O que estamos a fazer às nossas crianças?

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Os tempos mudam, evoluem, mas continuamos a exigir às nossas crianças que caibam todas dentro do mesmo molde quadrado do sistema de ensino, castrando-lhes a criatividade e a individualidade e fazendo-as acreditar não só que isso é normal, como também é o melhor para elas. E a maioria das crianças (e dos pais!) la vão acreditanto – e obedecendo – e com arestas mais redondas ou mais bicudas la vão fazendo o possível para encaixarem no quadrado pretendido.

Mas quando elas teimam em contrariar este sistema, quando teimam em ter mais de quatro arestas, quando teimam em não entrar no molde, são tratadas de “hiperactivas”, de “mal-comportadas”, de “crianças dificeis”. São rotuladas, têm uma caderneta de recados mais preenchida que a agenda do Pápa, e desde pequenos vêm as suas dificuldades vais valorizadas que as suas qualidades. Passam a vida a trocar de escola e de professores, a ouvirem dizer o quanto são “dificeis”, em psicólogos e pedopsiquiatras, entre diagnósticos, e mediacação, mas sem nunca se procurar a verdadeira solução.

Uma criança é um ser curioso e explorador por natureza! Como não ter déficit de atenção quando nos fecham durante horas numa sala de aula, todos alinhados em filinha pirilau, com professores que muitas vezes tem menos vontade de estar ali que os próprios alunos e a paciência do tamanho de uma ervilha?

Como não ser “dificil” quando muitas vezes os professores estão tão sufocados com os programas a cumprir que nem têm tempo para OLHAR para aquela criança e perceber que afinal só precisa que acreditem nela?

Como não ser hiperactivo se em vez de explorar materiais e situações, os nossos pequenos exploradores são obrigados a explorar livros enfadonhos e matéria que parece nunca ter fim?

Como não ser “mal-comportado” se muitas vezes as crianças nem têm tempo – nem espaço! – para fazer aquilo que sabem fazer melhor: ser crianças!

Porquê que há cada vez mais crianças “problemáticas” na nossa sociedade? Porque as crianças de hoje não são iguais às crianças de há 50 anos! Nem nós, os pais somos iguais ao que foram os nossos pais ou os nossos avós! As crianças de hoje são mais desafiadoras, pedem mais, precisam de mais, mas nós continuamos a insistir em dar-lhes exactamente o mesmo: um ensino rigido sem margem para diferenças!

Poderiamos ter sistemas de ensino inspirados em Montesori por exemplo, dando espaço à criatividade, à exploração, à individualidade e as vantagens de cada aluno! Os nossos filhos não serão todos médicos ou engenheiros! Teremos também artistas, bailarinos, escritores, poetas, campeões olimpicos! Então porque insistir em querer enfiar à força todas as crianças nesses moldes rigidos, quais irmãs a querer calçar o sapatinho da Cinderela!

Sim! Existem crianças com hiperactividade! Sim! Existem crianças com déficit de atenção! Sim! Existem crianças com dificuldades de comportamento! Mas estou convencida de que, ao contrario do que se pensa, talvez estas condições sejam a consequência e não a causa!

E se, ao invés de directa ou indirectamente culparmos os pais pelas dificuldades dos seus filhos, apontarmos o dedo aos verdadeiros culpados: a sociedade, que não vê o obvio, e o sistema de ensino que vê em comportamentos roboticos e rotineiros o aluno perfeito!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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2 thoughts on “O que estamos a fazer às nossas crianças?

  1. Partilho em parte o mesmo ponto de vista. Tenho plena consciencia que o ensino já não está adaptado às necessidades das nossas crianças. Ou pelo menos essa adpatação está a ser muito lenta. Existem algumas alternativas, como o Montesori ou o Waldorf. Mas muito pouco exploradas em Portugal. Por outro lado, penso que não só o ensino se deveria adaptar, mas também a sociedade. No tempo dos nossos pais e avós, havia sempre alguém “cuidador”. Lembro-me de sair da escola à hora de almoço e ir para casa, porque tinha a minha avó. Agora as crianças ficam horas e horas, fechadas no mesmo sitio ou atafulhadas de mil e uma actividades (que também deixa os professores exautos e com paciencia do tamanho de uma ervilha!). Ficaram sem tempo para brincar ou estar simplesmente com os pais. Para quando uma mudança na legislação, que permita que o pai ou a mãe terminem a jornada de trabalho mais cedo para ficarem com os pequenos? Não sou o ensino precisa de mudar, mas também a sociedade.

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    • Catia Godinho diz:

      Sem duvida! Partilho da mesma opinião! Tenho muita sorte de poder acompanhar os meus filhos, que todos os dias vêm almoçar a casa, fazer os trabalhos de casa etc… concordo que ganham eles ganha toda a sociedade!

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