Pais adoptivos: um grande bem-haja!

 

Não sou mãe adoptiva, nem sequer nunca acompanhei de perto nenhum processo de adopção. Mas acho que o desafio que estes pais aceitam é tão bonito e ao mesmo tempo tão duro que não posso esconder a minha admiração por eles!

Admiro-os em primeiro lugar porque na maioria das vezes são casais que levam anos de luta e muitos desgostos na bagagem, neste caminho de “ser pais”.

Admiro-os por nunca desistirem, e admiro-os por acolherem nos seus corações os filhos, que até aqui eram filhos… de ninguém.

Há filhos que não nascem da barriga, mas nascem do amor que os procura numa batalha onde não se aceitam vencidos.

Imagino que nesta gravidez o crescimento da barriga e as típicas duvidas do estilo “será que vamos ser bons pais” são substituidas pelo crescimento das pilhas de documentos e papéis necessários para PROVAR que hão-de ser bons pais.

Imagino que as consultas com o obstetra são substituidas por reuniões no centro de adopção, e que a gestação muitas vezes dura mais do que os “banais” nove meses.

Comparo o momento de adopção ao do parto, onde nascem os pais e uma nova criança, e onde começam os maiores desafios para ambos.

Imagino que os três dias na maternidade com as enfermeiras como recurso 24h/24h para dar “o salto”, são substituidos por um tempo de adaptação em casa com numero de telefone de recurso em caso de extrema necessidade.

Imagino que a adaptação progressiva do casal ao ritmo bebé, ao seu crescimento, à sua maneira de ser é substituida por uma adaptação mais exigente a uma criança que -dependendo da idade – já tem a sua personalidade, e que muitas vezes terá também um sentimento de “abandono” e o medo de ver a história repetir-se.

Imagino que as noites mal dormidas de um recem-nascido são substituidas por dias – e as vezes noites – de tensão onde os limites de ambos são muitas vezes postos à prova.

Imagino que o choro e as cólicas do recém-nascido são substituidos por desafios que por vezes podem ser desesperantes, mas que quando ultrapassados serão a maior prova de amor que aquela criança ja teve.

Imagino que aquela criança faz tudo isso na tentativa inconsciente de perceber se os pais merecem mesmo a sua confiança ou se a vão abandonar à minima adversidade.

Imagino que os pais superem tudo – mesmo cheios de duvidas – porque o amor que têm para dar ultrapassa todas as barreiras.

Ser pai e mãe – adoptivo ou não – não é uma tarefa fácil. Ser pai e mãe é viver constantemente a duvidar das suas capacidades, das suas escolhas e dos seus métodos educacionais. Mas nunca do seu amor.

Ser pai e mãe é tirar cursos intensivo de flexibilidade, resolução de problemas, de como fazer face a situações de crise, como-prolongar-a-sua-paciência-até-ao-infinito-e-mais-além, de técnicas de negociação ultra-modernas e de como-amar -incondicionalmente-além-da-nossa própria-vida.

Admiro estes pais porque ao contrario de nós, eles não o vão fazendo progressivamente e quase sem se darem conta. Passam muitas vezes de um casal sem filhos, provavelmente com uma casa impecávelmente limpa e arrumada, a um casal com um (ou mais!) filho(s) de 2, 3, 4, 5 anos, as vezes ainda mais velhos. Crianças que já trazem os seus hábitos, que é preciso adaptar delicadamente à nova familia. A casa impecavélmente limpa e arrumada fica quase em estado de sítio com brinquedos espalhados, migalhas e restos de sumo pelo chão.

Porque imagino que não seja fácil e que as vezes os amigos não se apercebam – como aliás muitas vezes não se apercebem das dificuldades que os casais vivem com a chegada de um bebé!

Mas, ser pai e mãe adoptivos é dar amor a uma criança que os esperava há tanto tempo. Talvez tempo demais, talvez até essa criança já tivesse perdido a esperança de ter um pai e uma mãe de verdade.

Ser pai e mãe adoptivos, é um gesto de altruismo que merece todo o meu respeito.

Adoptar uma criança é proporcionar-lhe aquilo que deveria ser um direito seu: uma familia!

Ser pai/mãe adoptivo é ter um inicio de percurso diferente, mas é ver os filhos crescerem e ganharem expressões, formas de estar e de falar que conferem parecenças mais realistas com os pais do que muitos filhos biológicos.

A todos os pais e mães adoptivos, aqui fica a minha homenagem e um grande bem haja!
*Peço desculpa se a minha visão for uma visão completamente desviada da realidade… não hesitem em partilhar a vossa experiência nos comentários!!

 

Assim vai a vida… aos olhos de uma mãe!

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