “assistir-ó-parto independente”.
Mas fiquemo-nos pela parte do parto e da sexualidade.

Nos primeiros meses a sexualidade é afectada por varios motivos, sendo os dois principais a baixa líbido da mãe e a necessidade do casal de se (re)encontrar nesta nova vida com mais um membro na familia. Afectada não significa anulada, e há casais que ao final de muito pouco tempo retomam a sua vida sexual, mas continuam a precisar de um “tempo de adaptação” para que possam voltar a viver a sexualidade em pleno. Havera excepções, claro, mas não é a regra. E isto acontece de cada vez que nasce um filho, independentemente de ser o primeiro ou o quarto.

Mas afinal, o pai deve ou não assistir ao parto?

Não tenho resposta a esta pergunta. Simplesmente porque “Pai” não define um conjunto de progenitores do sexo masculino. “Pai” é AQUELE homem, um ser único, marido ou companheiro DAQUELA mulher, com a sua história de vida e a sua personalidade. E por essa razão não há uma resposta universal para uma pergunta tão genérica.

Por isso, a meu ver, a pergunta correcta será: “ESTE Pai quer assistir ao parto”? Ou “ESTE Pai está preparado para assistir ao parto?” E consequentemente, o quê que nós, profissionais, podemos fazer para que AQUELE Pai se sinta confortavél de modo a poder apoiar a sua companheira e viver esta experiência plenamente?

Deixemos o casal decidir, com o nosso apoio e acompanhamento, ao invés de andarmos a dar opiniões-do-arco-da-velha.

Sexualidades à parte, o apoio que o pai dá à mãe na sala de partos é insubstituivel! E a emoção vivida a dois é algo único!

Opiniões há muitas 😉

Assim vai a vida… aos olhos de uma enfermeira!

Depressão pós parto? Eu estive la!

PicsArt_1455905442373

Fui identificada por varias amigas para o novo desafio facebookiano. E após ter lido um artigo sobre a polémica gerada por uma mãe que também foi desafiada mas que recusou o desafio por dizer detestar a maternidade e que por sua vez desafiou quem quisesse aceitar a postar a maternidade real ao invés de postar apenas a maternidade perfeita, resolvi então responder ao desafio aqui no blog.

Amo ser mãe, se fosse só eu a decidir sem duvida que ainda pensaria ter mais dois ou três filhos, mas como não sou ainda andamos em “negociações” para eventualmente se pensar em mais um…

Mas de facto esta polémica levou-me a este post que ja estava pensado ha algum tempo: não, a maternidade não são só rosas! Aliás, são muitos muitos espinhos, mas as rosas são tão grandes, bonitas, perfumadas, magnificas e soberbas que compensam em muito todas as vezes que nos picamos com os espinhos.

Mas, de facto, muitas vezes ser mãe não é fácil!

Eu conheci tempos muito dificeis após o nascimento da Eva. Aliás, para mim a passagem do primeiro ao segundo filho foi um horror. Foi assim como um terramoto de magnitude 7.2 na escala de richter…

Desde muito nova que eu sempre estive habituada a gerir tudo, a controlar tudo, a conseguir tudo.

O facto é que a Eva nasceu, e era um bébé dificil! Entre o refluxo e o consequente mau estar que isso lhe causava (regurgitava tanto e em tanta quantidade que chegou mesmo a ser internada por desidratação); o sono – e não é que a Eva dormisse mal, ela simplesmente não dormia! Dormitava às meias horas. Dia e noite. Só queria colo, o MEU colo! E além disso tinha o Duarte, 5 anos, que também precisava de atenção, que era preciso ir levar e buscar a escola, ter o almoço pronto ao meio dia, e ter tempo para estar com ele. E ainda havia a casa, que era preciso arrumar e limpar, cozinhar e tratar da roupa, embora o marido ajudasse era eu quem estava em casa de licença, por isso, na minha cabeça era a mim que competia tratar de tudo.

