Regresso agri-doce

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Quem me conhece bem ouviu-me dizer muitas vezes, cheia de certezas e muito segura de mim, que não tenho perfil para ser “mãe a tempo inteiro”, que admiro muito essas mulheres mas que eu não seria capaz pois iria sempre achar que me faltava qualquer coisa, um pedaço de mim: o meu trabalho.

No entanto cheguei a uma fase da minha em que mudei muito a minha forma de pensar: neste momento se tivesse possibilidades (financeiras) tirava 18 meses de licença sem pensar duas vezes…
Mas como na vida nem sempre conseguimos fazer aquilo que gostaríamos, daqui a 2 dias la volto eu ao trabalho, o que me traz sentimentos muito ambivalentes…

Se por um lado estou ansiosa porque tenho a sorte de ter um trabalho que adoro, porque já sinto a falta de me sentir útil para a sociedade, a falta da adrenalina da sala de partos e das conversas com as colegas, por outro lado quando penso nisso a sério quase fico deprimida… sinceramente pensei que seria mais fácil por ser o terceiro e por já ter passado por isto duas vezes, mas não.

Poderia dizer que me sinto assim tão ambivalente por serem três, ou pelo facto de que o Duarte precisa de um bom acompanhamento, ou porque para a Eva é um tormento saber que eu vou trabalhar, ou porque o Francisco ainda é tão pequenino…

Todos estes argumentos seriam válidos para justificar a minha apreensão mas a razão principal é este sentimento tão egoísta mas tão intenso de que ninguém consegue cuidar do meu bébé tão bem quanto eu… achar só eu conheço todas as manhas, que só eu sei ao quê corresponde cada tonalidade do seu choro, só eu sei a forma como ele gosta de adormecer, só eu o sei proteger… sim, é egoísta, lamechas e pretencioso!

Tremo de saber que durante horas vou estar privada dos seus sorrisos e das suas gracinhas, que vou andar a “ressacar” do seu cheiro, do seu aconchego, do seu mimo… e no fundo talvez tambem tenha medo que ele fique zangado comigo por passar tantas horas longe, que pense que o abandono, que sofra com a minha ausência. Ou será que simplesmente tenho medo de deixar de ser a sua preferida?

Aliado a isto está este sentimento de culpa que me persegue pelo facto de me ser mais dificil deixar o Francisco do que os irmãos, mas para mim é como se os mais velhos já tivessem feito um curso superior de “como sobreviver sem a mãe” e o Francisco fosse obrigado a começar um curso intensivo sem preencher ainda os requisitos mininos necessarios para tal…

… No fundo sei que vai correr tudo bem, mas não deixa de ser um momento altamente stressante!

E por aí, como foi o regresso ao trabalho?

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