Por tudo isto, eu que estava habituada a gerir tudo, controlar tudo, e conseguir tudo, passei a não gerir nada, não controlar nada, não conseguir nada! E acreditem que para mim foi um grande estalo! Entrei numa espiral negativa, via tudo negro, considerava-me uma inutil, quando o marido tentava ajudar e fazia alguma coisa em casa eu atacava-o dizendo que ele apenas fazia para me mostrar que eu era uma incapaz. Achava-me uma péssima mãe, péssima esposa, péssima mulher. E quando regressei ao trabalho este estado de espirito manteve-se: zero confiança em mim, medo de ir trabalhar, cada vez que chegava ao serviço uma situação mais grave eu “fugia” para não ter de ser eu a assumir a situação.

As coisas tornaram-se de tal modo complicadas, sem que eu quisesse assumir o que se estava a passar, que foi o marido que pôs um travão e foi comigo procurar ajuda profissional. Fiz 18 meses de terapia. Fortaleci-me, (re)equilibrei-me e percebi finalmente o porquê de ter entrado neste buraco negro:

Porque quando se tem filhos é impossivel ter sempre tudo controlado! Querer ter tudo sob controlo da mesma forma que antes é utópico e perigoso!

É preciso aceitar que já não temos controlo absoluto da nossa vida nem do nosso tempo…

Aceitar que estes seres de palmo e meio passaram a ser os nossos DJ’s e nós precisamos relaxar e aprender a dançar ao som da musica, sendo flexiveis o suficiente para seguir cada mudança de ritmo com a maxima tranquilidade, mas também ter segurança suficiente para poder dizer sem medos que ha estilos musicais que não nos convêm! E não somos piores mães por isso!

Lembro-me de quando estava gravida da Eva ter falado com uma amiga sobre as depressões pós-parto e ela perguntar-me se era algo que me assustava ou de que tinha medo. E lembro de lhe ter respondido com imensa segurança qualquer coisa como “nem pensar!”, afinal como é que alguem que era tão activa e maníaca do controle poderia pensar sequer numa coisa dessas? Pois é, mas aconteceu. E foi uma lição de vida, uma grande aprendizagem!

Este é o lado negro da maternidade do qual pouco se fala. Mas eu estive la. E outras tantas mães também passam por la, algumas não descem tão fundo, outras vão tão fundo que é impossivel imaginar. Mas este é um assunto real. E é importante admitir que as vezes é preciso pedir ajuda!

Hoje, três anos depois posso dizer que amo ser mãe! Adoro ter uma familia grande e “estar em minoria“!

Claro que há dias dificeis, claro que há um “lado lunar“. Claro que às vezes só rezamos para que todos cheguem inteiros ao final do dia. Mas vendo bem, mesmo quem não tem filhos tem dias assim!

E para finalmente responder ao desafio, sim, sou uma mãe de três muito muito orgulhosa! 🙂

PicsArt_1455905831087

 

O lado lunar da maternidade

PicsArt_1453845691459

Fonte: “Baby Blues” cartoon

Sim, a maternidade tem um lado lunar! Mas não é politicamente correcto falar sobre isso! É que se falarmos sobre isso as outras mulheres podem deixar de querer ter filhos.

É quase como ter medo que as fabricas de chocolate vão à falência só porque é do conhecimento geral que o chocolate engorda!

Sim, há momentos em que as mães queriam ser apenas mulheres comuns durante umas horas.

Poder tomar um banho de imersão sem ser preciso por a “Peppa Pig” em modo replay durante meia hora, que é o tempo maximo que as “crias” ficam em frente à tv sem reclamar.

Poder arranjar as sobrancelhas ou fazer a depilação sem perguntar 30 vezes em décibeis elevados “esta tudo bem?” Ou “o que estão a fazer?” Esperando uma resposta que não a faça sair da casa-de-banho a correr a meio da tarefa.

Poder ir à casa de banho e demorar o tempo que precisa, sem pensar nas potenciais “cabeças partidas” e em todos os outros acidentes domésticos que podem ocorrer quando os filhos estão fora do alcance do olhar atento de uma mãe.

E, às vezes, as mães também têm dificuldades em gerir casa, trabalho, filhos e marido, ficando elas próprias para ultimo plano, e muitas vezes esse “ultimo plano” é adiado para o dia seguinte, para o mês seguinte, ou pensando bem talvez lá para o proximo ano…

E apesar de não demonstrarem, às vezes as mães também ficam frustradas por não conseguirem ter tempo para si.

“Sexo? O que é isso?” Muitas vezes no primeiro ano de vida de um bébé é como se a libido das mães tivesse saído juntamente com a placenta…
Os pais ficam frustrados, as mães ainda mais! Sim, não fiquem a pensar que as mães decidem fazer “greve” porque agora só têm olhos para o rebento… é mesmo algo que não conseguem controlar! E chateia, acreditem!

Às vezes, as mães têm vontade de perder a cabeça e agir como loucas histéricas quando os filhos resolvem fazer birras ao mesmo tempo em que se tem o jantar ao lume e se tenta desesperadamente estender mais uma máquina de roupa…

Às vezes as mães sentem-se a sufocar com tudo aquilo que têm de gerir e organizar 24h/24h, 7d/7d

E, às vezes as mães só gostavam de ter direito a uma “pausa kit-kat”…

E isto não faz delas más mães nem quer dizer que estão arrependidas… quer apenas dizer que são humanas!
*(No entanto, há um lado muito mais negro na maternidade, que só algumas mulheres conhecem… eu sou uma delas, há três anos atrás fui apanhada de surpresa nessa “noite sem lua”… mas isso será tema para um outro texto!)
Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

TDAH – A doença da moda

PicsArt_1453596366837

É certo e sabido que o THDA (transtorno de hiperactividade com déficit de atenção) é uma doença que está “na moda”;

Também se sabe que actualmente há muitos diagnósticos feitos “às três pancadas”;

Sabe-se que hoje em dia “todos os miudos são hiperactivos” e que basta uma criança ser um pouco mais irrequieta e/ou curiosa para o termo “hiperactividade” ser evocado por alguém;

Sabe-se que por aí se diz ser uma doença “inventada”;

Sabe-se que há “pastilhas mágicas” para sossegar miúdos e graúdos;

O que muitas vezes não se sabe, é que esta “banalização” social do TDAH leva ao sofrimento de muitas familias que se sentem julgadas e incompreendidas;

O que não se sabe é que este transtorno é uma doença real, uma doença neurológica, uma espécie de mau funcionamento das “linhas telefónicas” cerebrais, o que faz com que a transmissão de mensagens entre os diferentes lobos cerebrais não seja efectuada correctamente;

O que muitas vezes não se sabe é que na maioria dos casos são precisos anos de acompanhamento, diversas avaliações feitas por varios profissionais até se chegar a um diagnostico definitivo;

O que não se sabe é que o TDAH é uma doença extremamente dificil de gerir e capaz de levar à exaustão pais e filhos, sem que a boa educação ou a falta dela tenham alguma influência;

O que não se sabe é que a probabilidade de divórcio é 5 vezes maior num casal com filho(s) que sofram de TDAH com idades entre os 7 e os 12 anos.

O que não se sabe é que estas crianças tem uma autoestima do tamanho de uma ervilha, porque sabem que por mais esforços que façam – e acreditem que fazem! – nunca se conseguem comportar tão bem como o colega de mesa;

O que não se sabe é que crianças com TDAH não acompanhadas serão adolescentes com uma maior probabilidade de depressão, delinquência e tendências suicidas, devido ao sentimento de incompreensão pelo esforço que fazem e que raramente é reconhecido, porque na nossa sociedade ninguem vê esforços, apenas resultados;

O que não se imagina sequer é o sentimento de impotência dos pais ao verem os seus filhos sofrer assim…

O que não se imagina é a dor dos pais quando ouvem dizer que a doença que traz tanta dor à sua familia não existe… porque é como se lhes dissessem que todas as suas dificuldades são fictícias;

O que não se sabe é que as “pastilhas mágicas” são o ultimo dos ultimos recursos;

O que não se sabe, é que os filhos não ficam “zombies” com as “pastilhas mágicas” – como eu também pensava! – ficam é menos impulsivos e mais felizes!

O que não se sabe é que as “pastilhas mágicas” são o preço a pagar pelos sorrisos e pela auto-estima dos filhos, e não pelo sossego dos pais!

O que ninguém vê é o tamanho do esforço diário de pais e filhos para levar o barco a bom porto….

… Porque apontar o dedo é tão mais fácil!
Assim vai a vida…. aos olhos de uma mãe!